Se for contra a Globo, compartilha. Mas não é bem assim.

Ando recebendo vídeos pelas redes sociais com mensagens contra a Rede Globo, repassados por pessoas que, sei de fonte segura, não são de direita. Mas no afã de ser contra a Globo ficam compartilhando.

Cabe lembrar duas diferenças básicas que, de cara, revelam as características de esquerda e de direita neste país, a começar pela cabeça que é o que aparece nas selfies.

As cabeças da direita têm cabelos engomados, as da esquerda, espetados.

A direita é feita num salão “Top Hair”, a esquerda em qualquer “Top Hairrível”, com placas promocionais na fachada.

Os vídeos da direita tem fundos produzidos com marcas americanas, os da esquerda, quando muito tem ao fundo uma placa da Skol. Coxinha adora Budweiser pra chamar de Bud, pobre prefere Schincariol pra chamar de Skin.

Agora, os dois tem raiva da Globo, mas não desligam do Huck. Os riquinhos pra ver como ele se veste e os pobres porque adoram uma lata velha.

Então, se você passar por um protesto contra a Globo, antes de se juntar a ele, observe algumas diferenças básicas como as palavras de ordem por exemplo.

Se for: Globo FDP; que atente a moral e bons costumes; que pedem o fechamento de museus; que condenam o nu e querem exclusividade apenas nos seus smartphones de luxo para compartilhas com amigos; que identificam pedofilia em qualquer expressão artística que tenha adultos e crianças; que acham que um homem em cima de um cavalo é zoofilia; que odeiam ser contrariados; que ameaçam de morte e pedem a volta dos militares. Cuidado ao compartilhar, esta não é a tua praia.

Agora, se a manifestação nas redes sociais é para apurar os desvios dos recursos para a atenção básica; da merenda escolar dos filhos; desvendar a composição da ração do Dória; o que tem de prejudicial no balcão de negócios do Temer; que revelem, em capítulos de novela, o verdadeiro crime da Dilma, aí você estará na sua praia, pode mergulhar de cabeça e explorar as profundezas, e compartilhe.

O casamento de Libra

Dona Libra era casada com o seu Álvares da marcenaria, vizinhos da Morgana, a cartomante que abria caminhos e desvendava os mistérios das cartas. As tábuas que oficineiro transformava em mesas e cadeiras eram plataformas para consultas da cigana que atendia em domicílio.

Morgana também arranhava no alinhamento dos planetas e cartografava mapas sobre as posições dos zodíacos. Desfez muitos namoros e casamentos em suas análises simbólicas carregadas de desconfiança e medo à vida conjugal dos nubentes.

– O Armindo não combina com a personalidade da Marlene, que não serve para o Nestor, que não ama a Ritinha como ele acha que gosta e, muito menos a Dorotéia, que se derrete para o Waldemar e acha que só falta o cavalo branco pra ele ser o seu príncipe encantado.

Assim ela ia levando no bico e arrecadando trocados dos tricôs e bordados das donzelas que gastavam suas economias nas previsões da vidente.

Libra, no entanto, nunca quis saber nas cartas, como era a sua vida com o Álvares, nem desconfiava que poderia existir algum conflito entre os signos. Se fosse pela cigana o “espelho da hora”, poderia condenar a sua vida conjugal. Mas como nunca teve curiosidade o tempo foi passando sem que a Morgana percebesse que Libra era de outubro, Álvares de escorpião.

… e viveram felizes para sempre.

 

 

 

Reforma da casa da Mãe Joana

 

Sabe aquele julgamento à revelia onde a parte citada nem é chamada, e se for, pouco adianta porque os justiceiros fazem o que bem entendem? Pois é, estamos revivendo esta fase de rebeldia dos poderes que se julgam e se protegem e decidem o que é melhor, para eles.

Uma rede de proteção contra a vontade do povo.

O que não me favorece eu condeno, eu tenho a caneta, eu tenho o poder, assim, eu mando. Já te tiraram da pauta, agora é a hora de você acabar com os privilégios, a gandaia, a revelia.

Em outubro de 2018, a reforma começa retirando os moveis antigos, já condenados pela falta de compostura. Você é o juiz, portanto, faça.

As notas vermelhas

 

Seu Boaventura, avô de Piedade, uma menina de origem portuguesa que estudava numa escola interiorana gaúcha, ele era torcedor fanático do Internacional.

Um dia quando Piedade chegou em casa, portando o boletim com as notas do semestre, levou um xingão da mãe Tereza que avisou:

– Teu pai não vai costar nada de ver tuas notas!

O avô, confidente, não sabia ler, muito menos escrever, mas era um bonachão.

Quando Piedade mostrou as notas, prevendo a bronca do pai, Pedro Bento, Boaventura contemporizou.

– Ficas tranquila miúda, teu pai é colorado e o Inter está ganhando.