O Piffero merece uma estátua na Arena Tricolor

A gestão de Vitório Piffero foi tão maléfica ao Internacional, e ao mesmo tempo tão benéfica ao Grêmio que o agora já ex-presidente colorado, já que Marcelo Medeiros, da chapa opositora, foi eleito, no sábado, com uma enxurrada de votos, deveria ser homenageado pelo tricolor.

Não precisamos fazer nenhum esforço de memória para concluirmos que duas das três alegrias da torcida gremista em 2016 foram proporcionadas pelo Inter e seu então presidente.

Quem não lembra que na semana de um Gre-Nal o Piffero mandou embora o técnico Diego Aguirre por birras gratuitas, assim como teve com Mano Menezes e tantos outros. Como resultado o Colorado amargou um histórico placar de 5 a zero. O Vitório entregou de mão beijada a vitória para o Grêmio, por goleada.

A última grande alegria veio ontem, o anunciado rebaixamento do Internacional para a série B do futebol brasileiro. Desde a última quarta-feira os gremistas são só alegria, uma delas proporcionada, novamente pelo Píffero que por se considerar acima de tudo acabou rebaixado. É a soberba levando uma goleada. Vitório, mesmo sendo Vitório, é um perdedor.

Sai pela porta dos fundos, mas merece uma estátua, igual aquela que tem do Fernandão no Beira-Rio, só que na Arena Tricolor.

Sofrer por dentro, calado

Pai e filho assistiam na televisão as últimas notícias sobre o pacote do Governo do Estado propondo a extinção de fundações e autarquias no Rio Grande do Sul, quando o pai não se conteve e largou um sonoro – CRÁPULA.

Com olhar surpreso o filho indagou:

– Porque você votou nele então?

– Porque ele disse que ia mudar

– O quê?

– Tudo meu filho, tudo

– Mas ele tá mudando, cumprindo com o que prometeu

– Mas não deste jeito

– Mas ele explicou o jeito que ia mudar?

– Não filho, não explicou

– Então porque você votou na proposta dele?

– Porque ele me fez pensar assim, mas agora vi que fui enganado

– Mas lá na tua repartição todos votaram nele também

– Sim, a maioria prá não dizer a totalidade

– E agora ele vai acabar com a fundação onde você trabalha e ainda vai te mandar embora

– É o que andam dizendo filho

– Você sempre reclamou do teu salário mesmo, qual é o problema?

– O problema é que vou ficar sem salário embora fosse uma merreca

– Mas você disse que ultimamente não via a cor do dinheiro

– Não, eu não via a cor do salário porque o dinheiro vem em conta-gotas, parcelado

– Mas ele prometeu na campanha que ia parcelar os salários?

– Não, ele não prometeu, aliás, não prometeu nada, não apresentou plano algum

– E vocês votaram nele mesmo assim…

– É filho, foi um lapso

– A tia Veroca bem que avisou

– Mas ela é petralha

– Mas os petralhas não parcelavam os salários

– Sim, isso é verdade, todo o final de mês tava lá na conta, valor integral

– Mas lembro que você vibrou quando o deputado Jardel votou pelo aumento de impostos para pagar em dia os salários dos servidores

– Não lembro disso meu filho

– Sim, você gritou aí nesta mesma poltrona que foi mais um golaço

– Ah, força de expressão porque ele foi meu ídolo no Grêmio

– Você votou nele também, não votou?

– Sim, votei

– Nessa ele errou o cabeceio como diz a tia Veroca, os salários continuam batendo na trave e respingando na rede

– Pois é!

– E agora pai, como vamos sobreviver?

– A gente dá um jeito

– Vou ter que sair da escola particular?

