Los diablos

A comemoração da prisão de Lula num puteiro é o retrato da insanidade social que se instalou no Brasil. O cafetão, dono do bordel, amarrou uma funcionária em ritual de tortura, arrancou a sua calcinha deixando-a nua levando ao delírio uma plateia masculina que bebia a cerveja de graça oferecida pelo dono do bordel. O palco tinha como pano de fundo, no alto, as fotos do juiz Sérgio Moro e da ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, entidade máxima da Justiça brasileira, ungidos no ritual satânico. O público que aplaudia a representação de tortura de uma mulher em um ato público é o mesmo que condenou a exposição Queermuseu ou a nudez artistica num salão de artes.
Naquele mesmo dia, enquanto os de esquerda celebravam uma missa os de direita transpiravam ódio e se divertia num cabaré.

A vaidade do Nelson peito de pombo, sim, o pefeito.

Vi com um certo resguardo pra não dizer atônito na eleição passada, o povo de Porto Alegre se posicionar por mudanças, o que é um sinal positivo, afinal, mudar é preciso, assim como “navegar”, já dizia Fernando Pessoa. O que me intrigava era o alvo da mudança e a escolha que se aproximava.

Me ocorria que dois anos antes o povo gaúcho, talvez pela ausência de uma autocritica e de certo modo tomado por um ódio e com a vaidade de que as mudanças do Brasil sempre começaram pelo Sul, tinda dado um tiro no pé. Uma bala disparada por boa parte dos ocupantes das repartições oficiais, sim, o servidor público escolheu Zé Ivo Sartori e recebeu como recompensa o parcelamento vitalicio dos salários.

Aí foi a vez do politizado eleitor de Porto Alegre fazer a sua parte e habilitar Nelson Marchezan Júnior para comandar a cidade, outra dose de ódio e vaidade que inflou ainda mais o peito de pomba do senhor menino criado em berço esplêndido, época em que o seu pai era o líder do governo na Câmara Federal em Brasília em pleno regime militar. Pois foi mais um tiro de bazuca no dorso do pé de uma cidade que não caminha.

  • Enquanto sobe o topete daquele que o povo de Porto Alegre ecolheu nas urnas, o tapete das ruas se esfarela, esmigalhando a cidade.

Com estas duas demonstrações de esperteza do eleitor o Ministério da Saúde alerta: O ódio pode provocar demência. (Se persistirem os sintomas procure o google analist, e saiba quem tá levando teu voto). É o mínimo, o caminho adequado.

 

 

Demagogos

Quando eu vejo pessoas, sabidamente eleitoras de Aecio Neves, publicando apelos nas redes sociais dizendo “A tua hora vai chegar”, postando o senador com farda de presidiário, fico imaginando até que ponto pode chegar a demagogia destes humanos. São justiceiros sem tonga amparados por capas pretas. Esta definição fica evidente quando o paladino da moral, juiz Sergio Moro, pede para encerrar uma entrevista que concedeu a BBC, logo após ser questionado sobre sua relação com os Tucanos, especial sobre uma foto em que ele e Aécio aparecem com Alkimin e Temer aos risos e cochichos. A demagogia leva as pessoas a pedirem a condenação dos seus bandidos de estimação só para não parecerem imorais. Fazem com dor no coração, mas com certeza da impunidade.

 

 

Auxilio-moradia e os imóveis do Dallagnol

O procurador Daltan Dallagnol adquiriu dois apartamentos do Minha Casa Minha Vida é dono de outro e recebe Auxilio Moradia.
O site Diário do Centro do Mundo garimpou e publicou recentemente, a grande mídia não foi atrás, talvez porque a ela interessam apenas as informações superficiais.
O DCM localizou a informação no site do Ministério Público Federal, em uma página sobre consolidação de benefícios. Mas não é fácil encontrar a informação. Está em uma planilha excel, e os dados não estão separados por mês, nem em uma rubrica auxílio-moradia, por exemplo. É preciso garimpar a informação.
Dallagnol tem salário-base fixado em R$ 28.947,55 (…) recebe ainda auxílio-alimentação no valor de R$ 884,00, auxílio pré-escolar de R$ 1.398,00 e o auxílio-moradia = R$ 35.606, acima do teto constitucional (…) O auxílio-moradia concedido a Dallagnol desperta especial interesse porque, além do possuir imóvel próprio em Curitiba, avaliado em quase R$ 900 mil, ele já fez investimento imobiliário, quando comprou na planta, entre o final de 2013 e início de 2014, duas unidades de um condomínio do Minha Casa, Minha Vida, o Le Village Pitangui, em Ponta Grossa, a 100 quilômetros de Curitiba (…) Dallagnol pagou R$ 76 mil por um apartamento do Minha Casa, Minha Vida, o 104 do bloco 7, e 80 mil reais em outro, o 302 do bloco 8. Cada unidade custou a ele o equivalente a 1 ano e meio de auxílio-moradia (…) Os imóveis destinados ao Programa Minha, Casa Minha Vida são construídos com financiamento a juro baixo da Caixa Econômica Federal. Mas os compradores não precisavam ser, necessariamente, pessoas de baixa renda (…) Foi essa a brecha que Dallagnol ocupou quando fez o investimento.

A reportagem completa está em:

Dallagnol, o atravessador do “Minha Casa, Minha Vida”, também recebe auxílio-moradia. Por Joaquim de Carvalho