A célula que não vingou

Foi no Instituto Estadual Cecy Leite Costa de Passo Fundo, na antiga escadaria, tomada por mato, que nos idos dos anos 70 tentamos organizar uma “Célula Revolucionária de Resistência”, que consistiria em ação fulminante contra a direção do educandário que vivia em constante guerra com os insurgentes.

Nossos encontros noturnos, às escondidas, reunia meninos e meninas inconformados com as regras impostas aos alunos que fervilhavam ideias de desobediência em pleno regime de exceção, entre elas: Não podia fumar nos corredores, banheiros ou no pátio, nem dar pinga às Evangélicas ou Testemunhas de Jeová porque elas iniciavam a pregação já no primeiro gole, nem namorar e muito menos gazetear aula para pegar um jogo na TV P&B da Colorado RQ do bar da frente.

Uma noite fomos descobertos pela professora de Ciências que em questão de minutos, destruiu a nossa fórmula revolucionária num “chispam todos que a aula já começou”.

A célula abandonou as escadarias sem escalar, sequer, um degrau da rebeldia.

Autor: flaviodamiani

Jornalista, cronista, mora em Porto Alegre

1 comentário em “A célula que não vingou”

  1. Elci Ferri – Que triste, poderia estar mais bem cuidado.
    Também estudei no Cecy, na década de 70. Boas lembranças…

    Roseli Lili Fogaça – Bela recordação e principalmente sobre a consciência politica e dos valores democráticos q os jovens tinham.

    Carlos Alberto Fonseca – Eu estudei lá também. Grande Cecy, mrece mais cuidado.

    Guaraci Teixeira Seben – “Indisciplinados, românticos, autênticos e amáveis”. Era o conceito da Professora Zenite sobre essa ‘corja’ que ela tanto amou. Abraço.

    Flavia Renata Fogaca – As escadarias, por certo, já não abrigam revolucionários. Em minha época, também estudei no Cecy, as escadas também eram local de encontro e reuniões.

    Marcia Martinelli – É a velha/nova ideia de ser do contra…valeu o exercício.

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