Criança de Colo

Criança de colo é aquela que a gente aperta, espreme, morde a bochecha para que ela entenda o quando é importante na vida da gente.

Mas ela não entende e chora.

Ah…essas crianças de colo não entendem o carinho da gente!

 

 

Nervos de Aço – A Vingança

Caixa Econômica Federal – Rua dos Andradas – ao lado das lojas Americanas no calçadão do centro de Porto Alegre.

Ficha 115, para ser atendido no caixa e pagar uma conta.

Às 13:10h,  no painel eletrônico aparece a ficha 104 e lá vai um casal para ser atendido.

– Vai ser fácil hoje, pensei, só tem 11 pela frente embora três caixas funcionando.

Nem sentei numa das cadeiras colocadas para aguardar a chamada.

Às 13h30h, chamaram a ficha 108. Desabei na cadeira, e senti que a espera seria longa.

Um homem negro rasgou a ficha, largou no lixo e saiu desaforando o atendimento ao guarda e a atendente.

O casal continuava no caixa, o homem até já havia retirado o casacão (estamos no inverno) e colocado em cima do balcão ao lado, o qual deveria ter um atendente do outro lado, mas não tinha. Dez guichês, só três funcionando.

Voltei uns três meses no tempo quando na agência do Banco do Brasil da avenida Julio de Castilhos houve o mesmo caso. Uma senhora desengonçada, cabelos mal tratados, óculos desproporcionais e uma roupa com um número bem menor do que sua forma física ficou num dos três caixas durante os 40 minutos em que estive por lá, sendo eu o décimo primeiro da fila.

Chegou ao ponto da mulher sair e o caixa ficar esperando por uns 10 minutos sem atender ninguém aguardando o retorno dela que deve ter ido buscar mais dinheiro naquelas lojinhas suspeitas que funcionam nos arredores da rua Voluntários da Pátria.

Mas, voltando ao caixa da Caixa: 13:49h.

Finalmente chegou a minha vez. Levantei com a ficha na mão, olhei para os lados num tom exibicionista de que eu finalmente vencera a batalha e em  menos de 3 minutos tomaria a rua novamente e o cafezinho já me aguardava na rua Uruguai.

Quando retornei os olhos para o guichê… cadê o caixa¿

Não acreditei… porque a troca do operador justo na minha vez¿

Senti um ar de cinismo com um sorriso debochado de canto de boca, de  uma loira com excesso de maquiagem, polainas tingidas na beterraba, botas brancas e descascadas, unhas amareladas de nicotina, cabelos pintados presos na nuca com a presença escura da raiz o que atestava sua falsificação.

Para despistar, fiz de conta que atenderia ao celular, torcendo para que não me ligassem. Seria outro mico.

Um murmurinho se formava do outro lado do guichê… o problema era a bandeja de separar moedas, estava trincada. O caixa substituto se negava a utilizá-la. 

Minha demora no guichê não durou um minuto.

Ao sair, já no calçadão me despertou o nome da agência no acrílico – Lupicínio Rodrigues… e saí cantando até o café:

Só vingança, vingança, vingança…

Alguns recorrem aos órgãos de defesa do consumidor, outros denunciando na midia ou dando um tabefe no gerente. Nada tem efeito, o atendimento anda de mal para pior.

Minha vingança foi relatar o abuso e distribuir às redes sociais.

 

 

A Casa de Drummond

Casa arrumada é assim:

(Carlos Drummond de Andrade)

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar.

Entrevistando a Rádio ONU

A inédita participação ao vivo da Mônica Villela Grayley – Chefe da rádio das Nações Unidas – ONU em Nova Iorque, Daniela Gross repórter para os países de língua portuguesa além do moçambicano Eleutério Guevane, repórter para os países do continente africano, mostrou a inevitável aproximação dos mundos.

Eleutério, Daniela e Monica no estúdio da Rádio ONU em Nova Iorque

Via Skype, falaram direto da sede da Organização das Nações Unidas – ONU, localizada em Nova Iorque nos Estados Unidos num bate papo durante o painel que apresentei no Congresso Brasileiro de Comunicação – Conbrascom 2011.

A entrevista, interligando o Rio de Janeiro e a cidade americana foi exibida nos telões para os jornalistas e membros do Judiciário e Ministério Público brasileiro que participaram de 20 a 22 de junho, do Conbrascom 2011, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação & Justiça na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Falei do Rio de Janeiro com Nova Iorque pela Skype

Foram sete minutos de pura informação sobre a utilização das redes sociais pelos continentes. Mônica costurando a abrangência da rádio e o trabalho que desenvolve por todos os continentes com ênfase às parcerias com emissoras brasileiras.

A Daniela que já morou nos três continentes e que apesar de repórter em Nova Iorque, deixou aos cuidados do cineasta Dave, com quem vive e toca uma produtora na Irlanda, para onde pretende voltar depois de um período na ONU, Dany como é chamada fez um apanhado sobre a utilização das redes sociais (Twitter, Facebook e Blogs) por onde passou, sem falar Eleutério, legitimo representante dos povo africanos (de corpo e alma) que se esforçou para aproximar, na fala, o português brasileiro ao português moçambicano e dizer que a África ainda precisa evoluir em muitas frentes para chegar a plenitude na era digital.

Auditório do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

Exemplo que serve para o Brasil que ainda tem uma banda larga (estreita) que provocou vários cortes na transmissão.
A observação de que a banda larga precisa ser ampliada foi feita pelo professor Sérgio Amadeu  que me sucedeu no painel. Ele é sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, professor da pós -graduação da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero e maluco pelos gigas&bytes, só isso.

OBSERVATÓRIO

Do prédio do MPE no centro do Rio, é possível visualizar a história da nobreza e da monarquia representada por seus prédios de instigantes traços arquitetônicos que te remetem de volta aos bancos escolares folhando livros, estudando a influência européia em nossa cultura com forte interferência lusitana, uma oportunidade impar de observar a ponte Rio-Niterói, tomando um café no saguão do auditório.

O Morro da Urca,e a praia de Botafogo ficam aí, bem perto. Sem falar na proximidade com a Lapa e das delícias da Confeitaria Colombo. Da janela do hotel era possível visualizar toda a movimentação no aeroporto Santos Dumont .

O Rio de Janeiro continua lindo, pena que tem aqueles que insistem em torná-lo violento… é inevitável deixar de lembrar este lado negativo ao passar pela Candelária.