O arsenal e a fagulha

Doutor Tenebro estava parado diante da churrasqueira, pasmo com a notícia que acabara de ler. Uma fagulha pode ter provocaso o incêndio num barraco da periferia, matando duas crianças que ficaram em casa, sozinhas, enquanto a mãe saiu para trabalhar.

A nota foi publicasa sem muito destaque, já que o a tragédia foi bem longe da sua cidade, aliás, do outro lado do pais, mas despertou o interesse do velho advogado, pelo tamanho poder de destruição de uma faísca.

Como um tição tão pequeno pode fazer tanto estrago? Era a pergunta que o doutor fazia para ele mesmo. Ideias tenebrosas lhe vieram a memoria, enquanto olhava uma pilha de carvão acomodada sobre buchas de jornais.

No Fundo, o que mais chamou a atenção do dr. Tenebro, foi a repentina descoberta de cortar caminho para iniciar o fogo do churrasco, uma batalha que enfrentava todas as semanas. Suas armas eram o jornal de domingo, uma garrafa de álcool e um a caixa de fósforos. Chegava a gastar todo o suprimento num mesmo dia e, em algumas situações, precisava apelar para o forno a gás.

Não entendia como que ele, dotado de todo o arsenal para um incêndio de grandes proporções tinha menos poder de fogo comparado a uma simples fagulha.

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Autor: flaviodamiani

Jornalista, cronista, mora em Porto Alegre

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