Cabeleireira abusada

Na praia cruzei no Salão da Regina, vazio.

Entrei e perguntei se faziam corte masculino e a moça disse:

– De homem? Sim, claro! Mas tens que marcar um horário.

– E que horários você tem? 

Ela abre o computador, corre os olhos na tela de forma rápida e precisa, depois replica:

– No momento, temos todos os horários disponíveis 

– Agora, pode ser?

– Deixa eu ver… pode sim

– E quanto é?

– Vinte, com tesoura e máquina

– Hummm, mas não castiga na poda.

– Corto só as pontas então, só uso a tesoura. 

– É mais barato?

– O preço é o mesmo

– Fazer o quê?!

Não tive escolha a não ser me acomodar na cadeira. Ela colocou um lençol nos meus ombros e falou de um jeito digamos, irônico, ou, às raias do deboche.

– Ainda não temos meio corte (risos)

Se na hora a tivesse a tesoura não estivesse tão  próximo da minha jugular eu teria abortado operação. 

Autor: flaviodamiani

Jornalista, cronista, mora em Porto Alegre

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