O professor e o jornalista

São bem próximas as funções de professor e de jornalista. As duas cumprem suas pautas do dia em lugares distintos, mas com a mesma finalidade, a de transmitir informação e conhecimento. Um professor traça o seu plano de aula na expectativa de repassar, de forma clara, o que tem no conteúdo. Para um jornalista não é diferente, sai da redação no foco de colher as informações necessárias para “fechar a matéria” e repassar em forma de notícia ao leitor, ao ouvinte ou telespectador.

Os dois carregam na consciência suas dúvidas, sabendo que, dependendo da situação, devem inverter a pauta, buscar outros meios de trabalhar o assunto e dispor da criatividade, o suficiente para construir uma boa aula ou uma boa notícia. É preciso muitas vezes recorrer ao improviso, ao acaso, desconstruindo o planejado, sabendo interpretar o que o momento exige.

Se os alunos tiverem outra interpretação do que estiver no “script-pedagógico”, um professor não pode, de forma alguma, traçar um “quadro negro” da situação, e sim buscar formas que gerem alternativas para esclarecer dúvidas, crises, imprevistos, afinal, não existe uma única forma de passar conhecimento, há um universo de maneiras e não existem fórmulas criadas para cada tipo de surpresa.

No caso do jornalista, se a pauta não corresponder à realidade dos fatos, ele vai ser obrigado a modificar o roteiro e ter a sensibilidade de filtrar a o assunto e produzir a sua informação de maneira clara, que responda as perguntas e as respostas se encaixem no texto.

A melhor saída é ouvir sempre o outro têm a dizer para daí então, baseado nas fontes da rua ou da sala de aula, construir uma pauta conjunta.

Para aguçar a curiosidade é preciso alterar ou inverter a pauta sim, na maioria das vezes, ou quase sempre. Abrace a turma, abrace a pauta e saiba que um bom improviso é a melhor forma de se mover numa saia justa.

Sensibilidade e criatividade andam de mãos dadas e, se não tiverem esta capacidade, os alunos não terão uma boa aula, ou as senhoras e os senhores ouvintes, uma boa notícia.

Às professoras Darli Collares e Patrícia Camini da Faculdade de Educação da UFRGS, por provocarem o tema.  

Ladrão Cortês

Depois de ouvir vários relatos e sentir na pele o trauma de dois assaltos e me deparar no meio de um fogo cruzado na Avenida Érico Veríssimo em porto Alegre em apenas um ano, concluo que alguns integrantes do seleto grupo de ladrões, larápios e meliantes vem se mostrando altamente cortês com a clientela. Uma minoria que está se especializando em atender bem com ações sem o uso da violência e com uma certa cortesia.

Vejamos dois exemplos:

Dona Dorinha foi assaltada no estacionamento de um supermercado, lodo depois de colocar as compras no porta-malas.

Ladrão – Mantenha-se calma minha senhora, trata-se de um assalto

Dorinha – O que-que’u faço?

Ladrão – Passe a chave, a bolsa e o celular

Dorinha – Estou tremendo, nunca passei por isso antes, pega a chave o resto tá na bolsa

Ladrão – A senhora está bem?

Dorinha – Preciso tomar o meu calmante

Ladrão – Está na bolsa?

Dorinha – O rivotril

Ladrão – Um ou dois?

Dorinha – Me da o vidro todo, prefiro morrer

Ladrão – Fique calma minha senhora, nada vai lhe acontecer

Dorinha respirou fundo, colocou o comprimido na boa e bebeu da garrafinha de água do ladrão, que por ele foi alcançada

Dorinha – Moço, e as minhas compras?

Ladrão – Não posso fazer nada, assalto é assalto

Dorinha – Mas o meu neto vai ficar sem o Yakult

Ladrão – Vamos combinar o seguinte: Eu vou levar o carro para um serviço que preciso fazer, depois vou deixa-lo num lugar bem perto daqui com o Yakult do seu neto

Dorinha – Mas tem a lasanha, as pastas, as carnes e o meu creme rejuvenecedor que acabei de comprar na farmácia?

Ladrão – Tá bem, eu deixo o creme, o resto não tem negociação.

 

O segundo exemplo ocorre noutro lado da cidade horas depois, um carrão tem a frente cortada por outro carrão numa rua sem muito movimento, mas habitada pela nata da sociedade. Desce um ladrão do carro e vai avisando:

– Perdeu!!! Fique calma que não vai acontecer nada, só queremos o carro

A senhora desce, retira a criança do bebê conforto e se afasta

Ladrão – Por favor, a bolsa

Senhora – Ah, sim, costume de andar com ela dependurada

Ladrão – Valentino? Deve valer uma nota

Senhora – Mais alguma coisa? Posso ir?

Ladrão – E o celular?

Senhora – Tá no painel do carro

Ladrão – Desculpa senhora, é a crise que se agrava, não tá fácil prá ninguém. Tenha uma boa noite!

Senhora – Vou tentar

A dúvida é se os ladroes andam frequentando algum curso de MBA para melhorar o desempenho nos assaltos, aprimorando formas de gentileza com as vítimas. Certamente são profissionais que buscam um novo patamar em suas carreiras. O segredo é manter a calma e acalmar a vítima e negociar alternativas para que a vítima sinta-se segura, embora se trate de um assalto.

A criatividade chega ao poder paralelo, afinal o crime é organizado e é preciso ser ousado para ganhar mercado.

 

 

No reino da Michelândia

Pois dizem que o Temer quer usar o Gilmar Mendes pra se aproximar da Cármen Lúcia.
Gilmar é o cupido da nação e pode salvar a relação!
 
Aliás, vamos respeitar o linguajar, o Temer não vai usar, vai cooptar o Gilmar.
 
Enquanto o encontro não vem o Temer controla a ansiedade no chazinho da Marcela.
 
Quando o encontro chegar Temer vai dizer que só quer a capa da Cármen Lúcia
– Senhora Ministra, vamos direto ao assunto, eu só vim buscar sua capa emprestada.
Sim, o Temer pode até voar sem capa, mas com capa ele vira justiceiro, já que os verdadeiros justiceiros da capa preta não decolam.
 
E só pra contrariar a curadoria, o casal MMs, Marcela e Michel, está mudando a decoração do Palácio da Alvorada.
 
Marcela não gosta do vermelho nem do sofá preto, nem do Inter, nem do Flamengo
Fora tudo o que é vermelho
Fora Niemeyer
Fora Lula
Fora Dilma
FICA TEMER!
 
Modificaram até a fachada o palácio da Alvorada. Colocaram uma tela de proteção pro Michelzinho não cair do segundo andar. O filho do Jango, os netos do Sarney e do Fernando Henrique, moraram lá e nunca despencaram.
A tela é pro Michelzinho não seguir os caminhos do pai que despenca nas pesquisas.
 
Andam falando que a tela tem outra finalidade não revelada, mas eu fiquei sabendo por uma das fontes dos jardins do Alvorada e vou revelar em primeira mão:
 
É que em noites de lua cheia ela impede que o Michel saia voando por aí e se perca nas matas ou se afogue no Lago Paranoá ou se esfole no cerrado.
Já pensou o presidente esfolado no cerrado.
 
O pior é a explicação:
– Dona Marcela anda furiosa excelência?
– Não, foi apenas um escorregão numa garrafa deixada pelo Lula.
Sim, o Lula tá em todas, é o Cristo açoitado.
É tudo culpa do Lula, ele bebe e o Michel é quem se esfola.