O cabinho da Apple e o da maçã

Você já parou para pensar a importância do cabinho para a maçã?

Ele já brota nela, aliás, vem antes dela nascer. É o embrião, o cordão umbilical da maça e com aquele tamanhozinho faz dela grande e saborosa. É pelo cabinho que passam todas as vitaminas e sais minerais da fruta, o cabinho transporta água, muita água, é uma canalização gota a gota que não precisou de nenhum trabalho de engenharia hídrica para projetar sua função.

O cabinho acompanha a maça durante todo o seu ciclo, e mesmo depois que ela sai do galho ele fica com ela até que alguém resolve arrancá-lo com uma faca, limpar a flunfa que se forma no umbiguinho, devorando, picando ou moendo o seu conteúdo num liquidificador.

O cabinho é fiel à fruta e não fosse ele a lei da gravitação não teria sido formulada por Newton pois a maçã não teria despencado na hora certa na cabeça certa, o que seria um desastre para a física.

O cabinho, no entanto, não pode ser imitado. Steve Jobs que criou a Apple e não conseguiu (?) dar qualidade ao assessório que alimenta o aparelho. O carregador da bateria do telefone é um equivoco da industria eletrônica. Precisa ser trocado a cada seis meses, talvez nem chegue a tanto, a um preço de mais ou menos dez por cento do valor do telefone. Se a Apple acertou na qualidade da maça, errou no cabinho. Ou o equivoco é proposital?

 

Sofrer por dentro, calado

Pai e filho assistiam na televisão as últimas notícias sobre o pacote do Governo do Estado propondo a extinção de fundações e autarquias no Rio Grande do Sul, quando o pai não se conteve e largou um sonoro – CRÁPULA.

Com olhar surpreso o filho indagou:

– Porque você votou nele então?

– Porque ele disse que ia mudar

– O quê?

– Tudo meu filho, tudo

– Mas ele tá mudando, cumprindo com o que prometeu

– Mas não deste jeito

– Mas ele explicou o jeito que ia mudar?

– Não filho, não explicou

– Então porque você votou na proposta dele?

– Porque ele me fez pensar assim, mas agora vi que fui enganado

– Mas lá na tua repartição todos votaram nele também

– Sim, a maioria prá não dizer a totalidade

– E agora ele vai acabar com a fundação onde você trabalha e ainda vai te mandar embora

– É o que andam dizendo filho

– Você sempre reclamou do teu salário mesmo, qual é o problema?

– O problema é que vou ficar sem salário embora fosse uma merreca

– Mas você disse que ultimamente não via a cor do dinheiro

– Não, eu não via a cor do salário porque o dinheiro vem em conta-gotas, parcelado

– Mas ele prometeu na campanha que ia parcelar os salários?

– Não, ele não prometeu, aliás, não prometeu nada, não apresentou plano algum

– E vocês votaram nele mesmo assim…

– É filho, foi um lapso

– A tia Veroca bem que avisou

– Mas ela é petralha

– Mas os petralhas não parcelavam os salários

– Sim, isso é verdade, todo o final de mês tava lá na conta, valor integral

– Mas lembro que você vibrou quando o deputado Jardel votou pelo aumento de impostos para pagar em dia os salários dos servidores

– Não lembro disso meu filho

– Sim, você gritou aí nesta mesma poltrona que foi mais um golaço

– Ah, força de expressão porque ele foi meu ídolo no Grêmio

– Você votou nele também, não votou?

– Sim, votei

– Nessa ele errou o cabeceio como diz a tia Veroca, os salários continuam batendo na trave e respingando na rede

– Pois é!

– E agora pai, como vamos sobreviver?

– A gente dá um jeito

– Vou ter que sair da escola particular?

– Era o que eu iria mesmo te falar, temos boas escolas públicas

Aí entra o noticiário nacional da televisão anunciando que o Governo Federal assina medida provisória com mudanças na política para a educação

Os dois ouvem calados que, entre outras coisas, o ensino gratuito deixa de ser prioridade

O pai sofre calado, olhando o boneco do pato na mesa de canto da sala, o nariz de palhaço e a máscara do japonês da federal, que usou nas manifestações a favor do impeachment, dependurados na parede

Na manhã seguinte o filho sai para arrumar um emprego, já com planos de abandonar o ensino fundamental.

