Nas asas do poder – o tráfico de drogas em vôos oficiais

O ditador chileno montou um esquema de tráfico de drogas usando aviões da Força Aérea Chilena que distribuíam a droga na Europa através das embaixadas do país em Estocolmo e Madri, além dos Estados Unidos. Pinochet chegou a desenvolver seu próprio produto para lucrar nesse mercado: a “coca negra”. (revista Forum)

Um avião presidencial de um pais vizinho ao Chile foi apreendido recentemente na Espanha, transportando coca.

Pelo o que se sabe a coca era branca, mas, já estão desenvolvendo pesquisas para que ela se torne laranja.

 

 

Pacíficos ou coniventes?

Para entender a acomodação dos brasileiros nivelado às demais Nações tipo Chile e Equador, é só bispar a história e ver que em meados de 1.500, enquanto os Tupiniquim se iludiam com espelhinhos, os índios Charrua do Uruguai reagiam contra a tentativa de posse do Rio da Prata, por parte do navegador espanhol Juan Dias de Solís. O enviado do rei pagou com a própria vida, os índios uruguaios não se entregaram. Esta é a diferença.

Esquadrinhando – O que sobrou da expedição do Solís, naufragou na costa brasileira e menos de uma dúzia dos sobreviventes foi parar na ilha dos perdidos, hoje, Florianópolis.

O ponto de mutação

É cada vez mais difícil ser Bolsonaro sem abrir mão dos ídolos de uma vida inteira. Roger Waters passou a ser odiado pelo rebanho do capitão depois da sua turnê pelo Brasil, quando disse que o presidente do Brasil é corrupto e insano, e mais recentemente disse que ele é uma ameaça para a humanidade porque está destruindo o planeta. Outros como Cher, Madona e Alfonso Herrera, que interpreta personagem LGBT na série as Netflix “Sense8”, engrossam a lista de críticos a Bolsonaro.

O Papa Francisco é outro que entrou para a lista de odiados quando afirmou que a Amazônia é um problema do mundo e denunciando novos colonialismos como causa dos incêndios na floresta. Foi o que bastou para que os devotos do “capetão” tencionassem o fogo do inferno ao representante de Deus na terra.

Gerações inteiras embaladas pelas letras e músicas do Chico Buarque também se voltaram contra o artista e aplaudiram quando Bolsonaro se negou a assinar o diploma do Prêmio Camões de literatura da língua portuguesa, organizado pelos governos de Portugal e Brasil.

O escritor moçambicano Mia Couto lidera o movimento de protesto contra o governo brasileiro pela posição tomada. É mais um ídolo riscado da lista dos fanáticos seguidores do capeta, seguidores com pontos de vista inadequados para guiar o comportamento humano como bem define o físico e ambientalista, Fritjof Capra no livro O Ponto de Mutação.

Se você também integra a lista dos indesejados, meus cumprimentos. Você está do nosso lado.

 

 

De Amaral de Souza e Lauro Guimarães a Gilmar Mendes e Janot

“Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua”. Esta afirmação do ministro do Supremo Gilmar Mendes sobre o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot que confessou a sua intenção de assassinar Mendes, mas que o dedo falhou na hora de dar um tiro no algoz, me remeteu à Praça da Matriz em Porto Alegre lá por 2007/08, não lembro bem.

Foi logo depois do meio dia de uma sexta-feira. Eu acabara de gravar o programa do Ministério Público para a TV Justiça, nos estúdios da Assembleia Legislativa e retornava para o Forte Apache, nome dado AP Palácio do Ministério Público do Estado, sede da Procuradoria-Geral de Justiça e onde funcionava a assessoria de imprensa do MP.

Sentados lado a lado, no banco da praça, estavam o ex-governador do Rio Grande do Sul Amaral de Souza e o ex-procurador-geral de Justiça Lauro Guimarães. Os dois se conheciam de Palmeira das Missões, município localizado ao Norte do Rio Grande do Sul da época em que Lauro Guimarães era promotor de Justiça da cidade e Amaral de Souza advogava por causas nobres e justas dos cidadãos da Palmeira. Mais tarde, Amaral vinha a ser governador do Estado, indicado pelo regime militar, e Guimarães o seu secretário de Turismo.

Juntei-me a conversa e os dois me contaram a história que me lembrou a briga do Mendes e o Janot.

