CHUPA PATO

A turma do pato anda apavorada. Paga, numa só tacada, o maior reajuste de combustíveis da história e não pode tirar passaporte para fugir do país. Sem saída, sofre calada.

  • Pai, a gente não vai pra Disney?
  • Agora não
  • Mas você falou que a gente ia nas férias de julho
  • Não vai dar filho
  • Não tem lugar no avião?
  • Não, o que não tem é passaporte, a Policia Federal não tem material pra fornecer passaporte.
  • Por que?
  • O governo não liberou verba
  • Então porque a gente não vai pra serra ver a neve?
  • O preço da gasolina disparou filho
  • É por isso que a mãe falou no café da manhã que a coisa tá complicada?
  • Sim filho, complicou de vez
  • Mas o Temer não ia resolver tudo? Aquela vez que eu fui pra rua ver o pato com você era pra derrubar a Dilma e colocar o Temer que tudo ia melhorar, você falou.
  • Brinca no teu game e não faça perguntas filho
  • Vamos passar as férias em casa?
  • Se quiser, podemos dar uma volta na quadra e voltar logo porque a rua não é segura.
  • Mas paaaai….
  • Fiiilho!!!!!

Cegueira

Leio num misto de desânimo e preocupação, as postagens indignadas de brasileiros e de brasileiras referentes a atitude das quatro senadoras da nação, tentando impedir a aprovação, sem cortes, da proposta do Executivo que altera as leis trabalhistas no Brasil. O que mais chama a atenção é o fato das pessoas condenarem as marmitas servidas às quatro mulheres entrincheiradas, deixando de lado os motivos pelos quais elas estavam lá. Tambem preocupa esta capacidade de indignação sobre o que assistem e a total falta de memória das pessoas quando se refere a diagnosticar problemas. Preferem se manifestar contra as marmiteiras e alimentar a cegueira, enquanto o país mergulha na lama da corrupção e do desmando. Chega a ser triste pensar que estas pessoas que escolhem os representantes que vão decidir o futuro de todos, tenham uma visão superficial das coisas. Pacatas na frente da TV, ficam sensibilizadas com a ferida Exposta, visível, sem dar importância a doença silenciosa que consome o corpo.

A república dos trouxas

Boquiabertos, os protestantes que sairam às ruas na esperança de Justiça, se vêem tomados por um golpe desferido de dentro do próprio judiciário. O Ministro Marco Aurélio Melo foi bondoso com o Aécio Neves e mandou que ele reassumisse o cargo de Senador – pra que sofrer tanto desgaste politico se só fez o que os outros também fazem?

Já o ministro Edson Fachin teve piedade do Rodrigo Rocha Loures que nunca tinha ficado na cadeira e é de família tradicional e de conduta ilibada. Voltou para casa com uma coleirinha no calcanhar. Claro que haverá uima vigilância redobrada nos passos que ele vai dar. O pato da FIESP somos nós e o golpe da capa preta, alertado pelo Brizola, está em marcha.

Encontro dois manifestantes lançando farpas, irônicas farpas.
– Toma seu trouxa, quem mandou protestar?
– Achei que todos estavam contra a corrupção…
– Nem todos
– Aliás muitos
– Bastante
– Talvez a maioria
– Que declara não ter um corrupto de estimação
– Integramos a república dos trouxas

O que vai ficar díficil de entender nesta disputa de poder que transformou o Brasil, é a diferença entre o bem e o mal. O mal já leva uma larga vantagem.

 

Nossas vidas valem menos do que as do lado de lá?

Comparem – Um homem é morto por atiradores que passaram disparando contra pessoas que estavam numa parada de ônibus no centro de Porto Alegre no final da tarde deste sábado, 3 de junho.

Quase no mesmo horário, do outro lado do mundo, em Londres, também ocorreram mortes de pessoas que estavam nas ruas.

A manchete, o destaque e o envio de correspondentes foi para Londres.

Lá, tês homens atropelaram com uma van os pedestres na famosa London Bridge.

Aqui o ataque foi no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros com a  Riachuelo, no coração da Capital e os atiradores tambem estavam de van.

A pergunta é: Por que os dois ataques com vans em vias públicas recebem tratamentos diferenciados?

Seria lá por causa do terror? Mas aqui foi um horror e espalhou o terror em quem passava por lá. Nenhuma repercussão, nenhum depoimento, nenhuma narrativa do drama das ruas. 