– Era o que eu iria mesmo te falar, temos boas escolas públicas

Aí entra o noticiário nacional da televisão anunciando que o Governo Federal assina medida provisória com mudanças na política para a educação

Os dois ouvem calados que, entre outras coisas, o ensino gratuito deixa de ser prioridade

O pai sofre calado, olhando o boneco do pato na mesa de canto da sala, o nariz de palhaço e a máscara do japonês da federal, que usou nas manifestações a favor do impeachment, dependurados na parede

Na manhã seguinte o filho sai para arrumar um emprego, já com planos de abandonar o ensino fundamental.

 

 

Inter busca titulo inédito

É muita teimosia por metro quadrado. O seu Roth veio para buscar um titulo inédito para o internacional, mas acho que ele não terá esta competência toda. Enfim, não ter plantel é uma coisa, não saber escalar é outra. O consolo dos colorados é que temos o Ânderson, especialista em série B.

Boa viagem pelos gramados brasileiros nunca antes pisados, pelo Campeão de Tudo. Piffero, te iguale ao rival e busque este tão sonhado titulo que falta para o clube, porque entendemos que, na tua avaliação, este é mais fácil de buscar, se não cruzar com o Mazembe é claro. .

Vá se seja feliz com o teu amado técnico e o teu amado atleta do coração.

O torcedor fez a sua parte, mas vocês estragaram tudo.

Parabéns!

O problema do Inter não é o Celso Roth

 

Tem quem teve a coragem de insinuar que a vergonhosa atuação do Inter, no jogo do Beira-Rio neste sábado, contra o Santa Cruz, pudesse ter passado pelos pés do William. Primeiro porque nenhum colorado soube ao certo qual era a posição do jogador na partida. Vi ele jogando mais como centroavante, pasmem, um lateral-centroavante é o – dois em um – inventado pelo técnico que também inventou contra o Mazembe e que entregou o segundo titulo mundial de mão beijada e com um pedido de desculpas.

O William não tem culpa de nada, ele virou um coringa do técnico Celso Roth que para não dar oportunidade ao Seijas, talvez por questões pessoais, improvisa um lateral no ataque. Vi o William apoiando na sua posição de origem e vi o Willian tentando fazer gol, e quase marcou, não fosse a bela defesa do goleiro pernambucano.

O inter perdeu feio, sim, perdeu, pois empatar com o lanterna do brasileirão em casa com 35 mil colorados no estádio é sabor de derrota.

Aí vai culpar o técnico, o Eduardo Henrique que foi expulso? Não é bem assim. Vaiar faz parte do jogo e está no contrato tanto do técnico como do jogador. O Roth não tem culpa, culpado é quem o contratou.

 

Memórias da copa de 70 e a despedida do capitão

Assisti a copa do mundo de 1970 numa TV preto e branco. Era uma Admiral instalada sobre uma prancha de madeira no alto da parede do bar do Renato que ficava no centro da cidade de Colorado no planalto gaúcho.

O sinal da TV era ruim, tinha “chuvisco” e vez que outra, conforme batia o vento minuano do inverno de julho, a antena saia do lugar e era preciso redirecioná-la para a outra antena, a da repetidora, que ficava no alto da torre da igreja.

Para dar uma melhorada na imagem emoor emoção na tela, colocavam-se tiras de papel celofane verde e amarelo o que dava a impressão de uma imagem colorida. Era um verdadeiro avanço, uma tecnologia de vanguarda que se comprava na livraria.

O escrete brasileiro entrava em campo e toda a gurizada se acomodava nas cadeiras de palha do bar e no mais profundo silencio acompanhava a narração do Geraldo José de Almeida. Em campo desfilavam Pelé, Félix, Tostão, Jairzinho, Gerson, Rivelino, Edu, Fontana, Clodoaldo, Piazza e o capitão Carlos Alberto Torres enfrentando figuras lendárias como peruano Cubillas, o uruguaio Mazurkiewicz, alemães como Gerd Müller e Beckenbauer ou ainda Mazzola e Boninsegna da Itália, Bobby Charlton da Inglaterra entre outros.

