Uma ruazinha para ser chamada de Estádio dos Eucaliptos

 

Antes que algum oportunista se atravesse e sugira um nome nada a ver para uma rua lateral que liga as avenidas Padre Cacique e Beira Rio, passando ao lado do Gigantinho, a direção colorada se adiantou na escolha.

Recebi uma ligação do vice-presidente do Internacional alertando que a rua aberta, provisoriamente, para as obras de reforma do Estádio Gigante da Beira Rio para a copa do mundo, poderia se tornar permanente e que havia o interesse do inter em homenagear o seu primeiro presidente na era Beira Rio. Gelson Pires sugeria o nome de Carlos Stechman.

Minha relação estreita com a direção colorada se dava por dois motivos: Primeiro foi o pedido do presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre em 2013, o vereador Thiago Duarte (Dr. Thiago), no sentido de mediar uma visita dos parlamentares às obras do Beira-Rio e segundo, a entrega, no mesmo dia, do titulo de cidadão de Porto Alegre ao presidente do Sport Club Internacional, Giovanni Luigi Calvário.

Como o nome de Stechman já contemplava uma praça de Porto Alegre não poderia ser nome de rua. Ai no dia da festa, comuniquei ao Gelson Pires sobre este impedimento, e ali mesmo saiu a solução.

– Porque não homenagear o time do Canela Preta que deu origem ao Inter ou Estádio dos Eucaliptos?, questionei.

Gelson pensou rápido e completou escolhendo o nome do velho estádio da copa de 50, por um motivo que derrubaria qualquer outro argumento:

– Temos réplicas e mudas de Eucaliptos que vieram do velho estádio, dá para fazer uma alameda.

No dia seguinte enviei o projeto sugerindo que a travessa ligando as avenidas Padre Cacique à Beira Rio, que a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), identifica como “Rua A”, fosse batizada com este nome. O documento foi entregue pela direção colorada em reunião da mesa Diretora da Câmara. Na presença de lideranças de praticamente todos os o pedido foi protocolado.

Assim, a sorte está lançada e feito o registro antes que um gaiato voando baixo, lasque o nome de João das Andorinhas para uma ruazinha que pode virar uma Alameda de Eucaliptos.

HISTÓRIA: O estádio dos Eucaliptos foi a casa do Internacional entre os anos de 1931 a 1969. Tinha com capacidade para abrigar até 20.000 torcedores. Construído, no bairro Menino Deus em Porto Alegre, recebeu esta denominação por estar localizado junto a Chácara dos Eucaliptos. Mais tarde também ficou conhecido como estádio engenheiro Ildo Meneghetti, ex-presidente do clube ex-governador do Estado do Rio Grande do Sul.

O jogo inaugural foi disputado em 15 de março de 1931, quando o Internacional venceu o Grêmio pelo placar de 3 a 0.

O primeiro gol nos Eucaliptos foi marcado por Javel, com o estádio lotado.

O Eucaliptos foi reformado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para a copa do mundo de 1950.

Recebeu duas partidas. Iugoslávia 4 – México 1, em 29 de junho, e em 2 de julho, Suíça 2 – México 1.

Em março de 1969, foi realizada a última partida no Estádio dos Eucaliptos quando o inter goleou o Rio Grande por 4 a 1.

Em 1969, depois que o Beira-Rio foi inaugurado, o estádio dos Eucaliptos foi desativado.

Foi demolido em 2012 para dar lugar a um empreendimento imobiliário.

 

A poção mágica do caldeirão colorado

 

Duas taças em uma semana – Foram tardes fabulosas.

Esopo certamente não excluiria o trabalho coletivo da colônia que repaginaria a história quase meio século depois. Um formigueiro tomado por cigarras zombeteiras apoiando com seu canto infernal, o onze colorado, na construção de mais uma vitória em cima dos uruguaios. O Gigante da Beira-Rio transbordou quando logo na largada o camisa 10 colocou a bola com perfeição no ângulo superior esquerdo do goleiro Lerda do Peñarol. E as cigarras abriram o canto de D’Ale, D’Ale, D’Alessandro. E logo mais adiante, outra vez lembraram o nome do capitão marcando o segundo de pênalti, batido no mesmo lado da trave, só que no canto debaixo. Lerda foi na bola, mas não alcançou. Saiu na foto, se isso serve de consolo.

No trono dos Deuses em forma de retângulo na beira do gramado o mago Abel, de nome bíblico, distribuía os ingredientes para tornar infalível a poção mágica e enfeitiçar o caldeirão. Chegou a escalar um Índio para comandar a pajelança quando o apito final confirmasse a primeira taça da nova era Beira-Rio.

Os jogadores seduzidos pela magia não pararam mais de conquistar troféus. Uma semana depois, no estádio Centenário, com o peculiar respeito ao adversário, atropelaram com suas vassouras voadoras o rival que não resistiu ao sortilégio de quem nasceu para ser campeão. Mais um caneco entrou para a coleção, desta vez como tetra do gauchão.

… e o bloco vermelho de lutas cantava pelas ruas: “Segue a tua senda de vitórias / Colorado das glórias / Orgulho do Brasil”.

Enfim, como é bom ser colorado!!!

Falcatruas & Gatunagens

Um país cheio de oportunistas não se faz do dia pra noite. Quem na faixa dos 50 anos não lembra o Gérson, jogador tri campeão do mundial de 1970, pela seleção brasileira de futebol, fazendo propaganda de uma marca de cigarro chamada Vila Rica, dizendo que o brasileiro gostava de levar vantagem?. 

Pois bem, era no ano de 1976, pleno regime militar no Brasil e a prática tinha virado comercial de TV. Passou a ser chamada de Lei do Gérson. No caso da propaganda o anuncio era para alertar o fumante, consumidor, a não pagar mais caro, porque o tabaco em questão era melhor e mais barato. O Gerson teria se arrependido mais tarde, mas a lei que levou seu nome sofreu várias mutações através dos tempos. O executivo e o legislativo sabem bem disso e trabalham como ninguém a sua interpretação. O judiciário não ficou longe e aí qualquer fruta podre contamina o cesto.

Dias atrás a assessora para assuntos de higiene e asseio aqui de casa comentou que um técnico cobrou dela R$ 45 reais para olhar a máquina de lavar roupas. Constatou uma série de defeitos e ficou de mandar orçamento, tudo sem por a mão na máquina. Mas quando foi embora voltou a funcionar, pois o marido dela detectou o problema.

– A máquina parou porque uma roupa caiu para fora do tubo de lavagem e enroscou na correia. Disse Cleide Luíza, a assessora, segurando uma vassoura

Aí verifiquei que não aconteceu só com ela.

Vejamos:

Chamei o técnico da Bosch para reparar um fogão que já estava em desuso. 

– Cobro R$ 60 reais a visita, mas desconto na mão de obra.

Levou os 60 e mandou jogar fora aquela relíquia.

Noutro dia o freezer apresentou problemas.

Chamei um técnico na Otto Niemeyer, que cobrou R$ 60 reais, a visita, mas descontaria na mão de obra. 

Apresentou uma conta de R$ 260 reais. Achei que pagaria 200, com os 60 descontados. Que nada era o preço para trocar um, digamos, relé. 

Neste meio tempo o freezer descongelou e voltou a funcionar melhor que antes. 

Economizei os 260, mas marchei com 60.

Agora foi a vez do notebook complicar minha vida. 

Prá me livrar da visita deixei o aparelho na assistência técnica da Alberto Bins, que me cobrou R$ 80 reais só para fazer o diagnóstico.
– É a placa de memória, pifou, com R$ 3.000,000 sim, (três mil reais) ele volta a funcionar.

Peguei de volta o notebook já que era o preço de um novo.

Em casa a mina filha trocou o cabo/carregador.

Cá estou escrevendo prá vocês no mesmo computador e economizando TRÊS MIL REAIS.

Com motivos de sobra, só nos resta formar um coro e protestar:

“Alô seu Delegado, Procon, Promotoria de Defesa do Consumidor. Socorro, o assalto deixou de ser à mão armada. Agora tão metendo direto a mão no teu bolso, na maior cara de pau, sem cerimônia e sem a mínima vergonha… que Deus ilumine, amém!”.