A dama da noite

 

Mariozinho e Antonieta se encontraram na Procissão de Navegantes. Ele a procura de um cacho, ela agradecendo o fim do seu ex.

Finalmente estava livre depois de um relacionamento conturbado que durou três anos, nenhum filho, muita pancadaria e três abortos.

Ela estava com Osmilda, amiga de infância e confidente a quem recorria a cada desavença para curar suas feridas.

A união tinha acabado já que Antenor aparecera morto depois de uma briga na saída de uma boate na zona sul. A dama do covil, motivo da desavença, juntou seus pertences e desapareceu naquela madrugada. O assassino disparou duas das quatro balas que tinha no revólver.

– Este não volta mais, lembrava Osmilda enquanto rezava um Pai Nosso e uma Ave Maria pela alma do Antenor, seu ex, antes dele conhecer Antonieta que morava longe e um dia veio visitá-los.

Na verdade, com a separação, tinha ficado livre do marido violento, mas em consideração ou pena da amiga continuou de guarda para eventuais problemas, como forma de agradecimento por tê-la livrado daquele inferno.

Antonieta no entanto passou pelos mesmos problemas, sofreu as mesmas agressões e conseqüências, mas continuava firme na esperança de que um dia as coisas iriam melhorar.

Nunca foi à delegacia da mulher para denunciar o marido, nem mesmo participava de passeatas feministas contra a violência. Era mais um caso que não aparecia nas estatísticas.

Descalços e cansados da caminhada depois de cumprirem o trajeto seguindo o andor, finalmente os dois entraram num bar para uma conversa e agradecerem as graças alcançadas. Sim, porque o coração de Antonieta foi arrebatado por Mariozinho durante a procissão, nem houve tempo para reação. O cupido deu um disparo certeiro e fulminante.

Mariozinho que procurava o remédio para a sua solidão nos inferninhos da periferia foi encontrar a cura aos pés da santa.

Logo jurava amor eterno ameaçando quem se atrevesse a fazer algum mal à Antonieta, assegurando que ainda restam duas balas no revólver para o engraçadinho…

… e como diria o locutor do rádio: A musica para abrilhantar a história é Boate Azul