A vaia de quem não me representa

 

Em primeiro lugar quero deixar aqui o meu pedido de desculpas ao povo chileno e dizer que estou profundamente chateado com as vaias ao hino do seu país antes da partida do Brasil e Chile pelas oitavas da Copa do Mundo no Estádio Mineirão em Belo Horizonte no início da tarde do último sábado (28/6).

Quero dizer mais, que aquelas pessoas que estavam confortavelmente acomodadas nas cadeiras fazem parte de uma pequena parcela de brasileiros que tiveram acesso aos ingressos, muitos deles por meio de convites distribuídos pelos patrocinadores que bancaram os altos valores exigidos pela FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), para expor suas marcas, ingressos que são destinados aos que vendem o corpo, a alma e a mente para se infiltrarem nos grandes eventos, a maioria de QI desprezível.

É gente que estudou em escolas particulares para ingressar mais tarde nas universidades públicas, e que hoje fazem pesadas campanhas contra as cotas para o ingresso de negros, pobres e índios nas Universidades Federais brasileiras, enquanto isso impõem um tipo de educação que certamente não tiveram nestas universidades, mas que moldaram por seus próprios princípios de pisar nas pessoas. Não importando a nacionalidade, aliás, com exceção aos norte-americanos.

Enfim, não era o trabalhador, a dona de casa ou o estudante que batalhou para conseguir um emprego, cuidar da casa ou entrar ingressar no ensino superior. Estes estavam nas ruas recebendo de braços abertos, demonstrando todo o carinho, hospitalidade, alegria aos visitantes que vieram de todos os continentes para assistir aos jogos da copa, acompanhou os torcedores até a porta dos estádios e foi assistir os jogos pela TV. Este é o Brasil que foi vendido lá fora.

Para concluir quero dizer que nós, os colorados, torcedores do Esporte Clube Internacional de Porto Alegre devemos muito aos chilenos, porque vocês nos deram o melhor zagueiro da história do clube, o Elias Figueiroa, e termos hoje o Charles Aránguiz considerado o melhor jogador do campeonato gaúcho de 2014, titular da seleção chilena e que testemunhou aquela vaia inconsequente e desastrosa no Mineirão. Enfim, quero dizer que os torcedores que vaiaram o hino de vocês, não me representam.

 

Anal’ógico

 

Não assisti a abertura da copa e, portanto, não vi a total falta de repeito que se pode ter com uma mandatária, seja da pior espécie. O que dizer de quem se sente ameaçado por negros, índios, professores, trabalhadores, pelo acesso às universidades de quem nunca conseguiria chegar lá porque as vagas sempre foram privilégio desta mesma classe ameaçada? É uma corja que não suporta encontrar no aeroporto uma família de trabalhadores feliz da vida porque finalmente conseguiu comprar uma passagem aérea para sair de férias e viajar. São viciados que consomem as drogas mais caras, que sonegam, roubam aposentados, furam filas, subornam e festejam a desgraça alheia. Talvez sejam responsáveis por planos de saúde que dependem do SUS para sobreviver. De instituições de ensino particulares que dependem do bolsa educação e financiamento público para a prestação de serviços e ironicamente reclamam da falta acesso à saúde e educação, que já pegaram uma beira, mas devem ter ficado de fora de um ou outro mensalão.

Uma desesperada psicopatia desenvolvida por quem está perdendo espaço, e não se conforma. Uma espécie de individuo que não pode ser chamada de filhote da ditadura, porque os militares exercem um respeito rigoroso, mesmo com aqueles que um dia foram torturados por suas próprias mãos. Nem de filho da puta porque as prostitutas sabem ensinar seus filhos a terem respeito pelo próximo. No fundo não foram paridos, na verdade saíram pela porta dos fundos, pelo mesmo orifício usado por eles para ofender a Dilma. O anal, lógico.

 

Crônica de uma estreia

 

O defensor Marcelo do Bracelona e da seleção brasileira, antes do jogo da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014 apareceu no comercial da TV mandando um torpedo pro Messi, provavelmente dizendo que faria o primeiro gol da copa do mundo no Brasil. E fez, contra, mas fez.

Mas logo depois o papai Oscar, pra fazer justiça à lambança do Marcelo foi desarmando três, mais três e alcançou a arma pro Neymar que só deu um tiro. O Oscar fez tudo, mas só viram o balaço do Junior.

O mesmo Junior, desta vez beneficiado pelo japinha do apito, deu um tiro da marca do pênalti queimando as luvas do goleiro Pletikosa. Mas a bola entrou e Nishimura, o árbitro japonês, pode colocar na sumula meio gol para ele.

Para tornar o resultado um pouco mais justo, papai Oscar arranca do meio campo feito um bólido colocando mais um gol no placar. Foi a tentativa de eliminar o papelão do Fred que cavou uma falta inexistente dentro da área croata. No final do jogo um carioca comemorava a “malandragem” do atacante brasileiro. Foi a maneira que o Fred encontrou para compensar a sua nulidade. Oscar foi disparado o craque do jogo, armou, desarmou, marcou. O resto só aproveitou.

Ah! os Black Blocs que protestaram nas ruas contra a copa, desapareceram depois do ponta-pé inicial. Afinal ninguém é de ferro para carregar as bandeiras dos partidos, levar pau da policia e perder o jogo; vamos combinar.

Hum, já ia esquecendo que o poder aquisitivo de quem pode ir à copa e a turma que ingressou de cortesia, vaiou a Dilma.

 

As Tainhas do Raul

O Raul Ellwanguer, ao tomar conhecimento da exposição “O Milagre da Multiplicação” uma sequencia de fotos que fiz durante o arrasto de um cardume de Paratis na praia da Pinheira em Santa Catarina e que estão expostas na Câmara Municipal de Porto Alegre, me alertou sobre uma de suas tantas musicas. O Raul tem uma proximidade e tanto com fartas pescarias por ser um cidadão da praia do Rosa de onde deve ter assistido a incontáveis lanços e arrastões. “Tem Tainha” leva a assinatura do Raul Ellwaguer e a voz macia e suave tal qual brisa litorânea da Adriana Deffenti.

Vai o link da música e pra quem é chegado  num karaokê vai a letra de lambuja.

 

Tem tainha

                    Raul Ellwanger 

Solta a canoa

Toca a estivar

O patrão mandou cercar

Acorda os homens no jirau

O vigia deu sinal

Ó chumbelieiro

Não espanta o peixe

Desce a rede mão-na-mão

Cada remeiro, seu quinhão

Tem tainha no costão

Praia do Rosa, alvoroço que vai

É tainha do corso de maio

Alvorada, arrecio

Sudestada de abril

Até o peixe apontar pelo costão

Lá no rancho até o fogo faz frio

Se o lanço é oco, é vazio

Seja boa esta pesca senhor

Faça festa o pescador

Na volta do fogão

Que o vigia alçou a mão

Seu Antonio deu sinal

Tem tainha no costão.////

…. agora, deixa eu vender meu peixe; as informações completas da exposição “O Milagre da Multiplicação” estão nesta reportagem da jornalista Claudete Barcelos. Confira no link:

http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=22263&p_secao=56&di=2014-06-05

Muito obrigado!