O ódio e as Margaridas

 

A grande mídia perdeu a oportunidade, durante esta semana, de dar a devida cobertura à marcha das Margaridas, em Brasília, que reuniu 35 mil mulheres que saíram de todos os cantos do Brasil que de forma ordeira, organizada fizeram sua manifestação, entregaram uma carta à presidente Dilma, fundamentando seus pedidos e retornaram para seus estados. A redes de comunicação preferiram mais uma vez brindar o movimento a favor do impeachment da presidente da república e o golpe branco da extrema direita. Assim, mostrou pessoas babando veneno, pedindo a morte da mandatária, condenando a ditadura por não ter acabado com ela nos porões onde torturas eram praticadas. Cartazes pregavam sonegação fiscal e uma série de palavrões impublicáveis. Outros defendiam a moral e os bons costumes ao lado de mulheres seminuas.

Não creio que os militares aprovariam a ira de pessoas pregando a morte. Agora, pregar a sonegação apenas desmascara a má fé e a doença raivosa que contamina o cérebro de quem habita os escritórios das grandes corporações ou da nobreza de princípios e que desde cedo é doutrinado a corromper. Fico maginando quem é esta gente e me espelho em duas vizinhas que saíram de casa com o carro coberto de faixas para o protesto.Uma filha de militar e a outra de um servidor do federal que, embora tenham filhos e marido, não declararam seus casamentos para continuarem recebendo a aposentadoria dos pais. É gente que não estuda porque não precisa e sempre tem comida na mesa. Tem um cérebro preguiçoso porque não precisam usar, são leitores de revistas semanais e só assistem TV, não pesquisam, não comparam, não se informam, não tem limite no cartão de crédito, pensam e falam bobagens. Este é o perfil de quem saiu ás ruas para fazer besteira.

Os que saíram para protestar, por não concordarem com o momento nacional, fazendo barulho, fantasiados de palhaço, cantando palavras de ordem, dentro da ordem, merecem todo o respeito, tem seus posicionamentos, são fiéis aos seus princípios e tem todo o direito de se manifestar. Eu também posso estar descontente com algumas coisas, mas não ao ponto de sair às ruas. Optei por ficar em casa acompanhando a marcha das formigas no jardim.

Por fim, é preciso reconhecer o protesto sadio, mesmo que algumas laranjas podres contaminem o balaio. Os que se manifestam conscientemente não aprovam exageros e, portanto, merecem todo o respeito.