Novelino e o termômetro

Ainda sentado na cadeira do ambulatório, Novelino teve um repentino disparo cardíaco ao supor que o mesmo termômetro que segundos antes saíra da sua boca agora estava alojado no sovaco de uma senhora ao lado.
Não pelo fato de estar onde estava, mas pelo fato de ter estado também no sovaco de alguém antes de ir para a sua boca.

Novelino estava com 37.5ÞC, dentro dos limites de uma possível febre recorrente que o acompanhava desde que retornou do Paraguai e atravessou o Mato Grosso rumando para o sul.

Os médicos investigavam a possibilidade dele ter contraído malária ou quando muito uma dengue, mas Novelino concentrava a sua investigação na procedência do termômetro e por onde ele tinha passado.

Sem perguntar nada, e nada de doença encontrada, foi dispensado pelo médico.
No caminho de casa resolveu passar na farmácia e comprar seu próprio termômetro. Encontrou um digital, igualzinho aquele do hospital.

Foi aí que Novelino quase teve a sua vida levada a breca. Ao ler as instruções, viu que o termômetro não media apenas as temperaturas bucal e axilar, ainda tinha a anal.

Quando retornou carregado por populares ao hospital donde recém saíra, Novelino já acomodado na maca e mal conseguindo mexer o braço, alcançou ao enfermeiro a embalagem da farmácia e apelou com voz trêmula:

-Use este!