Lauro disse que o Amaral como advogado volta e meia visitava a mesa do promotor com interpelações e apelações.

– As petições eram mal redigidas, disse o Lauro.

Um dia ele resolveu reclamar para o então advogado Dr. Amaral sobre os atropelos na língua e a pobreza da redação.

Amaral não perdeu tempo para justificar a correria na sua banca de advocacia, o que não lhe permitia o aprofundamento nos textos redigidos e ao mesmo tempo, respondeu ao promotor, que pouco lhe importava a qualidade da redação:

– Pode tá mal escrita, mas tou ganhando muito dinheiro.

Conversa de adultas


Conversa de duas senhorinhas, na casa dos 80 anos pra mais, numa clínica de alto padrão em Porto Alegre na manhã de hoje:
– A empresa que a minha filha trabalhava fechou as portas e ela tá tentando ao menos se aposentar.
– O meu filho vendia roupas, fechou a loja. Quem vai comprar roupas?
– Todo o mundo sem dinheiro.
– Tem que guardar para comprar remédios e comida.
– Sim, metade do que se ganha vai em remédio.
– E a comida não fica pra trás.
– O quê que tá acontecendo, meu Deus?
– Tava dando tudo certo, mas deu esta guinada.

O dia em que a diarista não veio

Ontem, antes de dormir, fiquei sabendo que a diarista não apareceria nesta sexta-feira. Dei de mão no aspirador que levantou vôo pelas paredes, cantos do teto, nas frestas do assoalhos, pás dos ventiladores de teto. Aproveitando a onda aspirei até os cachorros da casa e me declarei “inimigo do pó”, erguendo a haste do aspirador feito herói, um gesto ridículo, mas fiz.

Ao acordar pela manhã vi que a sujeira da casa ainda estava lá e a faxina por fazer.

Sonhar com trabalho me deixa puto.

A primeira aparição do homem do tempo no Jornal do Almoço

Início dos anos 90, período em que eu coordenava o Jornal do Almoço da RBS TV lá no morro Santa Teresa, o Cléo fazia as suas primeiras participações na Rádio Gaúcha despejando chuvas e agonizando secas por todo o estado. Cléo trazia para os noticiários uma voz diferenciada para os padrões do rádio, alguns tons bem abaixo do que qualquer agudo dos mais afiados locutores e repórteres.

Naquele verão o Rio Grande do Sul sofria com uma estiagem sem precedentes. Plantações secando, gado morrendo de sede anunciando uma quebra recorde de safra.

Liguei para o Cléo no 8º Distrito de Meteorologia para bater um papo sobre aquele momento e dos riscos da seca para os gaúchos.

Pois o meteorologista foi tão convincente que na hora, mesmo sem conhecê-lo, resolvi convidar para que participasse do Jornal do Almoço naquele mesmo dia.

No horário marcado lá estava o entrevistado na redação do JA. Em seguida a produtora Marinês Canton foi até o suíte master, onde eu ficava para colocar o jornal no ar e me perguntou:

– Você conhece o entrevistado do tempo?

– Não, por quê?

– E então desce e dá uma olhada.

Barba de bom velhinho, camisa xadrez, cabelos espetados tipo Andy Warhol vendendo suas latas de feijões.

Meu Deus, pensei… o cabelo dá pra resolver na maquiagem, mas a camisa…

Aquele xadrez de “rasgar o vídeo”, linguagem dos diretores de imagem, poderiam interferir na leitura da câmera e comprometer o sinal e em último caso, reparando exageros, tirar o programa do ar.

Foi quando então que a Marinês achou a solução.

– Uma camisa do Lauro Quadros, eles tem o mesmo porte físico e o Lauro sempre guarda camisas de reserva na maquiagem, disse ela.

Nem dez minutos depois, com o cabelo levemente lambido por uma camada de gel o Cléo Kuhn estreou no Jornal do Almoço, vestindo uma camisa lisa, graças aos caprichos do Lauro Quadros.

Virei amigo do Cláo e cheguei a pegar uma carona no mesmo dia. O carro eu não lembro direito, acho que era um Chevette que precisou de um empurrãozinho para pegar no tranco e deslizar morro abaixo.

