O BBB do Bolsonaro

O anjo Messias concede imunidade aos pecadores utilizando o elemento Terra para salvar seus fiéis seguidores.

O presidente eleito nomeou o gaucho Osmar Terra atual ministro do Temer para um ministério coisa alguma, com certeza bem menos importante do que o do trabalho que ele extinguiu em um evidente desrespeito ao trabalhador. O mais curioso nisso tudo é que o Terra abre vaga para outro gaucho Darcísio Perondi, que não foi reeleito, ocupar a cadeira de deputado deixada por Osmar.

Perondi tem uma lista de denuncias entre elas de cobrar consultas  pelo Sistema Único de Saúde – SUS, sim, ele é medico e cobrava por fora o que era de graça. Recebia além do dinheiro público, o dos pacientes Ministério Público Federal denunciou ele com a mão na massa. Perondi também foi pego portando uma lista de valores que foram pagos aos deputados para livrarem Temer de uma das tantas denuncia de corrupção. Sem imunidade parlamentar ele poderia ser preso e condenado, mas…

O que me deixa impressionado é esta casualidade ou sorte, como queiram. O povo não renovou a confiança no Perondi, braço direito do Temer e ele ganha imunidade reassumindo uma vaga na Câmara dos Deputados. Estamos diante do BBB do Bolsonaro.

Um nome para o Júnior

 

Thadeu e Maraysa foram, logo cedo, no cartório da cidade para registrar o recém-nascido.

– Neymar, vai ser o nome dele, diz a mãe com o filho no colo.

– Tem certeza que vai colocar este nome? Pergunta o notário.

O pai tenta justificar sua contrariedade depois de assistir a estreia do futuro xará do seu filho na copa, mas a mulher estava decidida.

– Thadeu, a gente vem combinando o nome do bebê desde o dia em que descobrimos o sexo dele.

– Mas Maraysa, nosso filho vai virar meme, olha o que tá acontecendo.

– Oh Dedeu (apelido no marido), ele tem até uma chuquinha miojo.

– Sim May (apelido dela), mas a onda passa e a chuquinha não vai ficar permanecer para sempre.

– A gente combinou…

– Menos May, dá um desconto, uns dez por cento ao menos.

Observando tudo, o responsável por registrar, definitivamente, o nome do filho resolveu intervir de maneira amigável e porque não, conciliadora.

– Olha pense num familiar querido do qual seu filho possa herdar o nome, o Neymar também herdou, ele é Júnior.

– Taí, respondeu o Thadeu, podemos encontrar uma solução.

– Heródice, com H, nome egípcio do meu pai, pode se chamar Heródice Júnior, disse a mãe.

  1. – Neste caso, Neto, responde o notário.

– Então, porque não Melchyades, com ch e y? Nome do meu avô.

– Nem pensar, a tua avó não queria o nosso casamento, lembra?

– Esloveno então, não tão na copa mas é de onde vieram os antepassados da mãe.

– E o sangue marsupial da minha mãe australiana?…

E ficou aquele jogo de nomes de antepassados e até de heróis de seriados e cinema.

Ela

– Blade Runner, meu preferido em noites de chuva.

Ele

– Vão apelidá-lo de replicante, não dá, quem sabe Magaiver?

Ela

– Nem pensar vai acabar com as tesouras da casa.

Ele

– Ah, já sei, Quelônio, em homenagem ao nosso jabuti, ou snowflake, o morcego que habita o sótão e casa.

Ela

– Aí já é demais, bota Temer de uma vez.

Ele

– Você tá de brincadeira com o nosso filho.

Ela

– Não tou não, tou é irritada, desse jeito ele vai sair daqui registrado como Bolsonaro.

Silêncio repentino, a criança chora, os pais agitados tentam se acalmar e o dono do cartório se posiciona no computador para iniciar o registro d acabar com a discussão…

– Neymar, com y?

