Aí vem o Fufuca

O deputado federal André Fufuca, 28 anos, assume a presidência da Câmara dos Deputados enquanto o presidente da Câmara Rodrigo Maia vai ocupar o lugar de Temer, no período em que o Temer leiloa o Brasil na China.

Fufuca é o protótipo do guri que não precisou se esforçar para correr atrás de votos, pois é herdeiro dos velhos figurões da política do Maranhão entre eles o seu pai, o Fufuca mais rodado, que é prefeito de uma cidade do interior. Nasceu no PSDB, foi para o PEN e hoje está no PP, tudo isso em menos de sete anos. É da turma do Eduardo Cunha, inclusive nem apareceu para votar, certamente contra, a cassação do seu pastor. Também entendeu que não havia  motivos para o impeachment do Temer, mas votou pelo da Dilma. Enfim, um exemplo de coxinha, mimado e bem mandado.

Pois é este grande chefe que vai comandar a reforma política do país no período em que exercerá a presidência da Câmara Federal. Meu Fuca na garagem não acreditou quando contei para ele que o futuro político da nação estava nas mãos da família. Só acreditou quando liguei o rádio e se certificou de que não se tratava de nenhuma pegadinha. Fiquei com a impressão que o “Mujiquinha”, como é carinhosamente tratado, baixou os faróis e deu um suspiro de rebaixar a suspensão. Não foi comemoração, senão teria buzinado.

Com certeza os ocupantes do mais alto escalão da nação brasileira tomaram todas as precauções para que o Fufuca não desgoverne e coloque em risco o plano em marcha. Como ele já passou pelo PEN, certamente já vem com Drive instalado com o manual de instruções incluido, é só baixar.

Mimados

Poucos sabem muito sobre um todo, mas a maioria sabe de tudo um pouco. São os de opinião formada, que dão pitaco nas respostas alheias e não querem retruque. São características do comportamento humano, os chamados donos da verdade desde que observadas suas tolerâncias.

Estudos, teses e pesquisas que levam anos e mais anos para comprovar suas afirmações não tem a mínima importância, comparado a letra de uma música chata que repete a mesma coisa, mas que empolga e ao mesmo tempo desvia a atenção para questões maiores como entender o milagre do Inter disparar na série B e o Grêmio despencar na série A.. A mesma análise cabe aos discursos vagos e procaicos de quem só quer chamar a atenção sem que suas afirmações tornem-se práticas para salvar o planeta e resolver para sempre os problemas do mundo.

A diferença da música é que ela não exige o mínimo de raciocínio e a tese requer o conhecimento. O discurso é dizer o que o outro quer ouvir e concordar com tudo, um blefe, e tem os que caem na conversa, mimados pelas promessas fáceis sem esforço ou desafios, tornam-se acomodados e isso na política tem um valor extraordinário. No circo do poder o povo faz papel de fantoche.

Para eles, o melhor é abreviar, não gastar a memória em questões complicadas, demoradas. É mais simples digitar o número, confirmar e chegar em casa no horário do almoço, beber, comer, ouvir aquela música e logo esquecer quem foi que você escolheu para ser teu representante e continuar reclamando de tudo, culpar a todos, eximindo-se, no entanto, da sua própria culpa. É preciso participar do processo e conhecer os ingredientes e não esperar para receber tudo pronto.

Quem cozinha conhece a melhor parte do prato que prepara e pode escolher ficar com a melhor fatia. Assim como no assado o espeto final é o do churrasqueiro, ou da diretoria, como queiram.

Opressores, oprimidos e o código de convivência no mesmo espaço.   

No momento em que o Brasil vive uma crise institucional sem precedentes, a editora Expressão Popular lança um livro que obriga qualquer cidadão a refletir sobre a realidade em que vivemos. Realidade que extrapola todos os conceitos de liberdade, participação e inclusão dos povos provocada pela tirania de um governo impopular, ilegítimo, corrupto, de ficha corrida exposta, caça os direitos dos trabalhadores, arma um bote mortal nos aposentados e destrói a educação, cortando verbas de pesquisa e sinalizando com a privatização das universidades públicas.

O livro “Transformação das Relações Humanas e Cooperação,” do finlandês Pertti Simula, (272 páginas), materializa conceitos e contextualiza fórmulas de se viver em um ambiente onde, no âmbito do Estado, as leis sejam estruturadas para que o povo organize suas atividades econômicas, políticas, sociais e culturais pela iniciativa do coletivo e não por decisões monocráticas de quem quer que seja.