 

 

Rap da PEC e das ocupações

 

                 RAP DA PEC

Nós não queremos – a PEC opressora

Que exclui o aluno – e a professora

 

Escolas de arte – e de filosofia

Escola de música – e de sociologia

Escola do campo – escola da terra

Escola urbana – e da periferia

 

Resistiremos – não vem, não insiste

Não recuaremos – a luta persiste

É nosso direito – a lei nos permite

 

Não privatize – a educação

Nós não queremos – as tuas lições

Nem tua presença – nas ocupações

 

 

O problema do Inter não é o Celso Roth

 

Tem quem teve a coragem de insinuar que a vergonhosa atuação do Inter, no jogo do Beira-Rio neste sábado, contra o Santa Cruz, pudesse ter passado pelos pés do William. Primeiro porque nenhum colorado soube ao certo qual era a posição do jogador na partida. Vi ele jogando mais como centroavante, pasmem, um lateral-centroavante é o – dois em um – inventado pelo técnico que também inventou contra o Mazembe e que entregou o segundo titulo mundial de mão beijada e com um pedido de desculpas.

O William não tem culpa de nada, ele virou um coringa do técnico Celso Roth que para não dar oportunidade ao Seijas, talvez por questões pessoais, improvisa um lateral no ataque. Vi o William apoiando na sua posição de origem e vi o Willian tentando fazer gol, e quase marcou, não fosse a bela defesa do goleiro pernambucano.

O inter perdeu feio, sim, perdeu, pois empatar com o lanterna do brasileirão em casa com 35 mil colorados no estádio é sabor de derrota.

Aí vai culpar o técnico, o Eduardo Henrique que foi expulso? Não é bem assim. Vaiar faz parte do jogo e está no contrato tanto do técnico como do jogador. O Roth não tem culpa, culpado é quem o contratou.

 

O jeito magazine de parcelar salários

Primeiro era culpa da arrecadação do Estado que andava baixa demais, afinal, o contribuinte que votou no Sartori precisava fazer a sua parte, pagar mais impostos e levar o resto junto. Aí, quando o projeto foi a votação na Assembleia faltava um gol decisivo e o Jardel, sempre o matador, decidiu o jogo a favor do governo com um tiro de misericórdia no povo, não daquele povo que votou no projeto de governo que aí está.

Aí os salários continuaram parcelados porque veio a choradeira de que o Governo Federal era cruel ao reter a arrecadação para pagamento de uma divida com a uniao, prejuducando o velho Rio Grande. Então o Governo Federal, diga-se de passagem, o Temer, negociou uma trégua para que toda a arrecadação não fosse mais parar nos cofres de Brasília e todo o dinheiro ficou na caixa forte dos gaúchos, reparando, por um tempo, um problema de renegociação de dívida criado no governo Brito do mesmo partido do Temer e do Sartori.

Mesmo assim salários continuam parcelados e na bula do extrato bancário o receituário vem a conta gotas.

A grande rede de lojas Piratini continua com sua liquidação total, torra os servidores e parcela seu salário em suaves prestações até acabar o estoque. Enfim, é o complexo magazine de governar que começou com uma promoção de pisos da Tumelero.

O perigo ronda a esquina e o resto da rua na cidade toda

Num dia normal de volta pra casa uma vítima se depara com o seu próprio assaltante e os dois travam uma longa conversa. O assalto virou corriqueiro, forma laços de amizade e rede de negócios.

     

Ladrão

(Crônica: Flávio Damiani / Ilustração: Daniel Cruz)

O Doca chegou feliz em casa naquela noite. Depois de um beijo na esposa sentou-se à mesa para ceia, um ensopado de legumes com caldo Knorr. Contou que tinha encontrado o Grilo Manco, um assaltante conhecido e já com clientela estabelecida no Beco da Praça, no centro da cidade, um corredor de arbustos em forma de labirinto, sem saúda para transeuntes desatentos. O Grilo ficou manco depois de dar um bote errado na vitima, o Samurai, um lutador de Jiu-Jitsu que lhe tirou o joelho do lugar, pra sempre.

Antes que Leninha perguntasse por que tinha feito aquele caminho, disse que desta vez o encontrou no ponto de ônibus, que o Grilo recém tinha deixado o seu local de trabalho e reclamando da féria do dia.

– A grana anda curta e os celulares em mau estado de conservação, comentou Grilo.

– Sim, mas no primeiro assalto você levou a minha corrente de ouro 18, lembrou Doca.

– Aquela tá penhorada, respondeu Grilo.

– Bem pensado, disse Doca.

Grilo lembrou que geralmente a primeira vez em que uma a pessoa é assaltada o ladrão tem chances de conseguir bons resultados.