 

 

A reintegração de posse da árvore de Natal

 

Estava tudo no seu lugar, a árvore erguida no canto da sala, aquele que todos visualizam quando descem a escadaria em direção a cozinha. Bolas coloridas, lamparinas, enfeites da liquidação do Natal passado, mas ainda sem uso, portanto, novos. Não tinha chumaço de algodão porque com o calor de 40 graus ficaria ridículo por neve no pinheirinho. O presépio completo, sem os reis magos que só virão no janeiro, andam resolvendo questões políticas envolvendo o Tramp e o Oriente Médio. Recém eu havia instalado as luzinhas, prontas para serem testadas quando algo fora do contexto quebrou a harmonia do ambiente. No galho mais alto, disputando espaço com a estrela de Belém, havia um pássaro marrom. Um sabiá com ar de arrogante tomou posse da árvore que tanto trabalho deu para chegar ali. Desde a longa fila no Black Friday para aproveitar o desconto, fazer com que ela coubesse no carro, até o quebra cabeça para juntar todas as peças e montá-la de acordo com as instruções. Esta ousadia não sairia barato.
 
Gentilmente o convidei a retornar ao bosque dos fundos, de onde ele veio, negociei até um aumento na porção de alimentos que eles recebem todas as manhãs, eles que eu me refiro inclui a familia do sabia, parentes e amigos.Ele me pareceu irredutivel e na primeira tentativa não houve acordo. Para piorar as coisas, numa visível manobra de pura provocação, talvez pra me tirar do sério, desceu dois galhos e se posicionou na parte de trás da árvore, com as costas protegidas pela parede. Ele foi estratégico, o que me deixou mais irritado, pois até aí o etrategista era eu, armado de argumentos sensíveis, utilizando a emoção e a boa intenção, até então. Ele, o sabiá, sabia que nhão haveria qualquer possibilidade de um ataque pelas costas já que a parede o protegeria. Se houvesse combate, o que estava se tornando quase que uma evidência, os ataques aéreos e por terra viriam pelos flancos ou quando muito pela frente. Isto foi um aviso de resistência e e um claro sinal de que haveria luta de posse e reintegração.
 
Como sou contra a violência e qualquer tipo de uso da força, comecei com um alerta. Uma sacudidela na árvore como forma de deixá-lo ciente sobre as consequências desta sua atitude impensada. A segunda tentativa foi um pouco mais desastrada, a árvore vergou e só não foi ao chão porque um balcão, modelo cômoda, amparou o peso e evitou o início da destruição. O sabiá bateu asas, mas não voou. Senti que ele estava em apuros, e abria-se aí a munha grande oportunidade de acabar com a teimosia sabiá ficou enroscado porque bateu as asas e não voou. Senti que ali estava a grande oportunidade para acadeste obstinado invasor, antes que ele acabasse com o meu Natal.
 
Mas como nem toda a luta é fácil, ele resolveu complicar a situação e se embenhou ainda mais na mata, digo, no pinheirinho. Sorrateiramente aquele monte de pena voadora foi se aninhando, tornando-se impossível arrancá-lo a força sem destruir parte da sala, a árvore e todos os acessórios.
 
Impotente e sem alternativas parti para estratégias menos rudimentares como cbo de vassoura, havaianas ou bodoque. Fui logo colocando em ação o pelotão de choque. Conectei as luzinhas na tomada, torcendo para que funcionassem, e cerquei a área, aí sim com uma vassoura, um rodo e meus dois cachorros. Não haveria escapatória, seria o ataque final, já prevendo baixas. Quando as luzinhas piscaram feito pirilampos, tal qual mísseis avançando na direção do inimigo, o “sem árvore” ergueu a cabeça e num impulso, como um raio, desocupou o território, deixando para trás parte da sua farda de combate, o que de certo modo valorizou a luta. Esfarrapado e depenado, fez um pouso forçado no caramanchão, ajeitou o fardamento e desapareceu.
 
Juntei as penas como troféu e recoloquei a árvore no seu lugar, fechei a janela para evitar um possível retorno, quem sabe em marcha, acompanhado de comparsas para um contrataque de cinema.
 
Peguei o chimarrão e fui matear com o menino Jesus que estava agitado, assustado com o que se passou sobre seu berço. Foi aí que notei que só sobrou ele. O presépio ficou em pandarecos, eu e o resto em frangalhos.

Mimados

Poucos sabem muito sobre um todo, mas a maioria sabe de tudo um pouco. São os de opinião formada, que dão pitaco nas respostas alheias e não querem retruque. São características do comportamento humano, os chamados donos da verdade desde que observadas suas tolerâncias.

