O índio grosso e a medicina moderna

Herculano, nascido e criado no campo precisava fazer uns exames, aqueles de rotina, o xecapi anual, falei a-n-u-a-l, mas desta vez a médica incluiu na requisição uma colonoscopia cuja avaliação incluía outra via de acesso ao esqueleto, um túnel até então guardado a sete chaves.
 
Na salinha, a simpática enfermeira passava-lhe as instruções de preparo para o exame que consistia em uma dieta leve a base de merengue e líquidos claros.
 
– Suspendo o mate?
 
– Não precisa, mas se for beber, use camisinha.
 
Não entrou em detalhes sobre a camisinha, já estava por demais envergonhado da situação pela qual iria passar, afinal, náo é fácil abrir as pregas para alguém desconhecido, ainda por cima, sedado.
 
Na madrugada, de bombacha arriada, sentado solito na porta do rancho, enquanto mateava e contava estrelas Herculano matutava em silêncio. De fato ele não conseguia entender a relação da bomba com o pinto.

 

 

Autor: flaviodamiani

Jornalista, cronista, mora em Porto Alegre

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