A república dos trouxas

Boquiabertos, os protestantes que sairam às ruas na esperança de Justiça, se vêem tomados por um golpe desferido de dentro do próprio judiciário. O Ministro Marco Aurélio Melo foi bondoso com o Aécio Neves e mandou que ele reassumisse o cargo de Senador – pra que sofrer tanto desgaste politico se só fez o que os outros também fazem?

Já o ministro Edson Fachin teve piedade do Rodrigo Rocha Loures que nunca tinha ficado na cadeira e é de família tradicional e de conduta ilibada. Voltou para casa com uma coleirinha no calcanhar. Claro que haverá uima vigilância redobrada nos passos que ele vai dar. O pato da FIESP somos nós e o golpe da capa preta, alertado pelo Brizola, está em marcha.

Encontro dois manifestantes lançando farpas, irônicas farpas.
– Toma seu trouxa, quem mandou protestar?
– Achei que todos estavam contra a corrupção…
– Nem todos
– Aliás muitos
– Bastante
– Talvez a maioria
– Que declara não ter um corrupto de estimação
– Integramos a república dos trouxas

O que vai ficar díficil de entender nesta disputa de poder que transformou o Brasil, é a diferença entre o bem e o mal. O mal já leva uma larga vantagem.

 

Era para ser 7, foram 4, contra 9, mas senti firmeza no 47.

O jogo Inter e Náutico na tarde deste sábado no Estádio Beira Rio em Porto Alegre teve um ingrediente raro no futebol, foram quatro pênaltis bem marcados, dois tiros livres desperdiçados e um gol mal anulado contra um time em frangalhos. O inter não jogou bem, mas goleou o time do Recife num jogo encardido onde o palpite e o palpitar cardíaco subiam e desciam a cada minuto do jogo. Tudo levava a crer que seria uma goleada histórica, mas, logo no início o juiz da partida, que não apitava um jogo de futebol desde fevereiro, anulou um gol legítimo colorado. O bandeirinha sinalizou mal e o árbitro assumiu o erro e penalizou o time gaúcho.

Agora, o mais incrível foi a quantidade de pênaltis no jogo, foram quatro, bem marcados pela arbitragem e o inter não soube aproveitar dois. Resolveu fazer um rodízio de batedores. Pottker (88), marcou o primeiro, D’Alessandro (10) o segundo, os dois gols foram de canhota. Aí na terceira cobrança o ponteiro da roleta cravou no 77 e Marcelo Cirino bateu de direita nas mãos do goleiro Tiago Cardoso. Para reparar o erro no quarto pênalti a roleta foi abandonada e a escolha recaiu novamente no 88. Pottker mudou o estilo de cobrança e o goleiro defendeu. Carlos (11), já tinha marcado o primeiro gol, e Cirino para se reconciliar com o torcedor fechou a goleada de 4 a 2, sim, porque mesmo com nove jogadores, o Náutico conseguiu fazer o segundo gol e encostar no Inter quando o jogo estava 3 a 1. Poderia ter marcado sete gols em cima do time que sempre foi uma aflição para o rival, mas o goleiro adversário foi mais competente. Léo Ortiz que não perde a mania de, na sorte, dar balão para a frente, ao invés de armar o jogo foi quem armou o segundo gol do Náutico.

Mas, em meio a tudo, surgiu uma esperança que entrou nos últimos quinze minutos do jogo e em menos de quatro em campo, tinha chutado duas vezes contra a meta do Náutico e sofreu o último pênalti. Juan, o 47, que veio da base e fez a sua segunda partida entre os titulares, é a esperança  colorada na temporada. Gira a bola e distribui o jogo tal qual D’Alessandro. Senti firmeza, este promete.

Nossas vidas valem menos do que as do lado de lá?

Comparem – Um homem é morto por atiradores que passaram disparando contra pessoas que estavam numa parada de ônibus no centro de Porto Alegre no final da tarde deste sábado, 3 de junho.

Quase no mesmo horário, do outro lado do mundo, em Londres, também ocorreram mortes de pessoas que estavam nas ruas.

A manchete, o destaque e o envio de correspondentes foi para Londres.

Lá, tês homens atropelaram com uma van os pedestres na famosa London Bridge.

Aqui o ataque foi no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros com a  Riachuelo, no coração da Capital e os atiradores tambem estavam de van.

A pergunta é: Por que os dois ataques com vans em vias públicas recebem tratamentos diferenciados?

Seria lá por causa do terror? Mas aqui foi um horror e espalhou o terror em quem passava por lá. Nenhuma repercussão, nenhum depoimento, nenhuma narrativa do drama das ruas. 

Levo a pensar que o tratamento da nossa violência é infinitamente inferior, talvez por questões não tão transparentes como deveriam ser. Afinal, executaram alguém com ficha corrida, mas tinham mulheres, crianças, trabalhadores que retornavam para casa depois de um dia de labuta. 

Custo acreditar que a criatividade em questionar do nosso jornalismo se perdeu por completo, ao ponto de acharem mais interessante os oerigos do  primeiro mundo, repercutindo apenas o que acontece com os outros sem perceber que o crime mora ao lado. Se a elite não for perturbada, não tem notícia.