Estudos, teses e pesquisas que levam anos e mais anos para comprovar suas afirmações não tem a mínima importância, comparado a letra de uma música chata que repete a mesma coisa, mas que empolga e ao mesmo tempo desvia a atenção para questões maiores como entender o milagre do Inter disparar na série B e o Grêmio despencar na série A.. A mesma análise cabe aos discursos vagos e procaicos de quem só quer chamar a atenção sem que suas afirmações tornem-se práticas para salvar o planeta e resolver para sempre os problemas do mundo.

A diferença da música é que ela não exige o mínimo de raciocínio e a tese requer o conhecimento. O discurso é dizer o que o outro quer ouvir e concordar com tudo, um blefe, e tem os que caem na conversa, mimados pelas promessas fáceis sem esforço ou desafios, tornam-se acomodados e isso na política tem um valor extraordinário. No circo do poder o povo faz papel de fantoche.

Para eles, o melhor é abreviar, não gastar a memória em questões complicadas, demoradas. É mais simples digitar o número, confirmar e chegar em casa no horário do almoço, beber, comer, ouvir aquela música e logo esquecer quem foi que você escolheu para ser teu representante e continuar reclamando de tudo, culpar a todos, eximindo-se, no entanto, da sua própria culpa. É preciso participar do processo e conhecer os ingredientes e não esperar para receber tudo pronto.

Quem cozinha conhece a melhor parte do prato que prepara e pode escolher ficar com a melhor fatia. Assim como no assado o espeto final é o do churrasqueiro, ou da diretoria, como queiram.

Opressores, oprimidos e o código de convivência no mesmo espaço.   

No momento em que o Brasil vive uma crise institucional sem precedentes, a editora Expressão Popular lança um livro que obriga qualquer cidadão a refletir sobre a realidade em que vivemos. Realidade que extrapola todos os conceitos de liberdade, participação e inclusão dos povos provocada pela tirania de um governo impopular, ilegítimo, corrupto, de ficha corrida exposta, caça os direitos dos trabalhadores, arma um bote mortal nos aposentados e destrói a educação, cortando verbas de pesquisa e sinalizando com a privatização das universidades públicas.

O livro “Transformação das Relações Humanas e Cooperação,” do finlandês Pertti Simula, (272 páginas), materializa conceitos e contextualiza fórmulas de se viver em um ambiente onde, no âmbito do Estado, as leis sejam estruturadas para que o povo organize suas atividades econômicas, políticas, sociais e culturais pela iniciativa do coletivo e não por decisões monocráticas de quem quer que seja.

Pertti Simula é um psicanalista, consultor e formador em escolas da Finlândia, Suécia e no Brasil, especificamente nos assentamentos de reforma agrária. A obra é fruto de sua atividade terapêutica individual e coletiva nesses três países. Traz uma abordagem do Método Conscientia, desenvolvido há mais de trinta anos com trabalhadores da educação, saúde e assistência social.

Os desafios da cooperação humana, seja na escola, no trabalho ou na sociedade são a tônica do livro que levam a refletir sobre as causas e a consequente tomada de consciência do que nos cerca. A violência do sistema capitalista sobre o comportamento humano é detalhado de forma simples e didática, acessível a qualquer leitor. A costura dos temas e a sua relação com a vida derrubam barreiras, esclarecem dúvidas e abrem caminhos. Os textos conversam entre si.

Uma analise profunda sobre os conceitos socialistas do ser humano não deixa dúvidas sobre o quanto somos vulneráveis diante de uma sociedade consumista onde o capital está acima de tudo, acaba por escravizar os trabalhadores em nome do dever, da obrigação, exigindo responsabilidades, enquanto o termo liberdade torna-se incoerente. Neste contexto, “o empregado, é um mero item na planilha de custos”, lembra Pertti, condenando a incoerência do sistema capitalista com os trabalhadores.  

Infelizmente diz ele, estamos acostumados a valorizar o lado negativo das coisas em detrimento das ações positivas que nos cercam. Questiona se numa sala de aula, por exemplo, o professor deve concentrar a sua atenção nos alunos desordeiros ou nos que estão concentrados no estudo? Ou uma reunião quando alguém reage com um comentário negativo perante a sua opinião pode roubar a sua atenção, ou você continua concentrado no que é importante? Perguntas como estas são frequentes para analisar as condutas sem que o lado negativo influencie diretamente no que está sendo pensado ou projetado.

