A demagogia e a festa popular

Não sou chegado ao carnaval e não vou entrar no mérito, também não vou entrar no mérito do que ele representa para cada cidade, mas vou me ater às desculpas de alguns prefeitos para não financiar os desfiles de escolas, blocos ou tribos de suas cidades é no mínimo uma desfaçatez. Afirmam que: “Vamos aplicar este dinheiro em saúde e educação”.

Saúde e Educação são sempre as mesmas penalizadas, abusadas, verdadeiras prostitutas do acaso, a Geni do mau gestor. A população fica tal qual mulher iludida com promessas de amor.

Gostaria muito de ser desmentido no que vou afirmar, mas entendo que é demagogia demasiada o que os prefeitos andam justificando para não dizer não. Retomam discursos eleitoreiros colocando em cheque a imbecilidade do povo. Pensam que fazem uma grande coisa, acham que tão dando um choque de mídia para justificar o que eles escondem. Utilizam artifícios e factoides com a maior cara de pau retomando velhos e calejados discursos.

Foi a sensação que tive ao assistir pela televisão, programa Jornal do Almoço, que fez um passeio pelas cidades que deixam de aplicar no carnaval para investir em saúde e educação. A reportagem mostrou os locais que receberão melhorias, o que torna mais fácil a fiscalização. Sendo assim, quem sabe neste caso vamos dar um voto de louvor às promessas e pedir ao amigo Cezar Freitas, diretor de jornalismo da RBSTV para que retorne suas equipes para estas cidades e mostre o que foi feito. Agora temos uma grade prova nas mãos e podemos utilizar este instrumento de cobrança com a listagem das obras.

Repito, gostaria muito de ser desmentido e voltar aqui para listar o que foi feito e creditar os pagadores de promessa.

 

O delator e o magistrado

Arigó foi preso para acareação.

– Preciso dele preso para saber da verdade! Alegou o juiz que ofereceu delação premiada caso ele colaborasse para a elucidação dos fatos.

Arigó, no entanto, sabia muito e passou a vomitar informações.

O trato era de que tudo o que o Arigó falava, ficava entre ele e o homem da capa preta.

Trato feito e Arigó, incomunicável, nada sabia do que se passava do outro lado.

As revelações do grande interrogatório passaram a vazar sem que houvesse qualquer apelação.

– Pô doutor, meu advogado falou que as conversas entre nós dois andam saindo na mídia.

– As paredes podem ter ouvidos, respondeu o magistrado

– Então derrube as paredes, elas faltam com a verdade, retrucou o matuto

– Você é o réu e eu sou a um juiz, vão acreditar no que eu falo ou no que você diz? Argumentou o magistrado, deixando claro que tinha o controle da situação e se ele não colaborasse apodreceria na prisão.

Arigó não tinha alternativa, precisava falar para se livrar da pena, embora soubesse que a verdade da delação premiada não avançaria além do mediador.

Os deformadores de opinião

É cada vez maior a falta de criatividade do ser humano. Andando pelas estradas que cortam os estados deste Brasil e ouvindo as rádios locais, pode se traçar um paralelo, embora não acadêmico, da imbecilidade dos chamados “formadores de opinião”, que dispõem de um espaço diário no rádio para falar besteiras. Eles simplesmente repetem as manchetes e endossam comentários das grandes redes comprometidas com setores políticos e da economia, como se fossem deles.

Falam em crise, projetam desastres futuros na economia do país e do mundo sem o mínimo de discernimento ou vergonha. Não sabem o que estão falando e creem que estão levando o ouvinte a acreditar na sua opinião alienada.

Como é que num estado como o de Santa Catarina, por exemplo, pode se falar em crise num momento em que todo o setor turístico e econômico comemora a grande procura pelas praias e pelas pousadas, hotéis fazendas e termas do interior do estado. Na virada do ano os empresários já avisavam que não tinham mais espaços para receber tanta gente. O turismo bombando e um bando de bobo-alegre malhando nem sabem quem, como se fosse o filho de Iscariotes.

É preciso, no entanto, dar sim um merecido crédito à RBS TV/SC que realizou um bom trabalho na cobertura e no repasse das informações deste boom turístico do estado vizinho. Mostrou com todas as imagens o grande momento e o sucesso do turismo e pela procura do turismo interno brasileiro. O Brasil está se conhecendo, mas, mesmo assim, a imbecilidade encontra seus nichos e os comentaristas que deveriam desfrutar deste momento e aumentando o retorno publicitário para seus veículos batem firme numa utopia.

O que a população e os turistas reclamam é da situação das praias de Florianópolis que não oferecem condições de banho e espanta os veranistas por estarem poluídas por coliformes fecais que, por certo, é resultado da incontrolável especulação imobiliária calcada no consentimento do poder público para a realização de grandes empreendimentos para uma cidade que tem sua natureza e vocação voltadas para o camping.

Enfim, a Capital dos catarinenses e os deformadores de opinião andam produzindo a mesma coisa.