 

A morte do coronel Anacleto de Passo Fundo

Marga e eu recebemos para o café da manhã de domingo em casa, o Carlos Alberto Fonseca, jornalista e procurador do município de Passo Fundo e a esposa, Maria Helena Pierdoná Fonseca, procuradora do Estado. Entre uma xícara de desnatado e um pão feito em casa, confirmaram a morte do coronel Anacleto, agora, no mês de agosto.

Duvido que alguém com mais de cinquenta anos e que residia na região do Planalto gaúcho nunca tenha ouvido falar ou escutado este radialista que acordava o campo e a cidade todos os dias pelas ondas médias da extinta Rádio Passo Fundo.

Quando criança, nos anos sessenta, morando na recém emancipada Colorado, eu despertava com as bagunças do coronel que batia numa lata, acho que era uma lata que levava para o estúdio e mandava todos pularem da cama pra trabalhar, alertando para não perderem o horário, acho que era do ônibus, que ele classificava como “cipó”. Tinha o das seis, das sete e assim por diante. Na verdade chamava a macacada pra saltar das árvores e ninguém se incomodava, era mais ou menos isso.

Confesso que não conheci o coronel e nem mesmo a sua história, embora tenha começado a minha vida profissional na Rádio Planalto de Passo Fundo onde ele, pelo o que sei, também trabalhou. Achei até que tinha partido há muito tempo por nunca mais ter ouvido falar nele.

A história do Fleumir Resende – coronel Anacleto, nome de guerra, vale uma biografia porque encantou gerações no tempo em que o rádio era indispensável na sociedade e quando a criatividade nascia do improviso e do talento dos seus profissionais.

Nunca soube também se foi um militar ou o coronel dele era patente emprestada e o motivo de ser chamado Anacleto.

Cada um com suas manias – O maluco da hidro

Acaba a aula de hidroginástica, nos vestiários o camarada toma um banho de ducha com shampoo, condicionador e sabonete e anuncia aos demais:
– Agora vou nadar.
E saiu de volta pra piscina, não deixando qualquer chance para uma pergunta como:
– Então, praquê o banho?

Na aula seguinte ele repete o gesto, não deixei passar barato e antes que ele disparasse pra piscina, lasquei:
– E aí meu, vai nadar de novo?
O camarada nem pestanejou e disparou:
– Se eu fosse nadar não estaria tomando banho né meu!

Sujeito mais sem graça.

A penitência que virou moda

 

Como qualquer criança da minha idade, lá pelos sete ou oito anos, vivendo no interior, também fui um guri arteiro. Na falta de opções a gente sempre achava o que fazer muito embora contrariasse as regras dos adultos.

Certo dia de verão, depois de uma briguinha de rua que evoluiu para socos e pontapés, fui me esconder na gruta até aliviar a ira da minha mãe que não admitia filho brigando por aí. A gruta que até hoje existe, era úmida, embalada ao som de uma vertente de água que atraía os andarilhos a caminho da cidade, paravam ali para matar a sede. Alguns levados pelo sossego do lugar aproveitavam para fazer uma oração a santa Lourdes e uns até contavam seus pecados. Naquela tarde ouvi confissões e só não estipulei penitência porque me encontrava em situação clandestina, escondido atrás da santa

Mais tarde, quando calculei que a ira da mãe havia passado saltei de cima do altar da gruta para pegar a estrada e retornar pra casa mas, uma pedra pontuda quase me deixa nu. O calção cinza feito com um corte de saco de pano de açúcar cristal foi contemplado com um rasgo que ia do meio da coxa até a cintura. Não fosse a peça de elástico que segurava o calção eu teria problemas para sair da gruta a caminho de casa. Fui embora segurando o rasgo com a mão direita, camuflado em macegas e plantações de milho e soja.

Mais tarde a mãe retornou da lavoura, esperei que ela descansasse a enxada e se desfizesse do cesto da colheita e antes do sermão, me adiantei para pedir desculpas e mostrar para ela o calção em trapos.

Foi então que ela me disse:

– Isso é castigo por tudo aquilo que você anda fazendo, é pra pagar teus pecados.

Hoje quando vejo gente na rua com calças de joelhos, pernas e bunda rasgadas, me faz viajar a memória para a velha gruta e as palavras da dona Ilga. Eles jamais vão imaginar que, para mim, aquela roupa é uma penitência para pagar seus pecados e que, quanto mais rasgos, maior é a pena.

Sim, a penitência como castigo do pecado virou moda. Tenha a santa paciência.