Na final contra a Itália o Pelé serviu o capitão Carlos Alberto que selou a vitória de 4 a 1, conquistando o tricampeonato mundial de futebol dando um alivio à tensão dos brasileiros. É que omoais vivia sob o regime de exceção dos militares comandados pelo presidente Garrastazu Médici, gaúcho de Bagé, que antes da copa fez com que o técnico João Saldanha, outro gaúcho, mas de Alegrete deixasse o comando da seleção. Médici queria que Saldanha convocasse Dario para a copa do México, mas Saldanha não aceitou, desobedeceu a ordem do general e foi demitido, cedendo o seu lugar ao Zagalo. Coberto de razão João Saldanha desabafou: “O general nunca me ouviu quando escalou o seu Ministério, por que, diabos, teria eu que ouvi-lo agora?”

Mas o time base do Saldanha foi quem trouxe a copa do mundo para o Brasil, e nele estava Carlos Alberto Torres. É mais uma lenda que tomba, como tantas outras do nosso futebol. A seleção de São Pedro recebe um grande reforço. Se ele foi cedo é sinal que o elenco lá de cima precisava de um comandante e o “capita” embarcou para sempre.

Reservas de luxo

A vitória por 2 a 0 contra o Santos na noite desta quarta-feira no Beira-Rio teve um destaque que quase passa despercebido, o retorno do lateral Jefferson que, com atuações irregulares, ficou um bom tempo de molho na reserva.

Laterais como Ceará e Jefferson e uma zaga que tem Alan Costa, Ernando e Eduardo Henrique mais um guardião chamado Danilo Fernandes, pode se afirmar que a meta está bem protegida especialidade do técnico Celso Roth adepto ao modelo “retranquinha amiga”.

Trata-se de feras dotadas das armas necessárias para abater qualquer presa, seja um peixe no fundo do rio ou um azulão que se  arrisca num vôo kamikaze.

A falência da fábrica de secadores

O internacional esteve com o pé na cova duas vezes, ao perder para o Botafogo e na tarde deste domingo no Beira-Rio, ao levar o gol do Flamengo. Mas o torcedor mostrando toda a valentia peculiar para os colorados, tirou o pai da forca. Afinal, “papai é o maior”. Já o Roth pediu para sair ao substituir o Seijas. Fez aquilo que chamaríamos de “última cartada”. Valdívia é uma unanimidade para o torcedor, mas Seijas, não é a unanimidade para o treinador. Poderia ter sacado o Alex, mas não, preferiu tirar o venezuelano, contrariando os 35 mil torcedores que vaiaram copiosamente a decisão. Ninguém entendeu a decisão, só o Roth tinha esta convicção. E deu certo. Foi dos pés de Valdivia que nasceu a jogada do segundo gol, o gol da virada.O chute para a defesa do montanha, perdão, do muralha, foi dele e que Vitinho aproveitou, num tiro cruzado, para decretar a falência da maior fábrica de secadores que se tem conhecimento. A liquidação deverá ser confirmada no próximo domingo.

O Inter não zera a conta

Pior do que tá não fica e não adianta trocar o pneu com o carro andando. Então o Roth fica. O Inter mostrou hoje, no segundo tempo do jogo contra o Atlético Mineiro, que tem peças para sair, assim como o Cruzeiro, da desconfortável posição que ocupa no Campeonato Brasileiro/2016.

O Roth, cabeçudo, como todos sabem, se viu na obrigação de montar um time, embora insista que o Ânderson deva fazer parte do elenco.

Ele só precisa entender que o Seitas e o Nico são fundamentais e que o Sasha não tem condições de titularidade.

Por fim um recado pro Celso: Ninguém esquece que você deixava o Ronaldinho Gaucho na reserva quando treinou o Grêmio achando que ele não cabia no teu time.

O teu time ideal é aquele que a torcida entende que seja o melhor não o que você julgue que é.

Ainda não vamos zerar a conta, continuamos na disputa.

Boa Noite!

