Faculdade de Educação da UFRGS ocupada

No final da manhã desta segunda-feira (31/10) após assembleia no pátio da Faculdade de Educação da Ufrgs, estudantes decidiram ocupar o prédio da Faced em protesto contra a reforma do ensino médio que, grosso modo, vem para preparar o aluno para o mercado de trabalho deixando de lado os temas e conteúdos necessários a formação cidadã, um retrocesso que, mais ou menos, remete ao tempo das Capitanias Hereditárias

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O movimento estudantil ocupa mais de mil estabelecimentos de ensino em todo o Brasil – Escolas e Universidades (dados do jornal hoje da Rede Globo em 26/10), o que fez alterar, inclusive, os locais de votação nas cidades que tiveram segundo turno nas eleições de ontem.

Com a ocupação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Campus Centro,  sobe para dois o número de prédios ocupados na Ufrgs, o outro é o Instituto de Letras no Campus Vale.

Esta ocupação, no entanto, deve demonstrar toda a resistência estudantil para as questões que envolvem a educação, afinal nos dois prédios ocupados passam futuros educadores que se mobilizam cedo para evitar o retrocesso que se avizinha. Mas é importante lembrar o que me parece ser o desejo dos estudantes, que para o movimento de luta ganhar apoio dentro da Universidade, deve se manter fiel à pauta e manter o foco na comunidade acadêmica, não permitindo que qualquer tipo de partidarização ou ideologia politica se instale no movimento. Caso contrario cai o conceito.

O problema do Inter não é o Celso Roth

 

Tem quem teve a coragem de insinuar que a vergonhosa atuação do Inter, no jogo do Beira-Rio neste sábado, contra o Santa Cruz, pudesse ter passado pelos pés do William. Primeiro porque nenhum colorado soube ao certo qual era a posição do jogador na partida. Vi ele jogando mais como centroavante, pasmem, um lateral-centroavante é o – dois em um – inventado pelo técnico que também inventou contra o Mazembe e que entregou o segundo titulo mundial de mão beijada e com um pedido de desculpas.

O William não tem culpa de nada, ele virou um coringa do técnico Celso Roth que para não dar oportunidade ao Seijas, talvez por questões pessoais, improvisa um lateral no ataque. Vi o William apoiando na sua posição de origem e vi o Willian tentando fazer gol, e quase marcou, não fosse a bela defesa do goleiro pernambucano.

O inter perdeu feio, sim, perdeu, pois empatar com o lanterna do brasileirão em casa com 35 mil colorados no estádio é sabor de derrota.

Aí vai culpar o técnico, o Eduardo Henrique que foi expulso? Não é bem assim. Vaiar faz parte do jogo e está no contrato tanto do técnico como do jogador. O Roth não tem culpa, culpado é quem o contratou.

 

É uma aventura andar de ônibus em Porto Alegre

Embarco num ônibus da linha Assunção por volta das três horas da tarde, para fazer o trajeto Câmara/Mercado Público de Porto Alegre. Caminho curto de cinco paradas ou nem isso. Noto uma delicadeza incomum do cobrador/trocador com os passageiros, avisando que mais adiante tinha a curva do gasômetro e que tomassem cuidado.

Ao chegar no terminal da Uruguai o motorista teve todo o cuidado para estacionar, transportava o carro com mãos de pelica, manobrava o volante na ponta dos dedos e não abriu a porta sem que o ônibus estivesse devidamente estacionado. Uma mulher chegou a reclamar que perderia o outro transporte se o motorista não liberasse a saída.

Fiquei imaginando se esta era uma norma da empresa, talvez negociada num acordo de greve, ou se de uma hora para a o mosquito das boas maneiras tivesse picado a tripulação.

Ao descer, descobri o motivo de tanto cuidado e delicadeza. Dois azuizinhos* estavam dentro do coletivo e pareciam desconfortáveis com aquela repentina tomada de consciência com a etiqueta social, porque também precisavam descer e o gentil condutor não abria a porta porque o ônibus da frente não lhe deu meio metro de espaço para que o ônibus fosse devidamente acomodado na plataforma.

Fiquei imaginando como a cidade será diferente se todos fizessem assim e até chequei a pensar que havia realizado um sonho de embarcar num transporte público de qualidade.

Meia hora depois retorno para a Câmara, vou ao mesmo terminal e embarco desta vez num coletivo da linha Pereira Passos.

O motorista se mostrava ansioso porque os passageiros demoravam para embarcar, já que a roleta não suportava a demanda. Pedia para darem lugar na porta e fechou-a sem que a última bunda tivesse deixado totalmente a plataforma, espremendo as nádegas do último camarada a embarcar.

Ao dobrar a esquina da Uruguai para ingressar na Mauá, vi que o meu sonho de transporte público de qualidade não durou meia hora.

Os passageiros em pé caíram sobre os sentados e um senhor de idade chegou a perder o boné. Foi um strike.

