…eu resisti também cantando

Poesias que tem picardia metáfora intertexto e sobretudo coerência com o modo de pensar e viver do Paulo Monteiro. O tom fúnebre e seco do coturno batendo a laje cada vez mais fincada no chão de tantas marchas em direção ao matadouro. Ou a lucidez dos campos protegendo cidadãos de bem lutando contra o mal e escondendo almas charruas abatidas por lanças amigas dos guerreiros do bem do outro lado. Afinal as searas são feitas por mãos de escultores que dão formas ao chão. A terra agradece dando-lhes o fruto da semente que confiaram a cada sulco.

O poeta também planta versos em linhas pautadas que vão germinando e crescendo sobre a folha branca. Mesmo sendo triste  melancólica ou bruta a poesia vem sempre acompanhada de um tom suave de uma melodia que torna serena a descrição das mais sangrentas batalhas. O dom do poeta é cantar em versos as feridas abertas pelos senhores da guerra.

Temas sociais e políticos explicam o cotidiano de um mundo que cada vez mais desaprende a conviver em sociedade. Um mundo em que o amor sai de casa para violentar as ruas. Um mundo que oferece tantas coisas boas mas só interessam as ruins. Um mundo que esqueceu os valores mas vive de cobranças. Um mundo em que a musica une continentes domina mentes e pode recuperar nações decadentes. Musica que não tem sexo religião ou descendentes. Alguns resistem a bala de fuzil… enquanto outro resistem cantando.

 

Na Ponta da Agulha

Encontrei na feira do livro o sempre DJ (maiúsculo) Claudinho Pereira que está lançando o seu “Na Ponta da Agulha” com uma minuciosa descrição do cenário musical de Porto Alegre nas ultimas seis décadas. Claudinho além de viver ao lado, teve contato e levou para a os embalos de bares e casas de shows, personalidades da música nacional e mundial que cruzaram Porto Alegre, revelando suas peculiaridades e particularidades. Não vou revelar, mas João Nogueira certa vez se meteu a cantar inglês num boteco e… / Chegando tarde, vindo do interior, acompanhei muito pouco ou quase nada deste período musical. Lembro vagamente de lugares como Rabbit, Le Club, Encouraçado e tantos outros, agora passados a limpo nesta viagem de resgate do comandante Claudinho. Pedi passagem, embarquei neste disco e o lado “A” já está acabando, que venha o “B”.

– Victoria saiu com um livro autografado pelo autor ali mesmo na Praça da Alfândega.