Um Prometeu às avessas

O asseverado Bolsonaro, um Prometeu tupiniquim, nada comparado ao titã grego, prometeu acabar com privilégios e acabou com o horário de verão.

Prometeu acabar com o PT e acabou com seu próprio partido.

Prometeu acabar com os altos salários e acabou com o salário mínimo.

Prometeu prioridades aos trabalhadores, acabou com o emprego e a aposentadoria.

Prometeu o fim da mamata e acabou com a maminha.

Promete acabar com a pobreza… classe média, abra o olho com este cara aí.

Prá pensar – Como alguém que foi um completo fracasso até os 30 anos de idade se tornou um homem com poder para matar milhões e deixar a Europa em ruínas? Refiro-me a Hitler, o líder nazista que preferiu acusar sua avó de chantagem sexual a admitir que pudesse ter sangue judeu. Também não batia bem.

 

Quando as árvores de Natal eram de verdade

 

O Natal da minha infância em Colorado, tinha cheiros característicos, o da barba de pau umedecida e o da resina da araucária. A mãe mandava que eu fosse passear num certo dia de véspera e ao regressar, ao por o pé na soleira da porta, era tomado por um ambiente com o aroma da mata. Na sala de casa tinha uma árvore de natal me esperando com uma estrela no alto, e envolvida num manto de delicadas esferas coloridas e ninhos abandonados de pássaros que ficaram dependurados nos galhos das laranjeiras, às vezes algum vinha acompanhado de um ovo que não vingou.

No sopé se alastrava um projeto arquitetônico da mãe para os filhos. Ali estava o espírito de alguém com alma de criança dando forma aos detalhes. A disposição de cada item da criação tinha um significado, uma finalidade e uma direção. Todos os caminhos levavam à manjedoura onde estava uma criança, símbolo da natalidade entre as civilizações da terra, exemplo de fé, de paz e de esperança.

É raro ver uma mãe enfeitando uma árvore de verdade com a delicadeza de antes. Hoje, o arcabouço vem com código de barras.

 

O malvadinho e a formação do caráter

Duas crianças brincam de gente grande e uma grande ideia começa ganhar formato diante da realidade que presenciam.

O malvadinho diz:

– Esta eleição tá no papo.

O menos radical responde:

– Que tanta certeza?

E o diálogo segue um breve roteiro.
– Vou apelar na justiça, mando prender meu adversário.
– Alegando?
– Que ele roubou meus quindins.
– Mas o cara é diabético, não vão acreditar na tua história.
– O eleitor odeia pobre e ladrão, de quindins, no caso.
– Vai ser preciso um bom lobby.
– Sim, o de que ele comeu quindins com sagu. Ninguém vai perdoar.
– Que culpa tem o sagu?
– O eleitor odeia sagu. Sagu lembra pobreza.

É preciso que o Gepeto desconstrua o Pinóquio

O Brasil fica em segundo lugar no ranking de ignorância sobre a nossa realidade. Só perde para a Africa do Sul. O brasileiro adora uma mentirinha, tanto, que escolheu o Pinóquio para presidente e acredita na mídia de olhos fechados. Ah!! Gepeto, volte logo para consertar o estrago feito.

Nas asas do poder – o tráfico de drogas em vôos oficiais

O ditador chileno montou um esquema de tráfico de drogas usando aviões da Força Aérea Chilena que distribuíam a droga na Europa através das embaixadas do país em Estocolmo e Madri, além dos Estados Unidos. Pinochet chegou a desenvolver seu próprio produto para lucrar nesse mercado: a “coca negra”. (revista Forum)

Um avião presidencial de um pais vizinho ao Chile foi apreendido recentemente na Espanha, transportando coca.

Pelo o que se sabe a coca era branca, mas, já estão desenvolvendo pesquisas para que ela se torne laranja.

 

 

Pacíficos ou coniventes?

Para entender a acomodação dos brasileiros nivelado às demais Nações tipo Chile e Equador, é só bispar a história e ver que em meados de 1.500, enquanto os Tupiniquim se iludiam com espelhinhos, os índios Charrua do Uruguai reagiam contra a tentativa de posse do Rio da Prata, por parte do navegador espanhol Juan Dias de Solís. O enviado do rei pagou com a própria vida, os índios uruguaios não se entregaram. Esta é a diferença.

Esquadrinhando – O que sobrou da expedição do Solís, naufragou na costa brasileira e menos de uma dúzia dos sobreviventes foi parar na ilha dos perdidos, hoje, Florianópolis.

