As apostas de Flores da Cunha

O jornalista Carlos Bastos, que deve ter sido parceiro na carpeta, me contou outro dia, tomando licor com café nacasa da Nubia Silveira, que o Flores da Cunha, tinha azar no jogo, mas não dispensava um carteado e apostas no turfe.

Era viciado em pôquer e frequentador do Clube do Comércio na Rua da Praia, em Porto Alegre, quando era presidente eleito do Estado do Rio Grande do Sul, o que seria hoje o posto de governador.

Certa noite, como de costume, a falta de sorte rondava a mesa de jogos e nada de chover no jardim do Dr. Flores.

Foi quando ele inventou uma sequência de cartas nada a ver e baixou a trinca na mesa. Quando reclamaram que aquelas cartas nada tinham a ver com o jogo de pôquer, Flores da Cunha disse que ele se chamava Farroupilha, algo inventado na hora por ele. E explicou:

– É que uma carta não tem nada ver com a outra.

Como ele era a autoridade maior do Estado, sem falar da mesa, ninguém questionou a nova fórmula.

O jogo seguiu e lá pelo amanhecer do dia um dos jogadores conseguiu encordoar as mesmas cartas que o Flores juntara durante a noite e baixou a trinca na mesa anunciando mais um Farroupilha.

Flores da Cunha, no entanto, não largou as cartas dele e repreendeu o jogador dizendo:

– Só vale um Farroupilha por noite!

No turfe era a mesma coisa, apostava muito e perdia tudo, chegou a fim da vida, em 1959, sem muitas posses.

Numa entrevista às páginas amarelas da revista Veja, uma jornalista quis saber como é que ele sendo Senador, Interventor Federal, Presidente do Estado e homem de influência na política não tinha feito o seu pé de meia. Flores da Cunha não titubeou na justificativa:

– Foi apostando em cavalos lerdos e mulheres ligeiras.

 

Autor: flaviodamiani

Jornalista, cronista, mora em Porto Alegre

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