O Ninho dos Vagabundos

Não dá para chamar de palhaçada o comportamento de politicos que nunca deixaram o poder e que negociam cargos para abrir mão de suas legendas de ideais duvidosos. Não vamos comprometer o circo inteiro, pois os palhaços se esforçam para arrancar um sorriso dando o melhor de si no picadieiro. .

Se chamamos de submundo podemos ofender os ratos e baratas que habitam os esgotos nos subterrâneos urbanos.

Então, dizer o que desta corja acomodada em cadeiras almofadadas, vagabundos que tem assessores para tudo, que enquanto não trabalham, dedicam seu tempo para o mal, embora preguem o bem do povo?

Reparem a herança que nossos filhos estão recebendo. Como explicar que a bandidagem é contraveção, se ladrão não vai prá cadeia e que está virando norma praticar a corrupção?

Como vai se convencer um trabalhador, que tenta ser honesto e vê que os maiores salários estão nos gabinetes e pertencem aqueles que tem plano de saúde subsidiado pelo Estado, que tem estacionamento gratuito e que podem resolver qualquer problema pessoal com um simples telefonema.

Os vagabundos não estão morando nas ruas da cidade, vivem na alta roda, tem um emprego e não trabalham.

Pedro Poeta do Piauí

Recebo das mãos da amiga Vana Goulart, jornalista que teve o privilégio de nascer em Florianópolis, de morar na Lagoa da Conceição e ter a Ilha da Magia como fonte de inspiração no seu lavoro diário, e diga-se de passagem: feito em casa.

Me alcançou o livro “Do que eu sei do mundo” do Pedro Laurentino Reis Pereira, poeta de Teresina (PI) militante de esquerda, que assim como a Vana fez parte da revolução sandinista na Nicarágua, mas não sem antes marcar passagem na política estudantil na Universidade Rural de Pernambuco. Versos telúricos de quem está intimamente ligado ao sertão nordestino, dos inesquecíveis rios da infância, Parnaíba, Poti, Beberibe ou Capibaribe, não importa, o que se sabe mesmo é que estas águas integram comunidades, movimentam economia, transportam o desenvolvimento, das cantigas de rios e lendas de um país mestiço contadas e cantadas pelas pessoas humildes que com simplicidade retratam o verdadeiro Brasil que existe longe dos olhos.

Pedro Laurentino narra fatos com requintes de quem carrega consigo o pó da estrada. Mostra em seus versos a inquietude com as situações do cotidiano, sem se preocupar com a chatice da escola das rimas que obrigam o poeta a forçar o encaixe de palavras para agradar a dialética, “Se não transpiro, não me inspiro…”

Assim, pode falar da Rural Willys, símbolo de uma geração dos anos 60 ou para quem tem mais de 60, “coração na mão  mão na direção pé no acelerador olho na estrada”. Do telefone celular, símbolo da geração digital dos dias de hoje e do Taiguara, sim do Taiguara no som da vitrola na casa do estudante, “em toda casa estudante em cada um eu me vejo” revelam os versos do poeta Laurentino.

Depois de anos de jornais, sites e revistas, voltei a ler poesia de cunho social, do tempo presente, do amor pela vida e pelo mundo.

E para falar com o autor escreva para: pedro-rosangela@hotmail.com