Convite para conhecer um sítio em Batatuba

 

Um amigo me convidou para passar o fim de semana no sitio dele e eu mais do que depressa agradeci, não sem antes fazer uma exposição de motivos.

Eu disse a ele que: Prefiro receber 60 milhões da JBS; dinheiro ilícito da Transpetro; receber propina de Furnas e da Odebrecht; me envolver no escândalo da Petrobrás; guardar mais de cinquenta milhões em caixas de papelão em um apartamento qualquer; mandar construir com dinheiro público um aeroporto dentro de uma fazenda particular; ser dono de um helicóptero carregado com coca; ter uma conversa gravada, ouvida, compartilhada e não dar em nada; receber caixa dois, se arrepender e pedir desculpas só depois de descoberto; ampliar prazos para exploração de empresas portuárias em troca de milhões de cédulas;  chefiar quadrilhas e milícias… blá-blá-blá. blá-blá-blá, blá-blá-blá e, o mais interessante, dirigir confortavelmente um Dodge e um Fox, perdão, um Fux.

Tudo isso é  muito mais seguro do que ir ao teu sítio, disse a ele. Vai que eu esqueça minha cueca dependurada no varal e eles localizam?

Ilustração do Daniel Cruz

 

 

 

O pinto e a bomba do mate

Herculano, nascido e criado no campo precisava fazer uns exames, aqueles de rotina, o “xecapi” como ele mesmo definia, que consiste em fazer exame de sangue, marteladinha no joelho pra conferir os reflexos, contar 33 entre outros.
Mas desta vez a médica incluiu na requisição uma investigação nada tradicional, prescreveu uma colonoscopia cuja avaliação incluí outra via de acesso ao esqueleto, um túnel até então mantido intacto a qualquer tentativa de abuso ou invasão.
– Sabe como é que é, o senhor come muita  carne gorda e tal, precisamos verificar.
Disse a médica, procurando amansar o paciente, um tanto alterado com a resenha descrita por ela.
 
Na salinha, a simpática enfermeira passava-lhe as instruções de preparo para o exame que consistia em uma dieta leve a base de merengue e líquidos claros.
 
– Suspendo o mate?
 
– Não precisa, mas se for beber, use camisinha.
 
Herculano não aprofundou detalhes sobre a camisinha, já estava por demais envergonhado da situação pela qual iria passar, afinal, náo é fácil abrir as pregas para alguém desconhecido, ainda por cima, sedado.
 
Na madrugada, véspera do exame, de bombacha arriada, sentado solito na porta do rancho, enquanto mateava e contava estrelas, Herculano matutava em silêncio, cabisbaixo, olhando desconfiado para o preservativo tamanho murcho.
De fato ele não conseguia entender a relação da bomba com o pinto.