Torcidas do Internacional e do Flamengo engrossam coro contra Bolsonaro

A  mídia oficial e comercial não informa, mas os sites de noticias pelo mundo dão amplo destaque. Fiquei sabendo pelo amigo Pedro de Coimbra, Portugal e fui conferir a mobilização de torcedores de clubes populares do Brasil em relação as declarações, vistas e revistas, do candidato a presidência da República Jair Bolsonaro. Retiro pequenos trechos do Diário do Centro do Mundo. Quem quiser é só ir lá e conferir.

“A torcida do Flamengo é a mais popular do país (…) é inaceitável qualquer declaração preconceituosa de Bolsonaro e seu Vice Mourão, sobretudo ao que tange a população mais pobre (…) ao se referirem a esta parcela considerável das famílias brasileiras de maneira jocosa e desrespeitosa, consideramos tal atitude uma afronta a torcida do Flamengo, maioria absoluta no Rio de Janeiro e no Brasil.” (trecho da nota dos flamenguistas – DCM 23/9/18)

“O Internacional se destacou desde cedo na sua história pela participação de jogadores negros em campo e entre seus torcedores. Também, o clube foi fundado e jogou os primeiros anos num bairro de maioria negra e próximo a comunidades quilombolas. A alcunha de Clube do Povo não veio por acaso. (…) É uma incoerência que um colorado, que conhece e admira a história de seu clube, apoie um candidato que coleciona episódios de racismo.” (trecho da nota dos colorados – DCM 23/9/18)

A atitude de torcedores das duas agremiações se junta aos de Corinthians e Palmeiras que já manifestaram repúdio conclamando seus torcedores a não votarem no candidato.

Um nome para o Júnior

 

Thadeu e Maraysa foram, logo cedo, no cartório da cidade para registrar o recém-nascido.

– Neymar, vai ser o nome dele, diz a mãe com o filho no colo.

– Tem certeza que vai colocar este nome? Pergunta o notário.

O pai tenta justificar sua contrariedade depois de assistir a estreia do futuro xará do seu filho na copa, mas a mulher estava decidida.

– Thadeu, a gente vem combinando o nome do bebê desde o dia em que descobrimos o sexo dele.

– Mas Maraysa, nosso filho vai virar meme, olha o que tá acontecendo.

– Oh Dedeu (apelido no marido), ele tem até uma chuquinha miojo.

– Sim May (apelido dela), mas a onda passa e a chuquinha não vai ficar permanecer para sempre.

– A gente combinou…

– Menos May, dá um desconto, uns dez por cento ao menos.

Observando tudo, o responsável por registrar, definitivamente, o nome do filho resolveu intervir de maneira amigável e porque não, conciliadora.

– Olha pense num familiar querido do qual seu filho possa herdar o nome, o Neymar também herdou, ele é Júnior.

– Taí, respondeu o Thadeu, podemos encontrar uma solução.

– Heródice, com H, nome egípcio do meu pai, pode se chamar Heródice Júnior, disse a mãe.

  1. – Neste caso, Neto, responde o notário.

– Então, porque não Melchyades, com ch e y? Nome do meu avô.

– Nem pensar, a tua avó não queria o nosso casamento, lembra?

– Esloveno então, não tão na copa mas é de onde vieram os antepassados da mãe.

– E o sangue marsupial da minha mãe australiana?…

E ficou aquele jogo de nomes de antepassados e até de heróis de seriados e cinema.

Ela

– Blade Runner, meu preferido em noites de chuva.

Ele

– Vão apelidá-lo de replicante, não dá, quem sabe Magaiver?

Ela

– Nem pensar vai acabar com as tesouras da casa.

Ele

– Ah, já sei, Quelônio, em homenagem ao nosso jabuti, ou snowflake, o morcego que habita o sótão e casa.

Ela

– Aí já é demais, bota Temer de uma vez.

Ele

– Você tá de brincadeira com o nosso filho.

Ela

– Não tou não, tou é irritada, desse jeito ele vai sair daqui registrado como Bolsonaro.

Silêncio repentino, a criança chora, os pais agitados tentam se acalmar e o dono do cartório se posiciona no computador para iniciar o registro d acabar com a discussão…

– Neymar, com y?

 

 

Intolerantes

Acordo na madrugada com aquele apitinho do celular avisando que entrou mensagem via whats.

Logo ouço foguetes e a cachorrada desesperada tentando arrombar a porta de casa.

Lá vou saber eu o que estava acontecendo, se o ano tinha acabado ou tinha começado ou o Temer renunciado. Nenhuma das três opções. Oque ocorreu é que o Grêmio tinha se igualado ao Internacional na Recopa Sulamericana de futebol.

