Não deu pro Walter

Eu só vi uma vez o Claudiomiro, em pessoa, jogar futebol. Tenho a impressão que foi numa partida pelo gauchão no estádio Wolmar Salton em Passo Fundo quando o Gaucho tinha os irmãos Pontes na defesa e o Bebeto no ataque. O tanque colorado não deixava barato, tinha uma imposição física de peso e demolia qualquer zagueiro desde que não fosse um dos Pontes ou o Paulão.

Ao ver o Walter em campo jogado pelo Atlético Paranaense me pareceu estar enxergando um protótipo do Claudiomiro, parrudo, ensacado no fardamento e com presença no ataque. Tirei a duvida com o jornalista Olides Canton que, ao meu lado, assistia Inter e Atlético nas Tribunas de Imprensa do Beira-Rio.

– Não tem diferença física, disse o Olides

A diferença em campo é que Walter joga na arrancada, pega a bola e avança costurando a zaga. Do meio campo a grande área é um bólido desgovernado, atropelando quem se atreva a atravessar seu caminho, e tem um chute potente, tanto, que foi numa destas disparadas com a bola no pé que ele torpedeou o pé direito da  trave do goleiro Danilo Fernandes. A sorte é que bola chutada de bico e rasteira geralmente não faz curva.

O bom nisso tudo, para os adversários, é que o tanque de combustível do Walter esvazia rapidamente. No segundo tempo ele baixou o ritmo e o inter garantiu o 1 a zero e a liderança do campeonato brasileiro, sim, a liderança com um time em formação, contando com a gurizada da base. Não é pra qualquer um. Não deu pro Walter.

Autor: flaviodamiani

Jornalista, cronista, mora em Porto Alegre

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