Entender a qualidade nas outras pessoas é descobrir o que se tem de melhor, e é neste sentido que Pertti desenrola o novelo prático para entender o ambiente e absorver o que de melhor ele oferece. O exemplo é uma sala de aula onde um aluno bagunceiro altera o comportamento dos estudantes e o professor não consegue acompanhar o ritmo da turma. Neste caso o conselho dado é o de entender o que se passa para só depois adotar medidas para aliviar conflitos.  

Conheci Pertti Simula na Escola Nova Sociedade no município de Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre. Lá estava eu para desenvolver minhas aulas práticas de pedagogia do campo – Projeto Escola da Terra/Ufrgs. Esta escola rural do Estado recebe alunos de um assentamento do MST e lá o método baseado no conceito finlandês é discutido. Josefin Frosström, professora primária de uma escola de Helsinki, aplica a metodologia da sua escola. Do encontro gravei um vídeo, disponível no youtube (disponível no final), que resume o Método Concientia.

O vídeo é pedagógico e tanto Pertti como Josefin explicam situações que podem ocorrer na escola e de que forma a motivação e a cooperação, baseadas na valorização incondicional do educando, podem ser aplicadas respeitando o modo de sentir de cada um dos envolvidos. Ao invés de criticar, apontar o erro, gerar crises na sala de aula é preciso reforçar a habilidade de concentração do aluno para que se sinta valorizado. “Somos espelhos internos entre nós, cada coisa que vejo em você existe em mim também.” Em resumo é preciso inverter a lógica da crítica e incentivar a participação.

Pertti Simula destaca em seus estudos outro fator importante que exige um tratamento diferenciado dentro da escola: a democracia representativa como se aplica na sociedade não funciona em sala de aula e é preciso tomar decisões e buscar rumos de convivência. O espírito de responsabilidade coletiva, segundo ele, deve estar presente. Alerta que não se deve caçoar nem debochar, nem criar conflitos. A turma é que deve agir para resolver as crises muitas vezes agravadas pelo estresse ou até mesmo a dependência química, fatores que também são analisados e questionados na publicação.

Em resumo, fica aqui o gostinho pela leitura e pela prática deste jogo de convivência onde a astúcia do técnico é que vai impor o ritmo da equipe no seu desempenho coletivo. A publicação – Transformação das Relações Humanas e Cooperação – com publicação e lançamento no Brasil é recomendada aos educadores, cooperativas, sindicatos, militância de movimentos populares, para pessoas que lidam com elas próprias e com os outros.

Caviar e torresmo só para os ricos

Alguém sabe explicar por que o torresmo é tão caro?

Me espantei ao ver uma placa num armazém de beira de estrada na região de Vila Maria, anunciando o preço do torresmo. Não acreditei e perguntei ao bodegueiro se aquele valor era real.

– Aqui ainda é cinquenta, mas tem lugar que chega a setenta reais o quilo.

– Caramba, e por quê?

– É o preço.

Fiquei então imaginando que a tal iguaria que sempre faz parte das rodas de samba e pagode e é cantada por músicos e compositores, deve ter passado de um nível de mesa de bar para os restaurantes de luxo ao lado do caviar por exemplo. O garçom anuncia:

– Pra entrada temos as opções de caviar Au Blinis ou torresmo Au Chef Zé Silva. O primeiro é light o segundo nem tanto.

No cardápio aparecem os preços e os acompanhamentos, o caviar é servido com vodca, o torresmo com uma purinha de alambique, o preço é o mesmo.

Há quem diga que o Eike já estava de olho neste novo eldorado, deixando de lado suas minas de ouro para se dedicar a compra e venda de torresmo, um mercado bem mais lucrativo, explorando o porco na origem. Ainda na maternidade o porquinho receberia um brinco de qualidade que o acompanharia do chiqueiro aos embutidos.

Enfim, o torresmo receberia uma avaliação da ANVISA revelando que ele não é prejudicial à saúde como andam falando, que pode fazer parte de uma dieta equilibrada na feijoada e que deve ser consumido com moderação.

O torresmo deixaria de ser o vilão dos gordinhos e se tornaria um complemento rico em proteína com valores diários que não afetam o colesterol.