Pertti Simula é um psicanalista, consultor e formador em escolas da Finlândia, Suécia e no Brasil, especificamente nos assentamentos de reforma agrária. A obra é fruto de sua atividade terapêutica individual e coletiva nesses três países. Traz uma abordagem do Método Conscientia, desenvolvido há mais de trinta anos com trabalhadores da educação, saúde e assistência social.

Os desafios da cooperação humana, seja na escola, no trabalho ou na sociedade são a tônica do livro que levam a refletir sobre as causas e a consequente tomada de consciência do que nos cerca. A violência do sistema capitalista sobre o comportamento humano é detalhado de forma simples e didática, acessível a qualquer leitor. A costura dos temas e a sua relação com a vida derrubam barreiras, esclarecem dúvidas e abrem caminhos. Os textos conversam entre si.

Uma analise profunda sobre os conceitos socialistas do ser humano não deixa dúvidas sobre o quanto somos vulneráveis diante de uma sociedade consumista onde o capital está acima de tudo, acaba por escravizar os trabalhadores em nome do dever, da obrigação, exigindo responsabilidades, enquanto o termo liberdade torna-se incoerente. Neste contexto, “o empregado, é um mero item na planilha de custos”, lembra Pertti, condenando a incoerência do sistema capitalista com os trabalhadores.  

Infelizmente diz ele, estamos acostumados a valorizar o lado negativo das coisas em detrimento das ações positivas que nos cercam. Questiona se numa sala de aula, por exemplo, o professor deve concentrar a sua atenção nos alunos desordeiros ou nos que estão concentrados no estudo? Ou uma reunião quando alguém reage com um comentário negativo perante a sua opinião pode roubar a sua atenção, ou você continua concentrado no que é importante? Perguntas como estas são frequentes para analisar as condutas sem que o lado negativo influencie diretamente no que está sendo pensado ou projetado.

Entender a qualidade nas outras pessoas é descobrir o que se tem de melhor, e é neste sentido que Pertti desenrola o novelo prático para entender o ambiente e absorver o que de melhor ele oferece. O exemplo é uma sala de aula onde um aluno bagunceiro altera o comportamento dos estudantes e o professor não consegue acompanhar o ritmo da turma. Neste caso o conselho dado é o de entender o que se passa para só depois adotar medidas para aliviar conflitos.  

Conheci Pertti Simula na Escola Nova Sociedade no município de Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre. Lá estava eu para desenvolver minhas aulas práticas de pedagogia do campo – Projeto Escola da Terra/Ufrgs. Esta escola rural do Estado recebe alunos de um assentamento do MST e lá o método baseado no conceito finlandês é discutido. Josefin Frosström, professora primária de uma escola de Helsinki, aplica a metodologia da sua escola. Do encontro gravei um vídeo, disponível no youtube (disponível no final), que resume o Método Concientia.

O vídeo é pedagógico e tanto Pertti como Josefin explicam situações que podem ocorrer na escola e de que forma a motivação e a cooperação, baseadas na valorização incondicional do educando, podem ser aplicadas respeitando o modo de sentir de cada um dos envolvidos. Ao invés de criticar, apontar o erro, gerar crises na sala de aula é preciso reforçar a habilidade de concentração do aluno para que se sinta valorizado. “Somos espelhos internos entre nós, cada coisa que vejo em você existe em mim também.” Em resumo é preciso inverter a lógica da crítica e incentivar a participação.

Pertti Simula destaca em seus estudos outro fator importante que exige um tratamento diferenciado dentro da escola: a democracia representativa como se aplica na sociedade não funciona em sala de aula e é preciso tomar decisões e buscar rumos de convivência. O espírito de responsabilidade coletiva, segundo ele, deve estar presente. Alerta que não se deve caçoar nem debochar, nem criar conflitos. A turma é que deve agir para resolver as crises muitas vezes agravadas pelo estresse ou até mesmo a dependência química, fatores que também são analisados e questionados na publicação.

Em resumo, fica aqui o gostinho pela leitura e pela prática deste jogo de convivência onde a astúcia do técnico é que vai impor o ritmo da equipe no seu desempenho coletivo. A publicação – Transformação das Relações Humanas e Cooperação – com publicação e lançamento no Brasil é recomendada aos educadores, cooperativas, sindicatos, militância de movimentos populares, para pessoas que lidam com elas próprias e com os outros.