– Depois começam a relaxar com bijuterias.

– A vida não tá fácil pra ninguém.

O amigo assaltante reclamou que precisava tirar umas férias com a família, mas sem carteira assinada não tinha como receber adiantado, nem um décimo terceiro e lamentou que é difícil ter seu próprio negócio.

– O Carijó, lembra daquele grisalho, freguês de caderneta do Presídio Central?

– Lembro, estabelecido preto da Santa Casa?

– Ele mesmo, colocou um BAR

– Olha!!!

– Me disse o outro dia que tem conseguido mais do que nos assaltos.

– E onde fica?

– O BAR?

– Sim, o Bar.

– Não tem um ponto fixo.

– Como assim? E a bebida gelada?

– Você não entendeu, BAR são as iniciais de Bazar de Artigos Roubados

– Ahhhhhh! E eu lá ia saber que existia isso?

– Sim, ele é um atravessador ambulante.

E esposa do Carijó, dona Cotinha também colocara seu próprio negócio, em plena ascensão, um Bazar de Artigos Recuperados na redondeza, que também não deixava de ser um BAR.

Pra não deixar barato e o encontro casual não passar em branco, antes de se despedir e não fugir à sua natureza, Grilo anunciou um assalto amigo, em forma de discurso ao estilo MBA.

– Aí amigão, sabe que eu tenho por você uma enorme admiração, aliás, você já foi, no passado, um dos meus clientes em potencial.

– Sim, depois de rapar tudo o que eu tinha, passamos a cultivar esta amizade, que espero, seja duradoura embora não seja mais tão lucrativa.

– No que você pode me ajudar?

– O celular foi levado ontem pelo teu parceiro do Largo do Mercado.

– A concorrência é violenta.

– Tenho estas moedas, um TRI e uma nota de cinquenta pro lotação e fiquei de comprar um vinho pra levar pra Leninha que me espera pro jantar.

– Então me dá os cinquenta e as moedas e fica com o TRI e eu te devolvo 25 pro vinho, pode ser?

– Combinado, assim tá ótimo.

– Bah! Não tenho 25, leva vinte, o pessoal não tem facilitado o troco, mas acho que dá pra comprar um vinho razoável.

– Um bom tá em torno de 26, 27, por aí.

– Leva trinta então.

– Te agradeço

– Manda um abraço pra Leninha

– Será dado.

Doca pegou a primeira colher de sopa, soprou e levou a boca, mas não sem, antes comentar:

– Este inseto é uma figura, tá se especializando, ficando esperto, educado, gentil. Dá gosto se assaltado assim. Por fim, elogiou o cardápio e o perfume que Leninha estava usando.

– Parece aquele que te dei e que foi levado num assalto.

– Pois é, peguei no BAR da Cotinha.

 

 

Os servidores gauchos e a caça ao pokémon dos salários

O servidor público do estado do Rio Grande do Sul anda azarado no jogo. O aplicativo não serve para encontrar, por exemplo, o pokémon da integralidade salarial. Procuram entre arbustos, bosques e galhos e só encontram o Go em frangalhos.

Noutro dia foram procurar na Secretaria da Fazenda e, sem pista, rolaram escada abaixo, sobrou até pra jornalista.

Só o pokémon do salário parcelado é que tem sido encontrado, mas ele mal chega e sai e é facilmente encontrado na farmácia, no açougue, no supermercado.

Pelo quinto mês consecutivo o governo gaúcho parcela o pagamento dos salários dos servidores (em março foi pago em 9 vezes). O gerente da Loja Piratini, que já foi garoto propaganda da Tumelero, opta pelo pagamento em suaves prestações.

Promoção especial: É pegar ou largar!

A gente brinca, mas a situação é séria.

A pergunta micuim: Porque uns governadores pagaram em dia e outros não?

Vai ser preciso abrir a caixa preta dos cofres públicos pra ver a cor do dinheiro?

Enfim, este pokémon não é nenhum guri arteiro pregando peça no bolso alheio. Ele não descobre onde está o dinheiro. Ai que dor, pokémon assim não serve pro servidor.

Ah, primeiramente, fora com esta conversa de que não há dinheiro, a história é repetitiva e todos sabem onde querem chegar.

