Historinha do carnaval de Cuiabá

Cacá e Claiton se conheceram num baile de carnaval no clube da cidade.  Quitaram a paixão arrebatadora perante o juiz e o padre três meses depois e se desquitaram com menos de meio ano de casados. É que semanas depois da festa do casório suntuoso, criou-se o zum-zum-zum de um caso rumoroso de Cacá com Reinaldo, amigo do Claiton, frequentador do mesmo clube e parceiros de noitadas no Barba, Cabelo e Bigode, que reunia solteiros e casados para encontros nada sociais.

Desacorçoado, Claiton se mandou para o pantanal, foi herdar a fazenda do pai nuns alagados, recomendada para a criação de gado crioulo, de chifres enormes e resistentes.

Cacá, por acaso, reencontrou Reinaldo, mas já de olho na opção.

Não tardou e Reinaldo se mandou para o pantanal atrás do amigo de festas para pedir abrigo e desculpas.

Montaram sociedade e criaram a Cooperativa Agropastoril e Comercial de Aquidauana, coincidentemente ou não com as iniciais de CACA.

Certa noite os dois atravessaram a fronteira rumo a um bale de carnaval do lado paraguaio. Ao romper da aurora quando iam embora, acompanhados de duas moçoilas disfarçadas de colombinas, avistaram um velho amigo que não se equilibrava mais nas próprias pernas.

– Caio, é você?

Perguntou Claiton.

Com a língua mais enrolada que sucuri em terneiro, balbuciou os nomes dos amigos e desabou.

Já refeito no café da esquina ele contou que bebia para esquecer uma traição.

– Caguei a pau a danada e fugi pro lado de cá.

– Nós também passamos por isso mas não chegamos a tanto com a Cacá, lembra dela?

Perguntou Reinaldo

– Como não ia conhecer, depois do que ela fez com vocês dois, sobrou prá mim.

Espanto total, Claiton e Reinaldo perguntaram ao mesmo tempo:

– Você?

Sim, Caio, um bioquímico de respeito era mais uma vitima de Cacá.

Adotaram o pobre coitado e deram-lhe uma oportunidade na empresa e na fazenda. Entrou para a sociedade e desenvolveu uma infalível fórmula química para eliminar a moscas-dos-chifres, praga que inferniza o gado pantaneiro. O nome do veneno, não poderia ser diferente, levava as iniciais da cooperativa.

Enquanto os negócios avançavam no pantanal, Cacá continuava a descobrir novos e talentosos sócios na capital.