Pior do que um mau momento é uma arbitragem comprometida com Jesus

O Inter, não fez um bom jogo no retorno de Falcão e nas estreias do goleiro Lomba e do atacante Ariel. O juiz da partida, André Luiz Freitas de Castro, foi o melhor em campo, desarmou um ataque fulminante colorado e usou de toda a autoridade para aplicar o cartão amarelo no zagueiro Paulão que matou uma jogada que ele mesmo, o juiz, iniciou no campo palmeirense.

Alem do mais deixou de marcar um pênalti do Zé Roberto em Ariel que recém tinha entrado na partida. Não contente o árbitro com toda a sua autoridade também não marcou mão na bola e sem seguida um carrinho do Gabriel Jesus sobre o Dourado. Detalhe, o Jesus já tinha cartão amarelo quando os dois lances aconteceram e poderia ser expulso. A proteção ao menino Jesus foi tanta que o técnico palmeirense, o Cuca, nem se preocupou a substituí-lo.

Enfim, um juiz religioso não pode julgar Jesus.

Morre o João, mas quem parte é o Chico Campos

Ao acordar cedo, leio no whats uma a mensagem do Kiko, meu irmão, comunicando a morte do amigo Chico Campos em Passo Fundo. Logo conferi nas redes sociais a notícia do passamento de João Rodrigues da Silva Campos. Ai me cai a ficha de que o Chico não tinha Francisco no nome, aliás, nem sabia que ele se chamava João. A noite, falando com o amigo e imortal Paulo Monteiro descobri que nem ele sabia que o Chico não assinava Francisco, isso que eram compadres. Enfim, só fomos descobrir no momento derradeiro o seu nome verdadeiro.

Podemos dizer que conhecíamos o Chico Campos por mais de 40 anos, toda a vez que ia a Passo Fundo passava no Bar Oásis para tomar um café e fumar um cigarro avulso e saber do Argeu Santarém, colega jornalista que lutava contra um câncer; eram quase irmãos. O ‘Santa’ morreu não faz muito e levou com ele uma parte do Chico, unidas agora em outra dimensão.

Avesso ou por não ter acesso a boa etiqueta, vestia-se aos trapos e arrastava um tiracolo de lona onde carregava panfletos clandestinos mimeografados com textos e noticias da esquerda durante o regime militar. Era um encrenqueiro com quem usava farda e se caso proibissem qualquer manifestação, lá estava o Chico para mostrar sua desobediência.

Numa tarde de domingo eu cobria um clássico do futebol entre o Gaucho e o 14 de Julho no estádio Wolmar Salton em Passo Fundo. Foi quando notei uma movimentação atrás de uma das goleiras, mas do lado de fora do alambrado. A polícia que fazia a segurança no estádio dividia as duas torcidas, ficando entre elas um espaço vazio. Pois foi neste justo espaço que o Chico Campos resolveu assistir a partida. Os policiais da Brigada Militar que já conheciam sua fama tentaram removê-lo e não conseguindo jogaram a teimosia para dentro do camburão. Foi quando cheguei para defender o amigo e em questão de segundos passamos a dividir o mesmo espaço.

– Porque te colocaram aqui, perguntei pro Chico

– Não sei, e porque você ta aqui dentro?

– Por tua causa, respondi.

O camburão continuou estacionado atrás da goleira e foi de lá que acompanhamos, por uma fresta para a entrada de ar, todo o segundo tempo do clássico, para que, no dia seguinte eu pudesse publicar a minha resenha da partida nos jornais Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde, dos quais eu era correspondente.

Sim, claro, ia me esquecendo, depois do jogo fomos liberados com um pedido de desculpa do comandante que estava no estádio, mas que não agiu para não perder nenhum lance do clássico, acomodado nas tribunas.

Imagino o que deve ter acontecendo na chegada do João Rodrigues da Silva Campos em outro mundo. Deve ter dado o maior rolo no guichê de identificação por causa do nome que não bate com o apelido.