O caso da Venezuela caiu de maduro para a direita brasileira

Vejo com certo encanto e adivinhação, o descalabro da direita que, nos últimos dias, tem inundado as páginas do facebook para pregar o ódio contra o governo da Venezuela. Até a descontrolada e possuída do capeta, Janaina Paschoal, quer que o Temer dê um golpe no Maduro. Seria uma gloriosa ação da quadrilha instalada no poder brasileiro, dar um golpe em outro país. Como pano de fundo, o que a direita quer mesmo é proteger seus corruptos de estimaçao, acobertar seus erros e desviar a atenção da nação. Não vejo outra justificativa.

Panelaço, patos e nariz de palhaço estão fora de cogitação aqui, mas se encaixa na Venezuela. Só não vão lá por extrema covardia, mas como todo o bom covarde, que agride quem não se defende e não sabe se defender, lança sua artilharia de longe, brincadeiras, aliás, que os americanos e os coreanos sabem exercer com maestria.

No caso do Brasil, a crise venezuelana veio a calhar no momento em que a rosa dos ventos, tenta erguer o tapete e expor toda a sujeira depositada debaixo dele pelo congresso nacional que inocentou o governo Temer e seus aliados, com o apoio do  vento negro, que insiste em desviar a rosa da sua rota normal.

O caso na Venezuela, que se arrasta por anos, sem que fosse dado grande importância, só veio à tona agora para os brasileiros, justo no momento que os senhores do golpe precisaram de um fato novo para desviar a atenção do povo e abrir caminho para que o ataque em marcha faça o estrago que se avizinha. O impasse no pais vizinho chegou na hora certa, literalmente caiu de maduro.

A PELEJA DO MAL CONTRA O BEM

Montaram a baderna

Armou-se a fuzarca

Em nome do bem

O mal se destaca.

 

Roubaram a crença

Do povo sofrido

Que desprevenido

Confiou no poder.

 

Um bando de arteiros

Urubus, carniceiros,

Aniquilaram num golpe

A constituição.

 

Caçaram direitos

De um povo liberto

Só eles tão certos

Em toda a nação.

 

Desviam recursos

Não sobra dinheiro

Segurança, saúde

Em má situação.

 

O mal se supera

E o bem não convence

O mal s’empodera

Em nome do bem.

 

E o povo perdido

Confia na mídia

Espera Justiça

Que tarda ou não vem.

 

E já não entende

Por que tanta briga

Por que tanta gente

Na tal confusão?

 

E lá na igreja

Procura resposta

apegado na crença

Ajoelha no altar.

 

Por bem meu senhor

M’explica afinal

Se o mal o bem

Ou se o bem faz o mal?

 

CHUPA PATO

A turma do pato anda apavorada. Paga, numa só tacada, o maior reajuste de combustíveis da história e não pode tirar passaporte para fugir do país. Sem saída, sofre calada.

  • Pai, a gente não vai pra Disney?
  • Agora não
  • Mas você falou que a gente ia nas férias de julho
  • Não vai dar filho
  • Não tem lugar no avião?
  • Não, o que não tem é passaporte, a Policia Federal não tem material pra fornecer passaporte.
  • Por que?
  • O governo não liberou verba
  • Então porque a gente não vai pra serra ver a neve?
  • O preço da gasolina disparou filho
  • É por isso que a mãe falou no café da manhã que a coisa tá complicada?
  • Sim filho, complicou de vez
  • Mas o Temer não ia resolver tudo? Aquela vez que eu fui pra rua ver o pato com você era pra derrubar a Dilma e colocar o Temer que tudo ia melhorar, você falou.
  • Brinca no teu game e não faça perguntas filho
  • Vamos passar as férias em casa?
  • Se quiser, podemos dar uma volta na quadra e voltar logo porque a rua não é segura.
  • Mas paaaai….
  • Fiiilho!!!!!

Cegueira

Leio num misto de desânimo e preocupação, as postagens indignadas de brasileiros e de brasileiras referentes a atitude das quatro senadoras da nação, tentando impedir a aprovação, sem cortes, da proposta do Executivo que altera as leis trabalhistas no Brasil. O que mais chama a atenção é o fato das pessoas condenarem as marmitas servidas às quatro mulheres entrincheiradas, deixando de lado os motivos pelos quais elas estavam lá. Tambem preocupa esta capacidade de indignação sobre o que assistem e a total falta de memória das pessoas quando se refere a diagnosticar problemas. Preferem se manifestar contra as marmiteiras e alimentar a cegueira, enquanto o país mergulha na lama da corrupção e do desmando. Chega a ser triste pensar que estas pessoas que escolhem os representantes que vão decidir o futuro de todos, tenham uma visão superficial das coisas. Pacatas na frente da TV, ficam sensibilizadas com a ferida Exposta, visível, sem dar importância a doença silenciosa que consome o corpo.

