Mimados

Poucos sabem muito sobre um todo, mas a maioria sabe de tudo um pouco. São os de opinião formada, que dão pitaco nas respostas alheias e não querem retruque. São características do comportamento humano, os chamados donos da verdade desde que observadas suas tolerâncias.

Estudos, teses e pesquisas que levam anos e mais anos para comprovar suas afirmações não tem a mínima importância, comparado a letra de uma música chata que repete a mesma coisa, mas que empolga e ao mesmo tempo desvia a atenção para questões maiores como entender o milagre do Inter disparar na série B e o Grêmio despencar na série A.. A mesma análise cabe aos discursos vagos e procaicos de quem só quer chamar a atenção sem que suas afirmações tornem-se práticas para salvar o planeta e resolver para sempre os problemas do mundo.

A diferença da música é que ela não exige o mínimo de raciocínio e a tese requer o conhecimento. O discurso é dizer o que o outro quer ouvir e concordar com tudo, um blefe, e tem os que caem na conversa, mimados pelas promessas fáceis sem esforço ou desafios, tornam-se acomodados e isso na política tem um valor extraordinário. No circo do poder o povo faz papel de fantoche.

Para eles, o melhor é abreviar, não gastar a memória em questões complicadas, demoradas. É mais simples digitar o número, confirmar e chegar em casa no horário do almoço, beber, comer, ouvir aquela música e logo esquecer quem foi que você escolheu para ser teu representante e continuar reclamando de tudo, culpar a todos, eximindo-se, no entanto, da sua própria culpa. É preciso participar do processo e conhecer os ingredientes e não esperar para receber tudo pronto.

Quem cozinha conhece a melhor parte do prato que prepara e pode escolher ficar com a melhor fatia. Assim como no assado o espeto final é o do churrasqueiro, ou da diretoria, como queiram.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *