Foi parcelar o décimo terceiro e descobre que está morto

A informação me foi repassada pelo vereador Dr. Thiago Duarte de Porto Alegre, com a seguinte observação: É de matar!

A quarta-feira, dia 27 de dezembro foi das bruxas para o auxiliar de enfermagem José Carlos de Oliveira Souza, servidor público do município de Porto Alegre e que trabalha no Pronto Atendimento da Cruzeiro do Sul.

Ele foi pela manhã na agencia Banrisul do Bairro Três Figueiras para solicitar o parcelamento do seu décimo terceiro, formula adotada pelo Executivo para pagar o salário dos servidores.

Depois de encaminhar a papelada necessária e certo de que hoje receberia o dinheiro, foi surpreendido pela resposta do atendente que, ao consultar uma lista encaminhada pela Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre – Procempa, ficou sabendo que estava morto.

“Não acreditei, levei um susto e respondi na hora para o atendente – Mas eu tô aqui, vivo, com a minha documentação em dia”, lembra José Carlos.

A sua presença de corpo e alma, no entanto, não foi o suficiente. Iniciava-se um calvário do servidor para provar que não morreu. Recorda que o atendente ainda tentou resolver o caso ligando para a prefeitura, mas foi orientado a encaminhá-lo para a prefeitura “pessoalmente”, ironiza. José Carlos foi até a Loja do Servidor e abriu um processo, ligou para a Procempa e a Secretaria da Administração e não obteve resposta alguma, pelo menos até a manhã desta quinta-feira.

“Me sinto revoltado, injustiçado, sensação de não existência, um fantasma que trabalha a noite inteira” desabafa o servidor, finalizando que “é uma falta de respeito com quem trabalha pela cidade”.

José Carlos vai entrar o ano novo sem o décimo terceiro na conta, mas na convicção de que está vivo, embora tenha que provar.

A reintegração de posse da árvore de Natal

 

Estava tudo no seu lugar, a árvore erguida no canto da sala, aquele que todos visualizam quando descem a escadaria em direção a cozinha. Bolas coloridas, lamparinas, enfeites da liquidação do Natal passado, mas ainda sem uso, portanto, novos. Não tinha chumaço de algodão porque com o calor de 40 graus ficaria ridículo por neve no pinheirinho. O presépio completo, sem os reis magos que só virão no janeiro, andam resolvendo questões políticas envolvendo o Tramp e o Oriente Médio. Recém eu havia instalado as luzinhas, prontas para serem testadas quando algo fora do contexto quebrou a harmonia do ambiente. No galho mais alto, disputando espaço com a estrela de Belém, havia um pássaro marrom. Um sabiá com ar de arrogante tomou posse da árvore que tanto trabalho deu para chegar ali. Desde a longa fila no Black Friday para aproveitar o desconto, fazer com que ela coubesse no carro, até o quebra cabeça para juntar todas as peças e montá-la de acordo com as instruções. Esta ousadia não sairia barato.
 
Gentilmente o convidei a retornar ao bosque dos fundos, de onde ele veio, negociei até um aumento na porção de alimentos que eles recebem todas as manhãs, eles que eu me refiro inclui a familia do sabia, parentes e amigos.Ele me pareceu irredutivel e na primeira tentativa não houve acordo. Para piorar as coisas, numa visível manobra de pura provocação, talvez pra me tirar do sério, desceu dois galhos e se posicionou na parte de trás da árvore, com as costas protegidas pela parede. Ele foi estratégico, o que me deixou mais irritado, pois até aí o etrategista era eu, armado de argumentos sensíveis, utilizando a emoção e a boa intenção, até então. Ele, o sabiá, sabia que nhão haveria qualquer possibilidade de um ataque pelas costas já que a parede o protegeria. Se houvesse combate, o que estava se tornando quase que uma evidência, os ataques aéreos e por terra viriam pelos flancos ou quando muito pela frente. Isto foi um aviso de resistência e e um claro sinal de que haveria luta de posse e reintegração.
 
Como sou contra a violência e qualquer tipo de uso da força, comecei com um alerta. Uma sacudidela na árvore como forma de deixá-lo ciente sobre as consequências desta sua atitude impensada. A segunda tentativa foi um pouco mais desastrada, a árvore vergou e só não foi ao chão porque um balcão, modelo cômoda, amparou o peso e evitou o início da destruição. O sabiá bateu asas, mas não voou. Senti que ele estava em apuros, e abria-se aí a munha grande oportunidade de acabar com a teimosia sabiá ficou enroscado porque bateu as asas e não voou. Senti que ali estava a grande oportunidade para acadeste obstinado invasor, antes que ele acabasse com o meu Natal.
 
Mas como nem toda a luta é fácil, ele resolveu complicar a situação e se embenhou ainda mais na mata, digo, no pinheirinho. Sorrateiramente aquele monte de pena voadora foi se aninhando, tornando-se impossível arrancá-lo a força sem destruir parte da sala, a árvore e todos os acessórios.
 