A república dos trouxas

Boquiabertos, os protestantes que sairam às ruas na esperança de Justiça, se vêem tomados por um golpe desferido de dentro do próprio judiciário. O Ministro Marco Aurélio Melo foi bondoso com o Aécio Neves e mandou que ele reassumisse o cargo de Senador – pra que sofrer tanto desgaste politico se só fez o que os outros também fazem?

Já o ministro Edson Fachin teve piedade do Rodrigo Rocha Loures que nunca tinha ficado na cadeira e é de família tradicional e de conduta ilibada. Voltou para casa com uma coleirinha no calcanhar. Claro que haverá uima vigilância redobrada nos passos que ele vai dar. O pato da FIESP somos nós e o golpe da capa preta, alertado pelo Brizola, está em marcha.

Encontro dois manifestantes lançando farpas, irônicas farpas.
– Toma seu trouxa, quem mandou protestar?
– Achei que todos estavam contra a corrupção…
– Nem todos
– Aliás muitos
– Bastante
– Talvez a maioria
– Que declara não ter um corrupto de estimação
– Integramos a república dos trouxas

O que vai ficar díficil de entender nesta disputa de poder que transformou o Brasil, é a diferença entre o bem e o mal. O mal já leva uma larga vantagem.

 

Nossas vidas valem menos do que as do lado de lá?

Comparem – Um homem é morto por atiradores que passaram disparando contra pessoas que estavam numa parada de ônibus no centro de Porto Alegre no final da tarde deste sábado, 3 de junho.

Quase no mesmo horário, do outro lado do mundo, em Londres, também ocorreram mortes de pessoas que estavam nas ruas.

A manchete, o destaque e o envio de correspondentes foi para Londres.

Lá, tês homens atropelaram com uma van os pedestres na famosa London Bridge.

Aqui o ataque foi no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros com a  Riachuelo, no coração da Capital e os atiradores tambem estavam de van.

A pergunta é: Por que os dois ataques com vans em vias públicas recebem tratamentos diferenciados?

Seria lá por causa do terror? Mas aqui foi um horror e espalhou o terror em quem passava por lá. Nenhuma repercussão, nenhum depoimento, nenhuma narrativa do drama das ruas. 

Levo a pensar que o tratamento da nossa violência é infinitamente inferior, talvez por questões não tão transparentes como deveriam ser. Afinal, executaram alguém com ficha corrida, mas tinham mulheres, crianças, trabalhadores que retornavam para casa depois de um dia de labuta. 

Custo acreditar que a criatividade em questionar do nosso jornalismo se perdeu por completo, ao ponto de acharem mais interessante os oerigos do  primeiro mundo, repercutindo apenas o que acontece com os outros sem perceber que o crime mora ao lado. Se a elite não for perturbada, não tem notícia.

Se vale pra Chico vale pra Francisco

A grande mídia, por interesse ou por descuido, fez uma tremenda confusão em relação a aprovação do teto na Câmara, na quinta-feira passada.
O que aconteceu foi o seguinte:
O prefeito cortou o salário dos servidores públicos com dedicação exclusiva que ele mesmo estabeleceu por decreto. Se é por decreto, não está na constituição. O teto estabelecido foi de R$ 19 mil aos servidores de carreira, portanto, concursados.
Ao mesmo tempo o prefeito mandou para a Câmara um projeto que dá gratificação para três secretários (Parcerias Estratégicas, Saúde e Fazenda) na ordem de 70% de R$ 13 mil, mais o salário da origem, sem teto. Tem salário que chegaria a R$ 38 mil.
A Câmara estipula que há teto em Porto Alegre e ele está na constituição do estado e vale para todos.
Foi isso que ocorreu.
Cumpra-se a lei que é esta aí: § 12 do artigo 37 da Constituição Federal inserido pela emenda 47 de 2004. Implantado no Rio Grande do Sul através de emenda a constituição do estado de nº 57 de 21/05/2008 que definiu o limite único como teto do funcionalismo, o subsidio do desembargador.
Vale para os três poderes.