Surgiria a dieta do torresmo que o Eike exigiria no seu cardápio em Bangu, para repor as calorias desperdiçadas entre uma delação e outra.

O torresmo poderia se tornar sim um vilão da inflação chegado ao ponto de derrubar o Temer e acabaria se transformando em herói nacional. Desbancaria o Renan, o Jucá e o Padilha num piscar de olhos. O Meireles renunciaria e o STF aceitaria a denuncia de golpe do torresmo sem segredo de justiça, mesmo que não houvesse uma explicação clara que incriminasse a supervalorização deste derivado do porco. Enfim, iria direto pra banha.

Retomei a estrada tentando compreender o papel que o torresmo deixa de exercer na vida das pessoas, mas só pude concluir que é mais um alimento que some da mesa do pobre.

Foi aí que entendi uma piada que rola nas redes sociais onde uma mulher pede para que não mandem para ela mensagens de datas especiais como o dia do amigo e termina dizendo:

– Mandem torresmo.

 

Os servidores gauchos e a caça ao pokémon dos salários

O servidor público do estado do Rio Grande do Sul anda azarado no jogo. O aplicativo não serve para encontrar, por exemplo, o pokémon da integralidade salarial. Procuram entre arbustos, bosques e galhos e só encontram o Go em frangalhos.

Noutro dia foram procurar na Secretaria da Fazenda e, sem pista, rolaram escada abaixo, sobrou até pra jornalista.

Só o pokémon do salário parcelado é que tem sido encontrado, mas ele mal chega e sai e é facilmente encontrado na farmácia, no açougue, no supermercado.

Pelo quinto mês consecutivo o governo gaúcho parcela o pagamento dos salários dos servidores (em março foi pago em 9 vezes). O gerente da Loja Piratini, que já foi garoto propaganda da Tumelero, opta pelo pagamento em suaves prestações.

Promoção especial: É pegar ou largar!

A gente brinca, mas a situação é séria.

A pergunta micuim: Porque uns governadores pagaram em dia e outros não?

Vai ser preciso abrir a caixa preta dos cofres públicos pra ver a cor do dinheiro?

Enfim, este pokémon não é nenhum guri arteiro pregando peça no bolso alheio. Ele não descobre onde está o dinheiro. Ai que dor, pokémon assim não serve pro servidor.

Ah, primeiramente, fora com esta conversa de que não há dinheiro, a história é repetitiva e todos sabem onde querem chegar.

 

Os bobos da corte querem me fazer de palhaço

Primeiro a operação para prender perigosos terroristas, entre eles um criador de galinhas do interior gaúcho, com toda a pompa e exorbitância do cargo de ministro da Justiça de Temer, o ex-advogado do Primeiro Comando da Capital – PCC, Alexandre de Moraes. A atitude do ministro de transformar a prisão de suspeitos sem prova alguma num show midiático, foi condenada pelo serviço de inteligência brasileiro alegando entre outras coisas de que ele pode ter alertado os verdadeiros gansos islâmicos. Aliás,o próprio chefe Temer não gostou nada do que viu. 
 
Depois foi a vez do Temer que, na busca pela popularidade, convoca a imprensa para vê-lo buscar o filho na escola numa demonstração narcisista de causar inveja. Paparazzi se engalfinhando para pegar o melhor ângulo, ajudando a derrubar o conceito de quem não consegue decolar. Vale lembrar que o ex-presidente Fernando Collor também fazia da mídia marionetes, na desesperada busca de recuperação da sua decadente popularidade. 
 
Por último o ministro de Relações Exteriores José Serra que não aprendeu a lição da ex-ministra Kátia Abreu que lhe serviu uma taça de vinho sobre o terno, depois de ser deselegantemente chamada por ele de namoradeira. Pois o chanceler, sim, agora Serra é chanceler, foi ao México e lá debulhou mais um rosário de machismo e preconceito contra as mulheres ao dizer que o país da América Central é perigoso porque metade do Senado é formado por mulheres. Não se dando por vencido por sua piada sem graça, convidou a secretária de Relações Exteriores do México para a abertura das Olimpíadas, alertado sobre o perigo da sua vinda que poderá alertar as mulheres brasileiras.
 
