O galo missioneiro

 

Certa vez, perto de Palmeira das Missões, entrei num bolicho, louco de fome.

– Tem almoço rápido?
– Frango, arroz, feijão e salada de cebola.
– Pode ser.

O bolicheiro gritou sem levantar da cadeira:
– Nena, o do dia!

Me acomodei num canto para esperar a bóia. Olhei pela janela e quase não acreditei, Nena deu de mão num galo que descansava à sombra de um pé de camélias.

Em menos de dez minutos senti o cheiro da carne fritando.

Em seguida veio à mesa com suas guarnições, ainda em tempo de ver a coxa e a sobrecoxa do franguinho esperneando na panela..

Nossa Gente

Vive num país onde polícia mata bandido e bandido mata polícia
Ladrão anda solto e cidadão em prisão domiciliar
Um país de leis não cumpridas, de constituição falida
Onde quem deve dar o exemplo não cumpre o dever
Do comando paralelo a formação de quadrilha no poder
Não culpe os meninos da vila que vestem Oakley, bermuda e chinelo
Muito menos neste ou naquele que não te seduz
Não se repõe a ordem com um tiro de fuzil
E de quebra, lembrei “favela” que canta o Arlindo Cruz
Tem gente de terno e gravata matando o Brasil.

Epa! Cadê a UPA?

No Brasil dos panelistas e dos trouxas que se vestiram de arlequim:

Nove unidades de pronto atendimento (UPAs), que deveriam estar abertas 24 horas por dia, permanecem de portas fechadas no Rio Grande do Sul.

Outras seis das 13 em fase de construção estão com obras paralisadas.

As prefeituras dizem que não tem recursos suficientes para fazer a manutenção das unidades.
O custo de manutenção deveria ser dividido, com 50% pago pela União, 25% pelo Estado e 25% pela prefeitura.

Mas a Federação dos Municípios diz que os prefeitos são responsáveis por cerca de 60% das despesas de cada UPA. Assim a matemática não fecha.

É a cara de um país que muito sabe gastar e nada em administrar, com o foco de ferrar o povo.

Bons antecedentes desprezados na troca de favores

 

Não escapa ninguém, todos têm culpa no cartório, ou melhor, na Justiça, na Polícia Federal, em casa ou no quintal de casa. Nomeia-se ministro e lá vem uma extensa ficha corrida.

A ministra indicada para a pasta do trabalho, Cristiane Brasil, explora seu motorista e empregados domésticos, não paga os encargos trabalhistas e ainda por cima não cumpre decisão judicial.

O substituto dela na Câmara dos Deputados, Nelson Nahim do Rio de Janeiro, responde a processo-crime por abuso sexual de incapazes.  Ele foi condenado a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável, coação no curso do processo e exploração sexual de adolescentes no caso que ficou conhecido como “Meninas de Guarus”. Saiu da cadeia em outubro passado para virar deputado.

O ministro Eliseu Padilha da Casa Civil é outro com extensa ficha corrida por exploração de trabalho escravo em suas fazendas e problemas de ocupação ilegal de áreas para exploração imobiliária e a pratica de negócios obscuros ou para pegar leve, falta decoro.

Outro ministro, Moreira Franco, que comanda a Secretaria-Geral da presidência da República, foi citado dezenas de vezes em delações oficiais dos executivos da empreiteira Odebrecht na Operação |lava Jato, passou a ter foro privilegiado e só pode ser eventualmente julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

O presidente da República Michel Temer, responde a dois processos-crime por corrupção e por integrar organização criminosa no STF e continua no Palácio do Planalto. Articulou o golpe contra a ex-presidente Dilma Roussef com o apoio de deputados, senadores, empresários, correntes do Judiciário, mídia entre outros, para manterem seus privilégios e imunes aos crimes que praticam.

Do outro lado da rua de Brasília, senadores, atolados na corrupção e desvios de verbas públicas. Na Câmara, deputados negociam volumosos recursos em troca de votos para uma reforma que, pelo o que eu vejo na propaganda da TV não vai mudar em nada a vida do brasileiro. Então, para que reforma e os bilhões, sim, bilhões de reais para a compra de votos e publicidade se o próprio governo diz que nada vai mudar?

Ah e tem o Gilmar, e também tem o diretor do Departamento e Trânsito – Detran, de Minas Gerais, um cidadão de nome César Augusto Monteiro Alves Junior, com 120 pontos na carteira e que continua no cargo.

No Brasil a ficha suja não é mais pré-requisito para ocupar cargo político. No Brasil os vigaristas ocupam gabinetes enquanto a ética, a moral e uma coisa chamada honestidade ficam em casa para se proteger da bandidagem. Que que eu vou dizer para os meus netos…

A corrupção não muda, mudam os criminosos

As formas de divisão setorial e hierárquica da administração pública surgiram na Grécia, mas foi na Roma antiga que teve ela teve um caso com a corrupção, criou raízes, dependência e proliferou.