 

Os bobos da corte querem me fazer de palhaço

Primeiro a operação para prender perigosos terroristas, entre eles um criador de galinhas do interior gaúcho, com toda a pompa e exorbitância do cargo de ministro da Justiça de Temer, o ex-advogado do Primeiro Comando da Capital – PCC, Alexandre de Moraes. A atitude do ministro de transformar a prisão de suspeitos sem prova alguma num show midiático, foi condenada pelo serviço de inteligência brasileiro alegando entre outras coisas de que ele pode ter alertado os verdadeiros gansos islâmicos. Aliás,o próprio chefe Temer não gostou nada do que viu. 
 
Depois foi a vez do Temer que, na busca pela popularidade, convoca a imprensa para vê-lo buscar o filho na escola numa demonstração narcisista de causar inveja. Paparazzi se engalfinhando para pegar o melhor ângulo, ajudando a derrubar o conceito de quem não consegue decolar. Vale lembrar que o ex-presidente Fernando Collor também fazia da mídia marionetes, na desesperada busca de recuperação da sua decadente popularidade. 
 
Por último o ministro de Relações Exteriores José Serra que não aprendeu a lição da ex-ministra Kátia Abreu que lhe serviu uma taça de vinho sobre o terno, depois de ser deselegantemente chamada por ele de namoradeira. Pois o chanceler, sim, agora Serra é chanceler, foi ao México e lá debulhou mais um rosário de machismo e preconceito contra as mulheres ao dizer que o país da América Central é perigoso porque metade do Senado é formado por mulheres. Não se dando por vencido por sua piada sem graça, convidou a secretária de Relações Exteriores do México para a abertura das Olimpíadas, alertado sobre o perigo da sua vinda que poderá alertar as mulheres brasileiras.
 
No Brasil as mulheres não representam 20% das cadeiras no Senado e elas também não foram lembradas para compor o ministério interino de Temer. Talvez o problema de Serra com as mulheres se explique pelo fato de que nas eleições presidenciais de 2010 ele foi derrotado pela Dilma Roussef.

Que semaninha… Moro, Pesquisa, Temer e as Galinhas

Terminamos uma semana em que o juiz Sérgio Moro disse que não larga o osso, ou seria a cartilagem? de Lula, numa visível demonstração parcial das suas intenções. Ou seja: ele quer ralar o ex-presidente a qualquer preço e para isso toma partido, o que não é nenhuma novidade, mas, enfim, pros menos esclarecidos é bom que se repita.

A Folha de São Paulo pirou na matemática e publicou de forma grosseira, intencional e criminosa os dados de uma pesquisa, colocando em cheque os institutos que trabalham sério na avaliação dos dados. A Folha estampou na capa, sem o mínimo pudor, que 50% dos brasileiros desejavam que o presidente interino, Michel Temer, concluísse o mandato de Dilma e continuasse como presidente até 2018, enquanto apenas 3% do eleitorado era favorável a novas eleições, e apenas 4% desejava que Dilma e Temer renunciassem. De onde saíram os números que protegem um governo impopular, continua sendo uma incógnita.

Por fim, os telejornais oficiais da TV aberta noticiaram durante todo o final de semana que as novas medidas econômicas para o país só serão anunciadas depois da definição do impeachment da presidente afastada. Um deputado da base aliada chegou a alegar que a decisão em não anunciar as medidas seria em respeito à Dilma. Ora, convenhamos, num grupo que vende e entrega a mãe não podemos espera outra a coisa a não ser um pé no traseiro e para anunciar medidas impopulares o caminho deve estar limpo.

Pra terminar, só falta o inter perder pra Ponte Preta e se aproximar da área de exclusão.

Aí eu me isolo, vou plantar batatas, porque criar galinhas ta ficando perigoso.

Pior do que um mau momento é uma arbitragem comprometida com Jesus

O Inter, não fez um bom jogo no retorno de Falcão e nas estreias do goleiro Lomba e do atacante Ariel. O juiz da partida, André Luiz Freitas de Castro, foi o melhor em campo, desarmou um ataque fulminante colorado e usou de toda a autoridade para aplicar o cartão amarelo no zagueiro Paulão que matou uma jogada que ele mesmo, o juiz, iniciou no campo palmeirense.

Alem do mais deixou de marcar um pênalti do Zé Roberto em Ariel que recém tinha entrado na partida. Não contente o árbitro com toda a sua autoridade também não marcou mão na bola e sem seguida um carrinho do Gabriel Jesus sobre o Dourado. Detalhe, o Jesus já tinha cartão amarelo quando os dois lances aconteceram e poderia ser expulso. A proteção ao menino Jesus foi tanta que o técnico palmeirense, o Cuca, nem se preocupou a substituí-lo.

Enfim, um juiz religioso não pode julgar Jesus.