Uma senhora pediu calma e recebeu como resposta do motorista um: “estamos atrasados”. Ninguém mais se manifestou. Seguiram-se freadas e arrancadas espetaculares no caminho de quatro paradas até o Parlamento. Uma mãe segurava firme uma criança de três ou quatro meses para que ela não batesse a cabeça no banco da frente. A barulheira da carroceria era ensurdecedora e ao menos as janelas abertas compensavam a falta de ar condicionado no coletivo. Corri o olho a procura de um azulzinho, mas só vi um gremista, com fardamento tricolor se equilibrando para não despencar na parte rebaixada do coletivo, para onde um colorado já tinha escorregado e procurava se levantar.

Os passageiros não demostravam lá muita indignação embora pareciam atordoados. Cada qual procurando um lugar para sentar na esperança de chegar inteiro no seu destino final.

*Azuizinhos – da guarda municipal de Porto Alegre, fiscais da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC)

Memórias da copa de 70 e a despedida do capitão

Assisti a copa do mundo de 1970 numa TV preto e branco. Era uma Admiral instalada sobre uma prancha de madeira no alto da parede do bar do Renato que ficava no centro da cidade de Colorado no planalto gaúcho.

O sinal da TV era ruim, tinha “chuvisco” e vez que outra, conforme batia o vento minuano do inverno de julho, a antena saia do lugar e era preciso redirecioná-la para a outra antena, a da repetidora, que ficava no alto da torre da igreja.

Para dar uma melhorada na imagem emoor emoção na tela, colocavam-se tiras de papel celofane verde e amarelo o que dava a impressão de uma imagem colorida. Era um verdadeiro avanço, uma tecnologia de vanguarda que se comprava na livraria.

O escrete brasileiro entrava em campo e toda a gurizada se acomodava nas cadeiras de palha do bar e no mais profundo silencio acompanhava a narração do Geraldo José de Almeida. Em campo desfilavam Pelé, Félix, Tostão, Jairzinho, Gerson, Rivelino, Edu, Fontana, Clodoaldo, Piazza e o capitão Carlos Alberto Torres enfrentando figuras lendárias como peruano Cubillas, o uruguaio Mazurkiewicz, alemães como Gerd Müller e Beckenbauer ou ainda Mazzola e Boninsegna da Itália, Bobby Charlton da Inglaterra entre outros.

Na final contra a Itália o Pelé serviu o capitão Carlos Alberto que selou a vitória de 4 a 1, conquistando o tricampeonato mundial de futebol dando um alivio à tensão dos brasileiros. É que omoais vivia sob o regime de exceção dos militares comandados pelo presidente Garrastazu Médici, gaúcho de Bagé, que antes da copa fez com que o técnico João Saldanha, outro gaúcho, mas de Alegrete deixasse o comando da seleção. Médici queria que Saldanha convocasse Dario para a copa do México, mas Saldanha não aceitou, desobedeceu a ordem do general e foi demitido, cedendo o seu lugar ao Zagalo. Coberto de razão João Saldanha desabafou: “O general nunca me ouviu quando escalou o seu Ministério, por que, diabos, teria eu que ouvi-lo agora?”

Mas o time base do Saldanha foi quem trouxe a copa do mundo para o Brasil, e nele estava Carlos Alberto Torres. É mais uma lenda que tomba, como tantas outras do nosso futebol. A seleção de São Pedro recebe um grande reforço. Se ele foi cedo é sinal que o elenco lá de cima precisava de um comandante e o “capita” embarcou para sempre.

Reservas de luxo

A vitória por 2 a 0 contra o Santos na noite desta quarta-feira no Beira-Rio teve um destaque que quase passa despercebido, o retorno do lateral Jefferson que, com atuações irregulares, ficou um bom tempo de molho na reserva.

Laterais como Ceará e Jefferson e uma zaga que tem Alan Costa, Ernando e Eduardo Henrique mais um guardião chamado Danilo Fernandes, pode se afirmar que a meta está bem protegida especialidade do técnico Celso Roth adepto ao modelo “retranquinha amiga”.

Trata-se de feras dotadas das armas necessárias para abater qualquer presa, seja um peixe no fundo do rio ou um azulão que se  arrisca num vôo kamikaze.

A falência da fábrica de secadores

O internacional esteve com o pé na cova duas vezes, ao perder para o Botafogo e na tarde deste domingo no Beira-Rio, ao levar o gol do Flamengo. Mas o torcedor mostrando toda a valentia peculiar para os colorados, tirou o pai da forca. Afinal, “papai é o maior”. Já o Roth pediu para sair ao substituir o Seijas. Fez aquilo que chamaríamos de “última cartada”. Valdívia é uma unanimidade para o torcedor, mas Seijas, não é a unanimidade para o treinador. Poderia ter sacado o Alex, mas não, preferiu tirar o venezuelano, contrariando os 35 mil torcedores que vaiaram copiosamente a decisão. Ninguém entendeu a decisão, só o Roth tinha esta convicção. E deu certo. Foi dos pés de Valdivia que nasceu a jogada do segundo gol, o gol da virada.O chute para a defesa do montanha, perdão, do muralha, foi dele e que Vitinho aproveitou, num tiro cruzado, para decretar a falência da maior fábrica de secadores que se tem conhecimento. A liquidação deverá ser confirmada no próximo domingo.