Raízes da corrupção

A corrupção tornou-se um modismo ao ponto de ser uma prática já natural adotada por quem precisasse do serviço público. Os romanos tinham uma tabela de preços dos serviços sujeitos à corrupção.

A corrupção na sociedade portuguesa, nos tempos do Brasil Colônia, se fez presente em todos os níveis. Os chamados “amigos do rei” não faziam nada de útil, mas em troca de favores, ganhavam títulos e terras.

Aos militares cabiam prender os criminosos, mas ao contrário, encabeçavam, ao lado da elite imperial, a lista da corrupção que ia do campo à cidade, exigindo dízimos sobre tudo o que era produzido pelos agricultore, ou até mesmo para desfrutar de uma simples folga, o soldado ou o servidor subornavam o diretor.

Escrevo só para lembrá-lo do Brasil de hoje, em que o modelo de corrupção pode ser lido na sua mais pura definição. Sem alterações. Depende como você quer interpretá-lo.

A vida alheia passada a limpo na mesa do bar

Encontro no Gambrinus, tradicoinal ponto de encontro no Mercado Público, o Zé Adão Figueiredo. Procurador do Municipio de Porto Alegre, destes que se aposentam cedo, passa tardes, nem todas, na mesa do bar, descrevendo o ambiente publicando-as em pocket. Como este – Crônicas de Bar 3 – que me alcançou.

Adão1

Detalhe, onde o personagem é encrecna , a ilustração é de um cristão qualquer.

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Quando o personagem sai no lucro, a ilustração é a cara do Zé Adão.Adão3

Abração Zé Adão, que tem no DNA os três elementos de Lavras do Sul. sucesso na produção independente.

Abraço na Luana.

Foi parcelar o décimo terceiro e descobre que está morto

A informação me foi repassada pelo vereador Dr. Thiago Duarte de Porto Alegre, com a seguinte observação: É de matar!

A quarta-feira, dia 27 de dezembro foi das bruxas para o auxiliar de enfermagem José Carlos de Oliveira Souza, servidor público do município de Porto Alegre e que trabalha no Pronto Atendimento da Cruzeiro do Sul.

Ele foi pela manhã na agencia Banrisul do Bairro Três Figueiras para solicitar o parcelamento do seu décimo terceiro, formula adotada pelo Executivo para pagar o salário dos servidores.

Depois de encaminhar a papelada necessária e certo de que hoje receberia o dinheiro, foi surpreendido pela resposta do atendente que, ao consultar uma lista encaminhada pela Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre – Procempa, ficou sabendo que estava morto.

“Não acreditei, levei um susto e respondi na hora para o atendente – Mas eu tô aqui, vivo, com a minha documentação em dia”, lembra José Carlos.

A sua presença de corpo e alma, no entanto, não foi o suficiente. Iniciava-se um calvário do servidor para provar que não morreu. Recorda que o atendente ainda tentou resolver o caso ligando para a prefeitura, mas foi orientado a encaminhá-lo para a prefeitura “pessoalmente”, ironiza. José Carlos foi até a Loja do Servidor e abriu um processo, ligou para a Procempa e a Secretaria da Administração e não obteve resposta alguma, pelo menos até a manhã desta quinta-feira.

“Me sinto revoltado, injustiçado, sensação de não existência, um fantasma que trabalha a noite inteira” desabafa o servidor, finalizando que “é uma falta de respeito com quem trabalha pela cidade”.

José Carlos vai entrar o ano novo sem o décimo terceiro na conta, mas na convicção de que está vivo, embora tenha que provar.

A reintegração de posse da árvore de Natal

 

Estava tudo no seu lugar, a árvore erguida no canto da sala, aquele que todos visualizam quando descem a escadaria em direção a cozinha. Bolas coloridas, lamparinas, enfeites da liquidação do Natal passado, mas ainda sem uso, portanto, novos. Não tinha chumaço de algodão porque com o calor de 40 graus ficaria ridículo por neve no pinheirinho. O presépio completo, sem os reis magos que só virão no janeiro, andam resolvendo questões políticas envolvendo o Tramp e o Oriente Médio. Recém eu havia instalado as luzinhas, prontas para serem testadas quando algo fora do contexto quebrou a harmonia do ambiente. No galho mais alto, disputando espaço com a estrela de Belém, havia um pássaro marrom. Um sabiá com ar de arrogante tomou posse da árvore que tanto trabalho deu para chegar ali. Desde a longa fila no Black Friday para aproveitar o desconto, fazer com que ela coubesse no carro, até o quebra cabeça para juntar todas as peças e montá-la de acordo com as instruções. Esta ousadia não sairia barato.
 