Levo a pensar que o tratamento da nossa violência é infinitamente inferior, talvez por questões não tão transparentes como deveriam ser. Afinal, executaram alguém com ficha corrida, mas tinham mulheres, crianças, trabalhadores que retornavam para casa depois de um dia de labuta. 

Custo acreditar que a criatividade em questionar do nosso jornalismo se perdeu por completo, ao ponto de acharem mais interessante os oerigos do  primeiro mundo, repercutindo apenas o que acontece com os outros sem perceber que o crime mora ao lado. Se a elite não for perturbada, não tem notícia.

Se vale pra Chico vale pra Francisco

A grande mídia, por interesse ou por descuido, fez uma tremenda confusão em relação a aprovação do teto na Câmara, na quinta-feira passada.
O que aconteceu foi o seguinte:
O prefeito cortou o salário dos servidores públicos com dedicação exclusiva que ele mesmo estabeleceu por decreto. Se é por decreto, não está na constituição. O teto estabelecido foi de R$ 19 mil aos servidores de carreira, portanto, concursados.
Ao mesmo tempo o prefeito mandou para a Câmara um projeto que dá gratificação para três secretários (Parcerias Estratégicas, Saúde e Fazenda) na ordem de 70% de R$ 13 mil, mais o salário da origem, sem teto. Tem salário que chegaria a R$ 38 mil.
A Câmara estipula que há teto em Porto Alegre e ele está na constituição do estado e vale para todos.
Foi isso que ocorreu.
Cumpra-se a lei que é esta aí: § 12 do artigo 37 da Constituição Federal inserido pela emenda 47 de 2004. Implantado no Rio Grande do Sul através de emenda a constituição do estado de nº 57 de 21/05/2008 que definiu o limite único como teto do funcionalismo, o subsidio do desembargador.
Vale para os três poderes.

Botando a carroça na frente dos bois

Os senhores da capa preta andam pisando na barra da toga, engolindo a saliva e beijando o chão.

Um procurador do Ministério Público Federal, adepto às  plataformas digitais, monta um PowerPoint para desmascarar um ex presidente. Uma roleta russa onde o alvo era a cara do cara.

Começo a pisar na barra da capa preta e se desequilibrar perante a opinião pública. O show não é função dele. O palco é dos réus e não dos senhores da lei.

O mesmo procurador, Deltan Dallagnol, tempos depois, se adiantou à instituição superior, deu o passo maior que a perna e foi ao chão, sem nem mesmo pisar na barra da capa.

Foi fazer uma média com o superior, o chefe se zangou e soltou o Zé Dirceu.

Agora é a vez do Juiz de Direito dar seu show. Sérgio Moro quer porque quer ficar frente a frente com o ex-presidente Lula, olhar no olho, mesmo que para terminar a sessão sem arrancar contra ele.  E Le não precisa disto, mas acobertado pela grande mídia não vai, de forma alguma, dispensar os holofotes.

A reforma de um apartamento ou um sítio em Atibaia é café pequeno perto de tudo o que puseram as mãos, mas o Juiz insiste na tecla. Prefere investigar a chinelagem em detrimento aos verdadeiros ladrões que estão aí, soltos, no comando da nação.

Os ladrões de galinha sempre levaram a pior enquanto os Eikes faziam fortuna em obscuros negócios. É fácil identificar quem afana uma penosa no escuro, porque as demais galinhas acusam as irregularidades no galinheiro para que os cães de guarda ajam de forma rápida e eficaz para evitar que o larápio fuja do telhado.

Já os gatunos, também conhecidos pelas alcunhas de gato fino ou colarinho branco mandam prender o larápio, para dar o exemplo em nome da moral e dos bons costumes, fazem o que chamam de chinelagem desocupar suas terras para dar lugar a grandes empreendimentos e sentam o porrete no colono que se recusa a deixar seu espaço, tudo em nome da democracia. Aliás, desde quando os poderosos dependem da democracia?

Enfim, como disse um frade certa vez quando decretaram o estado laico e mandaram retirar os crucifixos das repartições públicas. Quando questionado respondeu:

– Eu não quero ver um crucifixo dentro do congresso, ou de uma delegacia, ou de um tribunal, ou de um hospital, ou em qualquer lugar onde a lei não é cumprida e os direitos humanos não são respeitados.

A Justiça continua atuando a serviço dos poderosos e os poderosos são, comprovadamente, criminosos. Neste ritmo de trapalhadas Dallagnol soltou Zé Dirceu e Moro vai eleger o Lula. Só que esta parte do show não estava no script.