No Brasil as mulheres não representam 20% das cadeiras no Senado e elas também não foram lembradas para compor o ministério interino de Temer. Talvez o problema de Serra com as mulheres se explique pelo fato de que nas eleições presidenciais de 2010 ele foi derrotado pela Dilma Roussef.

Que semaninha… Moro, Pesquisa, Temer e as Galinhas

Terminamos uma semana em que o juiz Sérgio Moro disse que não larga o osso, ou seria a cartilagem? de Lula, numa visível demonstração parcial das suas intenções. Ou seja: ele quer ralar o ex-presidente a qualquer preço e para isso toma partido, o que não é nenhuma novidade, mas, enfim, pros menos esclarecidos é bom que se repita.

A Folha de São Paulo pirou na matemática e publicou de forma grosseira, intencional e criminosa os dados de uma pesquisa, colocando em cheque os institutos que trabalham sério na avaliação dos dados. A Folha estampou na capa, sem o mínimo pudor, que 50% dos brasileiros desejavam que o presidente interino, Michel Temer, concluísse o mandato de Dilma e continuasse como presidente até 2018, enquanto apenas 3% do eleitorado era favorável a novas eleições, e apenas 4% desejava que Dilma e Temer renunciassem. De onde saíram os números que protegem um governo impopular, continua sendo uma incógnita.

Por fim, os telejornais oficiais da TV aberta noticiaram durante todo o final de semana que as novas medidas econômicas para o país só serão anunciadas depois da definição do impeachment da presidente afastada. Um deputado da base aliada chegou a alegar que a decisão em não anunciar as medidas seria em respeito à Dilma. Ora, convenhamos, num grupo que vende e entrega a mãe não podemos espera outra a coisa a não ser um pé no traseiro e para anunciar medidas impopulares o caminho deve estar limpo.

Pra terminar, só falta o inter perder pra Ponte Preta e se aproximar da área de exclusão.

Aí eu me isolo, vou plantar batatas, porque criar galinhas ta ficando perigoso.

Levando um lero

Dia de chuva, de mormaço, marrento, eu cheio de textos por fazer, usando repelente para afastar a chicungunha, aí toca o telefone fixo, é do telemarketing:

Cartoon telemarketinDaniel

– Bom dia, aqui é Mirela da Net, com quem eu falo.

– Cáspio

– Como?

– Cáspio, sabe o mar Cáspio?

– Só conheço Cidreira senhor

– É um mar que não tem saída pro mar.

– Não entendi senhor

– Não vem ao caso, é Mirela com “I”

– Com “Y”, e dois elles

– Sei

– Estou ligando senhor pra dizer que a Net e a Oi agora estão juntas, o senhor sabia?

– Não fazia ideia

– Então, eu estou ligando para lhe oferecer um plano tipo ilimitado.

– Opa, ilimitado?

– De Oi pra Oi.

– Assim não me interessa

– Ah, mas tem twitter livre

– Não uso twitter

– Mas tem 1 giga de internet

– Isso dá pra quantos minutos ao dia?

– Depende do quanto o senhor usar

– 24 horas

– Aí não dá

– Mas eu tenho um plano da TIM com internet livre

– Não existe internet livre

– Mas ela fica o ano inteiro ligada e nunca acaba

– Eu conheço plano deles, já tive também, eles dão mais gigas

– E porque vocês não dão?

– É que o nosso é um plano especial

– Especial em quê?

– Eu posso lhe encaminhar a fatura?

– Fatura de quê?

– Do nosso plano especial

– Mas o que ele oferece além da TIM, que também não é lá aquela coisa.

– Então, essa coisa é melhor em nosso plano

– Que coisa?

– A coisa que o senhor reclama

– Mas eu não te falei coisa alguma; que coisa!

– Se o senhor não tá contente com a TIM eu posso encaminhar o melhor plano e a fatura.

– De onde você tirou essa?

– Tá escrito aqui pra eu falar pro senhor, o nosso plano é o melhor de todos

– Melhor em quê, eu quero saber.

– Senhor, mas o combinado é pra eu ligar oferecer o plano e pedir se posso encaminhar a fatura.

– Sem internet ilimitada não tem papo

Nesta hora a moça ficou calada, a linha caiu e ela não retornou mais a ligação, mas quero dizer a Myrella que estou à espera de uma contraproposta, poque a TIM é uma encrenca.

 

Ilustraçao: Daniel Cruz