Acalmei os cães que subiram as escadarias para o andar de cima e por pouco não se enfiaram debaixo das cobertas da minha cama. Tiveram o discernimento de ficarem debaixo dela.

Aí fui conferir a hora no celular e vi a mensagem de uma amiga que dizia:

– O GROHE É ILUMINAAAADOOOOO!!!

Concordei e até dei a minha opinião a respeito, respondendo com uma pergunta

– Sim, concordo, ele tem sido um bom goleiro, mas agora ele foi iluminado pela lanterna do gauchão?

Não deu dez segundos e recebi de volta um monte de cobrinhas, lagartixas, sapinhos e emotions de fúria com um recado nada amigável.

– Te bloqueei!

Tem gente que te acorda na madrugada, manda um recado que você não entende do que se trata e não aceita respostas de anuência às suas afirmações.

Antigamente as amizades eram desfeitas por cartas, hoje por aplicativos, a qualquer hora, mesmo ao romper da aurora.

Ô Aveline, e os trinta mil do Nazário?

 

Praticamente todos os jogos no Estádio Beira-Rio eu tenho nas tribunas de imprensa, a companhia dos jornalistas José Aveline Neto e Olides Canton, dois personagens de história, causos e credibilidade da imprensa gaúcha. Eles têm opinião pra tudo e mais um pouco, furungando a vida dos mortais, sejam ou não celebridades, pouco importa. Passam pelo crivo, são jornalistas da cepa, natos, bem informados.

E foi numa destas “expeculações” em terras distantes que o Aveline se complicou ao fotografar uma festa onde estavam os jogadores brasileiros no Japão. Os atletas, entre eles o Ronaldo Fenômeno, comemoravam a vitória brasileira em uma casa noturna na cidade de Seogwipo, depois de um jogo da copa do mundo de 2002. A vitória foi contra a China , os jogadores foram dispensados naquela noite e partiram pra festa. Por ironia do destino escolheram uma boate bem próxima ao hotel onde os jornalistas estavam hospedados.

A notícia correu a bico fino, de orelha em orelha e sem perder tempo lá estava o Aveline com sua máquina fotográfica, para registrar a confraternização que, por certo, seria publicada na revista Gol, especializada em esportes, da qual ele é proprietário e que se sustenta por quase três décadas e meia no mercado gaúcho e nacional.

O assunto estava quase esquecido quando o Olides questionou:

– Ô Aveline e os trinta mil do Nazário?

É que meses atrás, com 15 anos de atraso, a Justiça determinou para que Ronaldo Fenômeno indenize o jornalista em R$ 30 mil por dandos morais, por ter ordenado seguranças a arrancarem o equipamento de trabalho das suas mãos e danificá-lo. Aveline naquela noite fotografava o Ronaldinho Gaúcho do qual é amigo pessoal, mas o Ronaldão se sentiu incomodado e partiu para o ataque, sem bola. O gol é da revista que vai embolsar a quantia, devidamente corrigida.

O melhor ataque é a defesa

 

Saio do Estádio Beira-Rio, depois de um Inter x Londrina, convicto na zaga colorada. Não que seja a maravilha sonhada pelo torcedor, longe disso, mas é artilheira. Cuesta fez o primeiro gol e Klauss, duas vezes, devolveu ao inter a vice-liderança do campeonato numa tarde-noite em que mais de 36 mil torcedores assistiram uma exibição apenas regular do Internacional. Ainda falta um eito para ser o ideal. Foi um presente de dia dos pais do time que traz no hino um trecho que diz: “papai é o maior”.

 

 

Cada qual com seu Guto

Não é um mau técnico, mas não é o melhor. Coloca em campo um time ideal, que não rende o esperado e quando faz alterações, troca mal. Tanto o Guto como o Zago tem um quê de implicância com o Nico Lopes. O cara é sacado de todos os jogos, quando entra em campo é claro. Aí coloca o Brenner, depois tira o Claudio Wink e mantém o Pottker. Deixa o time mais pesado, os dois judiam a bola e afundam o gramado.

O lamentável trio de arbitragem e o comportamento de alguns torcedores depois do jogo contribuíram para sepultar o espetáculo. O antijogo do Criciúma completarou o sofrimento de um futebol pobre de futebol. Lembrando que retranca e catimba fazem parte do jogo.

Já o técnico foi salvo pelo Klaus aos 48 do segundo tempo. Bota sorte nesse cara, tou falando do Guto. Sobrevida por mais uma semaninha, pelo menos.