Gentilmente o convidei a retornar ao bosque dos fundos, de onde ele veio, negociei até um aumento na porção de alimentos que eles recebem todas as manhãs, eles que eu me refiro inclui a familia do sabia, parentes e amigos.Ele me pareceu irredutivel e na primeira tentativa não houve acordo. Para piorar as coisas, numa visível manobra de pura provocação, talvez pra me tirar do sério, desceu dois galhos e se posicionou na parte de trás da árvore, com as costas protegidas pela parede. Ele foi estratégico, o que me deixou mais irritado, pois até aí o etrategista era eu, armado de argumentos sensíveis, utilizando a emoção e a boa intenção, até então. Ele, o sabiá, sabia que nhão haveria qualquer possibilidade de um ataque pelas costas já que a parede o protegeria. Se houvesse combate, o que estava se tornando quase que uma evidência, os ataques aéreos e por terra viriam pelos flancos ou quando muito pela frente. Isto foi um aviso de resistência e e um claro sinal de que haveria luta de posse e reintegração.
 
Como sou contra a violência e qualquer tipo de uso da força, comecei com um alerta. Uma sacudidela na árvore como forma de deixá-lo ciente sobre as consequências desta sua atitude impensada. A segunda tentativa foi um pouco mais desastrada, a árvore vergou e só não foi ao chão porque um balcão, modelo cômoda, amparou o peso e evitou o início da destruição. O sabiá bateu asas, mas não voou. Senti que ele estava em apuros, e abria-se aí a munha grande oportunidade de acabar com a teimosia sabiá ficou enroscado porque bateu as asas e não voou. Senti que ali estava a grande oportunidade para acadeste obstinado invasor, antes que ele acabasse com o meu Natal.
 
Mas como nem toda a luta é fácil, ele resolveu complicar a situação e se embenhou ainda mais na mata, digo, no pinheirinho. Sorrateiramente aquele monte de pena voadora foi se aninhando, tornando-se impossível arrancá-lo a força sem destruir parte da sala, a árvore e todos os acessórios.
 
Impotente e sem alternativas parti para estratégias menos rudimentares como cbo de vassoura, havaianas ou bodoque. Fui logo colocando em ação o pelotão de choque. Conectei as luzinhas na tomada, torcendo para que funcionassem, e cerquei a área, aí sim com uma vassoura, um rodo e meus dois cachorros. Não haveria escapatória, seria o ataque final, já prevendo baixas. Quando as luzinhas piscaram feito pirilampos, tal qual mísseis avançando na direção do inimigo, o “sem árvore” ergueu a cabeça e num impulso, como um raio, desocupou o território, deixando para trás parte da sua farda de combate, o que de certo modo valorizou a luta. Esfarrapado e depenado, fez um pouso forçado no caramanchão, ajeitou o fardamento e desapareceu.
 
Juntei as penas como troféu e recoloquei a árvore no seu lugar, fechei a janela para evitar um possível retorno, quem sabe em marcha, acompanhado de comparsas para um contrataque de cinema.
 
Peguei o chimarrão e fui matear com o menino Jesus que estava agitado, assustado com o que se passou sobre seu berço. Foi aí que notei que só sobrou ele. O presépio ficou em pandarecos, eu e o resto em frangalhos.

O Brasil de Catilinas

As Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do romano Marco Túlio Cícero, pronunciados em 63 a.C. Mesmo passados mais de dois mil anos, ainda hoje são repetidas as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, declaradas em pleno senado romano.

Aí vai um desafio para possamos adaptar o discurso aos temos de hoje. Se fosse para substituir o nome Catilina, quem você colocaria?

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!

Regional Tira-Teima e os chorões de São Luis

Recebo o último trabalho de flauta, cordas e percussão do mais antigo grupo de choro em atividade em São Luis do Maranhão, o Regional Tita-Teima fundado em 1973.

Link músicas – https://www.youtube.com/channel/UCsWYrpnGQr_wx5pWjdgSwPw

De passagem por Porto Alegre a caminho do Uruguai, o Paulo Trabulsi e a Edvânia Katia, produtores musical e executivo da obra, jantaram lá em casa e entre um fettuccine e algumas taças de vinho, conferimos as 13 faixas do – Gente do Choro -, titulo do disco e, de canja, outra música inédita apresentada dias antes no festival de choro de Curitiba.

Tira Teima

De uma qualidade incomparável, cada faixa é um passeio pelas rodas de choro nos bares, ruas e vielas da cidade de São Luis, Patrimônio da Humanidade com seus azulejos e casarões. Cada acorde tem um pouco da cidade e revela a riqueza, o acervo deste gênero musical, vias de se tornar Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O choro é livre, sim, mas eu prefiro que ele flutue entre a gente e não se enverede mundo a fora. Vai que não volte e nos deixe pra sempre.