Impotente e sem alternativas parti para estratégias menos rudimentares como cbo de vassoura, havaianas ou bodoque. Fui logo colocando em ação o pelotão de choque. Conectei as luzinhas na tomada, torcendo para que funcionassem, e cerquei a área, aí sim com uma vassoura, um rodo e meus dois cachorros. Não haveria escapatória, seria o ataque final, já prevendo baixas. Quando as luzinhas piscaram feito pirilampos, tal qual mísseis avançando na direção do inimigo, o “sem árvore” ergueu a cabeça e num impulso, como um raio, desocupou o território, deixando para trás parte da sua farda de combate, o que de certo modo valorizou a luta. Esfarrapado e depenado, fez um pouso forçado no caramanchão, ajeitou o fardamento e desapareceu.
 
Juntei as penas como troféu e recoloquei a árvore no seu lugar, fechei a janela para evitar um possível retorno, quem sabe em marcha, acompanhado de comparsas para um contrataque de cinema.
 
Peguei o chimarrão e fui matear com o menino Jesus que estava agitado, assustado com o que se passou sobre seu berço. Foi aí que notei que só sobrou ele. O presépio ficou em pandarecos, eu e o resto em frangalhos.

O Brasil de Catilinas

As Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do romano Marco Túlio Cícero, pronunciados em 63 a.C. Mesmo passados mais de dois mil anos, ainda hoje são repetidas as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, declaradas em pleno senado romano.

Aí vai um desafio para possamos adaptar o discurso aos temos de hoje. Se fosse para substituir o nome Catilina, quem você colocaria?

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!

Regional Tira-Teima e os chorões de São Luis

Recebo o último trabalho de flauta, cordas e percussão do mais antigo grupo de choro em atividade em São Luis do Maranhão, o Regional Tita-Teima fundado em 1973.

Link músicas – https://www.youtube.com/channel/UCsWYrpnGQr_wx5pWjdgSwPw

De passagem por Porto Alegre a caminho do Uruguai, o Paulo Trabulsi e a Edvânia Katia, produtores musical e executivo da obra, jantaram lá em casa e entre um fettuccine e algumas taças de vinho, conferimos as 13 faixas do – Gente do Choro -, titulo do disco e, de canja, outra música inédita apresentada dias antes no festival de choro de Curitiba.

Tira Teima

De uma qualidade incomparável, cada faixa é um passeio pelas rodas de choro nos bares, ruas e vielas da cidade de São Luis, Patrimônio da Humanidade com seus azulejos e casarões. Cada acorde tem um pouco da cidade e revela a riqueza, o acervo deste gênero musical, vias de se tornar Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O choro é livre, sim, mas eu prefiro que ele flutue entre a gente e não se enverede mundo a fora. Vai que não volte e nos deixe pra sempre.

 

#SAGAZ – A MULHER DO VOO DO JUCÁ

Você já imaginou, alguém que se sente dono do mundo, campeão das mutretas, craque em desvios, doutor em corrupção, chefe de quadrilha de uma das muitas facções que ocupa o governo de um país, ser abordado por uma “pirralha”, ao entrar num avião, rumando para um voo internacional para se encontrar com o presidente da China?

Foi o que sentiu na pele o senador “Caju”, codinome que Romero Jucá recebeu da empreiteira Odebrecht por se tratar de um dos maiores corruptos do Brasil, ao ver uma senhora, armada com uma camera e uma serie de questionamentos para um esclarecimento ao vivo nas redes sociais.

Aí o camarada empurra a mala, que sabe-se lá o que tem dentro dela, e ao se acomodar no assento do corredor ouve uma voz feminina se aproximado com um recado nada amistoso para um político que se acha intocável e popular:

“Romero? Excelentíssimo senador, tudo bem? Gente, o Romero Jucá, do grande acordo nacional, com Supremo e com tudo!” 

https://www.youtube.com/watch?v=yIH64QRcAOk

Era a blumenauense Rúbia Sagaz (ela tem face), de 33 anos, que abordou na noite da última quinta-feira (3011), o senador Jucá do PMDB de Roraima, durante voo Brasilia São Paulo.

É uma assistente social que lavou a alma, axilas e o resto, como ela mesma diz, ao confrontar o senador. Quase levou um tabefe dele, mesmo assim, manteve o pulso firme amparando um celular, registrando a conversa cara a cara.

A atitude acima de tudo um ato de coragem pela pátria. Enquanto a grande maioria do poder rouba em nome da pátria, uma mulher, sozinha, tomada de um senso de moral intenso, tem a bravura de representar todos aqueles que calam diante de tanta podridão que fede pelos corredores da nação.

Ainda ouvi numa radio gaucha, dois apresentadores com nomes de personagens de filmes infantis “Herry Potter e a Bela Adormecida”, de que foi um exagero o que ela fez com o senador. Ah, e ainda lembraram que o Chico Buarque foi insultado por alguns playboyzinhos num bairro nobre do Rio de Janeiro. Ora, ser insultado por coxinhas não é nenhum constrangimento, e sim um reconhecimento.

Somos todos Rúbia Sagaz, que agiu de acordo com o sobrenome. #sagaz.