Assim Ideli, você não salva nem a ti nem a mim

Que me desculpe a Ideli, mas assim ela não vai salvar ninguém do vicio. Ela trata a droga como epidemia, e eu não entendo que seja por aí. Reportagem publicada neste final de semana no site Sul 21 sobre as declarações da Ministra dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, durante lançamento de um documentário que pode sr conferido no linck: http://www.sul21.com.br/jornal/ideli-internacao-compulsoria-para-usuarios-de-crack-repete-modelo-aplicado-em-hanseniase/ – A droga é um crime e gera violência. a Hanseníase era epidêmica, provocou o caos sim e foi tratada de forma injusta, concordo, mas interligar as duas coisas não me parece a melhor proposta. Se o governo federal não quer adotar a politica de internação compulsória, a qual eu também tenho minas restrições, que adote medidas preventivas e dê ao usuário a opção de tratamento. Existem projetos e estudos de internação voluntária onde o próprio usuário de drogas se oferece para se recuperar e não só ele, como a própria família recebem tratamento, sem traumas e obrigações. Porque não adotar o modelo? É caro para o Estado? Não creio, vai se gastar a mesma coisa para o tratamento na marra com resultados duvidosos. É preciso investir e pensar em ter amanhã o jovem de hoje recuperado. Tem muito viciado por aí que quer sair das drogas, mas quando olha o sistema de tratamento oferecido, opta em permanecer nelas, decidindo que é bem mais confortável onde estão. O Estado não cumpre o seu dever e ceiva a vida de jovens que querem um tratamento só não tem acesso aos métodos, muito menos a um programa que o recupere, que o valorize que o torne cidadão. É preciso deixar o discurso politico de lado e ver o que realmente o Brasil está precisando. Isso vale para todos os partidos.

 

Uma baixa no SOS Rio da Madre

A morte precoce do surfista Ricardo dos Santos (Ricardinho), assassinado com três tiros por um alucinado policial militar do estado de Santa Catarina na praia da Guarda do Embaú no dia 20 de janeiro, cala uma voz em defesa de uma das mais belas paisagens litorâneas do Brasil. O Rio da Madre que vem da Serra do Tabuleiro e desemboca no mar bem em frete a casa onde o surfista morava está no meio de uma grande polêmica envolvendo de um lado a natureza selvagem e do outro lado um gigantesco empreendimento imobiliário, fruto de um capitalismo igualmente selvagem. Ricardinho integrava o projeto SOS Rio da Madre que quer evitar a a construção de uma gigantesca obra que colocará em perigo a pratica do surf nesta praia simples e pacata, mundialmente conhecida.

Pois o projeto de um megaempreendimento conhecido como Resort Porto da Baleia, já está pronto e deve ser erguido numa área verde da cidade de Paulo Lopes. Esta área era intocável até 2009, quando a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina aprovou a sua desindexação do Parque da Serra do Tabuleiro. Casualmente em seguida veio a noticia do gigantesco projeto.

Desde então os surfistas e as comunidades que sobrevivem do Rio da Madre tem procurado ajuda para impedir a construção que colocaria em risco o surf na Guarda do Embaú não tem encontrado lá muito respaldo. A mídia cala e as autoridades desapropriam na calada da noite. Estudos comprovam que o Rio da Madre deposita sedimentos que contribuem para a formação de bancos de areia que fazem a Guarda mundialmente conhecida para a prática do esporte. Para lembrar, a Guarda concorre ao titulo internacional de Reserva Mundial de Surf. Mas nem tudo está perdido, a prática do surf poderá ser substituída pela construção de um campo de golfe previsto no projeto.

Ah. Mas ainda há uma última esperança, é que a Fatma, a desacreditada Fundação do Meio Ambiente do estado de Santa Catarina, metida em escândalos, desvios, corrupção e favorecimentos, está de olho no empreendimento, e já iniciou estudos para avaliar o projeto. Mas fiquem tranqüilos, se os avaliadores da Fatma se renderem, o projeto vai precisar ainda de uma LAI – Licença Ambiental de Instalação e por último uma LAO – Licença Ambiental de Operação.  Sem estas duas não tem conversa e a peleia deverá violenta pela melhor fatia do bolo, é claro.

Já tivemos um caso do juiz Lalau e agora dependemos da LAI-LAO… ai, ai!

Ricardinho velho de guerra; intercede pela Guarda aí de cima pra que a coisa não vire um “Seja lá o que Deus quiser”, sem o aval dele, entre os homens de más intenções na guerra contra os de boa vontade. Amém!

 

Te inventa negão!

 

Era um final de tarde na praia quando um homem do tipo paredão, armário, leão de chácara, com a pele queimada pelo sol, sem camisa e vestindo um calção do Inter fazia a xepa, recolhendo o último maço de nabos da feira de preço único.

Não havia mais do que três ou quatro fregueses na banca. Sem que percebessem, ele tentou se livrar de uns gases acumulados, resultado da seqüência de ostras acompanhada de um vidro de cebolinha ao vinagrete, consumidos no almoço.

Esperava produzir um mudinho, mas o som veio ampliado. O que era familiar na intimidade tornou-se uma demonstração pública, não só pelo barulho causado, mas pela conseqüência. Parecia que um rastilho de pólvora havia se espalhado no ambiente, e com o capeta presente.

Foi um cheiro de humilhar o rabanete em conserva. Um repolho não resistiu e atentou contra sua própria vida lançando-se de cabeça do tabuleiro e despencando na calçada provocando uma lesão encefálica irreversível, segundo diagnóstico do verdureiro.

Envergonhado pagou a conta, deu dois passos em direção a porta, travou as pernas, massageou a barriga como se sentisse fortes cólicas, mas foi interpelado por uma senhora de 70 anos ou mais, que com uma cenoura em punho e aos berros, protestou:

– Te inventa negão!

Sob ameaça, o homem bomba desapareceu sem deixar vestígios.

A noite numa barraca de lona instalada num terreno baldio próximo à usina de reciclagem, ouviu-se uma explosão. O dono não apareceu e nenhum corpo foi encontrado. No rescaldo os bombeiros apuraram que não tinha material explosivo na barraca, nem ao menos um botijão de gás. Calculam que o processo possa ter iniciado por uma vela acesa ou um riscar de fósforos, já que faltou luz na hora do sinistro. Próximo dali, de braços cruzados, alheio a tudo, estava o homem bomba, chamuscado, lamentando a perda.