A primeira aparição do homem do tempo no Jornal do Almoço

Início dos anos 90, período em que eu coordenava o Jornal do Almoço da RBS TV lá no morro Santa Teresa, o Cléo fazia as suas primeiras participações na Rádio Gaúcha despejando chuvas e agonizando secas por todo o estado. Cléo trazia para os noticiários uma voz diferenciada para os padrões do rádio, alguns tons bem abaixo do que qualquer agudo dos mais afiados locutores e repórteres.

Naquele verão o Rio Grande do Sul sofria com uma estiagem sem precedentes. Plantações secando, gado morrendo de sede anunciando uma quebra recorde de safra.

Liguei para o Cléo no 8º Distrito de Meteorologia para bater um papo sobre aquele momento e dos riscos da seca para os gaúchos.

Pois o meteorologista foi tão convincente que na hora, mesmo sem conhecê-lo, resolvi convidar para que participasse do Jornal do Almoço naquele mesmo dia.

No horário marcado lá estava o entrevistado na redação do JA. Em seguida a produtora Marinês Canton foi até o suíte master, onde eu ficava para colocar o jornal no ar e me perguntou:

– Você conhece o entrevistado do tempo?

– Não, por quê?

– E então desce e dá uma olhada.

Barba de bom velhinho, camisa xadrez, cabelos espetados tipo Andy Warhol vendendo suas latas de feijões.

Meu Deus, pensei… o cabelo dá pra resolver na maquiagem, mas a camisa…

Aquele xadrez de “rasgar o vídeo”, linguagem dos diretores de imagem, poderiam interferir na leitura da câmera e comprometer o sinal e em último caso, reparando exageros, tirar o programa do ar.

Foi quando então que a Marinês achou a solução.

– Uma camisa do Lauro Quadros, eles tem o mesmo porte físico e o Lauro sempre guarda camisas de reserva na maquiagem, disse ela.

Nem dez minutos depois, com o cabelo levemente lambido por uma camada de gel o Cléo Kuhn estreou no Jornal do Almoço, vestindo uma camisa lisa, graças aos caprichos do Lauro Quadros.

Virei amigo do Cláo e cheguei a pegar uma carona no mesmo dia. O carro eu não lembro direito, acho que era um Chevette que precisou de um empurrãozinho para pegar no tranco e deslizar morro abaixo.