O ponto de mutação

É cada vez mais difícil ser Bolsonaro sem abrir mão dos ídolos de uma vida inteira. Roger Waters passou a ser odiado pelo rebanho do capitão depois da sua turnê pelo Brasil, quando disse que o presidente do Brasil é corrupto e insano, e mais recentemente disse que ele é uma ameaça para a humanidade porque está destruindo o planeta. Outros como Cher, Madona e Alfonso Herrera, que interpreta personagem LGBT na série as Netflix “Sense8”, engrossam a lista de críticos a Bolsonaro.

O Papa Francisco é outro que entrou para a lista de odiados quando afirmou que a Amazônia é um problema do mundo e denunciando novos colonialismos como causa dos incêndios na floresta. Foi o que bastou para que os devotos do “capetão” tencionassem o fogo do inferno ao representante de Deus na terra.

Gerações inteiras embaladas pelas letras e músicas do Chico Buarque também se voltaram contra o artista e aplaudiram quando Bolsonaro se negou a assinar o diploma do Prêmio Camões de literatura da língua portuguesa, organizado pelos governos de Portugal e Brasil.

O escritor moçambicano Mia Couto lidera o movimento de protesto contra o governo brasileiro pela posição tomada. É mais um ídolo riscado da lista dos fanáticos seguidores do capeta, seguidores com pontos de vista inadequados para guiar o comportamento humano como bem define o físico e ambientalista, Fritjof Capra no livro O Ponto de Mutação.

Se você também integra a lista dos indesejados, meus cumprimentos. Você está do nosso lado.

 

 

NO BRETE

Declarações e situações surreais:

… de que a sociedade desrespeita os códigos bases e que o Intercept viola a privacidade, foram duas de tantas pérolas que o presidente do TRF-4 disse agora pela manhã no programa da Rádio Gaúcha. Fica pra mim a “convicção” de que violar e desrespeitar só vale para quem usa capa preta a revelia.

Enquanto isso o MPF tenta se livrar de uma bomba, pra se passar de bonzinho, sugerindo progressão de pena ao LULA antes que o STF o faça. Será que vamos ter uma quarta-feira de cinzas?

Se não conseguirem remover a decisão do Lula, e não vão, de que ele aceite a progressão de regime, certamente o jogarão num cadeião pra demonstração de força e ódio.

De Amaral de Souza e Lauro Guimarães a Gilmar Mendes e Janot

“Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua”. Esta afirmação do ministro do Supremo Gilmar Mendes sobre o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot que confessou a sua intenção de assassinar Mendes, mas que o dedo falhou na hora de dar um tiro no algoz, me remeteu à Praça da Matriz em Porto Alegre lá por 2007/08, não lembro bem.

Foi logo depois do meio dia de uma sexta-feira. Eu acabara de gravar o programa do Ministério Público para a TV Justiça, nos estúdios da Assembleia Legislativa e retornava para o Forte Apache, nome dado AP Palácio do Ministério Público do Estado, sede da Procuradoria-Geral de Justiça e onde funcionava a assessoria de imprensa do MP.

Sentados lado a lado, no banco da praça, estavam o ex-governador do Rio Grande do Sul Amaral de Souza e o ex-procurador-geral de Justiça Lauro Guimarães. Os dois se conheciam de Palmeira das Missões, município localizado ao Norte do Rio Grande do Sul da época em que Lauro Guimarães era promotor de Justiça da cidade e Amaral de Souza advogava por causas nobres e justas dos cidadãos da Palmeira. Mais tarde, Amaral vinha a ser governador do Estado, indicado pelo regime militar, e Guimarães o seu secretário de Turismo.

Juntei-me a conversa e os dois me contaram a história que me lembrou a briga do Mendes e o Janot.

Lauro disse que o Amaral como advogado volta e meia visitava a mesa do promotor com interpelações e apelações.

– As petições eram mal redigidas, disse o Lauro.

Um dia ele resolveu reclamar para o então advogado Dr. Amaral sobre os atropelos na língua e a pobreza da redação.

Amaral não perdeu tempo para justificar a correria na sua banca de advocacia, o que não lhe permitia o aprofundamento nos textos redigidos e ao mesmo tempo, respondeu ao promotor, que pouco lhe importava a qualidade da redação:

– Pode tá mal escrita, mas tou ganhando muito dinheiro.