Gaúcho guapo

Em meados de 90 eu fotografava alguns iates de luxo ancorados em Saint Tropez na Rivera Francesa tomando um chimarrão. Um grupo de senhoras com seus cachorrinhos, se aproximou para saber o que eu estava bebendo, (não vi mas posso assegurar que a Brigitte Bardot estava entre elas, afinal ela mora ali bem perto). Numa mistura de vários idiomas expliquei o que era: Tea brasilian, Thé, Chá, Mate, Chimas”, enfim, de um jeito ou de outro elas entenderam.

Eis que uma das simpáticas francesinhas da terceira idade, pediu para tirar uma foto ao meu lado, o que prontamente foi atendida. Aí veio outra, outra e mais outra. Uma das últimas com um rosto rebocado de maquiagem já se desmanchando pelo calor, suor derretendo e descendo pelas laterais, com os lábios exageradamente pintados de cereja pediu a cuia e fez menção de levar a bomba à boca. Num ataque quase estérico ao prever a lambuzeira, mais que depressa interrompi o movimento que ela fazia e sem conseguir fazer duas coisas ao mesmo tempo, salvar o mate e raciocinar uma frase em Francês pedindo para que ela não colocasse a boca na bomba, gritei:

–  No Boté la Bombé en la Boqué.

Se ela entendeu ou não até hoje não sei, mas que largou, largou.