Cuidado! Lobão convida Heitor, Cícero e Prático para um encontro – pode ser armadilha.

O cantor e compositor Lobão convidou Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque para uma espécie de debate ideológico pacífico com a desculpa de rever seus pontos de vista. Em meio a uma crise existencial ao que parece, o músico, que prometeu deixar o Brasil caso Dilma ou a esquerda vencessem as eleições, mas não cumpriu a promessa. Agora quer conversar como “pessoas crescidas que estão nessa luta por um Brasil mais justo” e mais, cada um à sua maneira. Lobão, todos sabem, é admirado pela direita e os outros defendem idéias de esquerda e no caso do Chico, já foi hostilizado por um grupo playboy da noite carioca.

O que preocupa é que a espécie predadora nunca foi confiável. É só rememorar histórias como Chapeuzinho Vermelho – Charles Perrault, com o lobo tentando se passar por vovozinha, ou como vilão na história dos Três Porquinhos de Jacobs. Nos dois casos, tanto a ira quanto a gula denunciam os pecados capitais, fora a traição que é uma das virtudes de caça da alcateia.

Portanto, é preciso ter cuidado, muito cuidado ao aceitar uma proposta sinistra. Afinal, lobo em pele de cordeiro é o que mais se encontra por aí, na calada da noite ou no sol do meio dia.

Se confirmado, que o encontro ocorra nomRio, de pr gerência na Floresta da Tijuca mas, por precaução, é melhor que vá junto o caçador e se reservem algumas pedras para a história ficar completa e ter certeza de que o Lobão vai desaparecer quando for beber água.

O pescador artesanal e a burocracia oficial

 

No litoral de Santa Catarina descubro que o Ministério Público, certamente provocado pela Vigilância Sanitária quer, em 2016, proibir a venda de pescados para os bares e restaurantes, o que normalmente é feito na beira da praia, acabar com o livre comércio assim que os barcos retornarem do mar com a feira do dia.

Os pescadores que madrugam para buscar o peixe de cada dia, faça chuva, frio ou ventania, não podem mais barganhar os preços com os clientes e entregar linguado, anchova, tainha, corvina, viola, pescadinha, arraias, calamares, polvos, ostras, mariscos e camarões que abastecem o comércio. O medo dos pescadores no entanto é que a onda pegue também os moradores e turistas que levam para suas casas, na quantidade exata, em sacolinhas plásticas com a marca estampada do mercadinho da vila.

Sem entrar no mérito da ação da promotoria fico aqui pensando que a história e a tradição passada de geração para geração se vê em apuros com uma simples proibição que qualquer leigo sabe a que vem. Afinal é mais fácil arrancar tributos que quem tem apenas a força do braço para trabalhar.

Comprar peixe fresco na areia da praia é um costume que vem de barcos desde que se conhece o remo. Tema de musicas, livros, poemas onde o “vender o peixe” tornou-se um adágio, um ditado popular tão próximo, que não pode ser arrancado assim como se destrincha a um pescado. Os negros escravos, os índios, os portugueses que colonizaram esta costa rica e bela do país criaram seus filhos, formaram suas vilas e cidades rasgando ondas com a quilha das canoas para garantir o sustento do povo e desenvolver da economia do lugar.

Obrigar o pescador a virar negociante com papel de alvará, obrigações com o erário público que não lhe dá o mínimo de dignidade nem a tábua para limpar peixe e cobra tributos, fazer com que todo o lanço seja submetido à inspeção sanitária e exercer um controle ao qual o pescador não está acostumado é acabar com uma liberdade histórica dos costumes e da cultura de pesca e de renda na beira da praia.

Se tal ação é indispensável, que forme então esta mentalidade nas novas gerações e deixe que estes que estão aí continuem a vida que sempre tiveram vendendo seu peixe como sempre,m garantindo uma farta variedade de frutos do mar, de venda picada, no varejo, espantando as varejeiras, para garantir nossas paellas, sequências, moquecas, peixadas fritas e ensopadas e a misturadas com tudo um pouco nas caldeiradas. Por enquanto as normas vão valer para os pescadores da Costa Leste na ilha de Florianópolis, mas vai que se espalhem litoral afora.

Antes que isso ocorra estamos aqui, solidários, defendendo o nosso entreposto pelo fim das manobras, e para que o peixe que cair na rede só enfrente as marolas para chegar mais rápido à nossa mesa.

Enfim,

Oremos pelas boas intenções

Pelo incentivo à pesca artesanal

E pelo fim das sanções

Que só favorecem o atravessador parasitário

Que faz de hospedeiro o homem do mar

Amém!

 

Uma baixa no SOS Rio da Madre

A morte precoce do surfista Ricardo dos Santos (Ricardinho), assassinado com três tiros por um alucinado policial militar do estado de Santa Catarina na praia da Guarda do Embaú no dia 20 de janeiro, cala uma voz em defesa de uma das mais belas paisagens litorâneas do Brasil. O Rio da Madre que vem da Serra do Tabuleiro e desemboca no mar bem em frete a casa onde o surfista morava está no meio de uma grande polêmica envolvendo de um lado a natureza selvagem e do outro lado um gigantesco empreendimento imobiliário, fruto de um capitalismo igualmente selvagem. Ricardinho integrava o projeto SOS Rio da Madre que quer evitar a a construção de uma gigantesca obra que colocará em perigo a pratica do surf nesta praia simples e pacata, mundialmente conhecida.

Pois o projeto de um megaempreendimento conhecido como Resort Porto da Baleia, já está pronto e deve ser erguido numa área verde da cidade de Paulo Lopes. Esta área era intocável até 2009, quando a Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina aprovou a sua desindexação do Parque da Serra do Tabuleiro. Casualmente em seguida veio a noticia do gigantesco projeto.

Desde então os surfistas e as comunidades que sobrevivem do Rio da Madre tem procurado ajuda para impedir a construção que colocaria em risco o surf na Guarda do Embaú não tem encontrado lá muito respaldo. A mídia cala e as autoridades desapropriam na calada da noite. Estudos comprovam que o Rio da Madre deposita sedimentos que contribuem para a formação de bancos de areia que fazem a Guarda mundialmente conhecida para a prática do esporte. Para lembrar, a Guarda concorre ao titulo internacional de Reserva Mundial de Surf. Mas nem tudo está perdido, a prática do surf poderá ser substituída pela construção de um campo de golfe previsto no projeto.

Ah. Mas ainda há uma última esperança, é que a Fatma, a desacreditada Fundação do Meio Ambiente do estado de Santa Catarina, metida em escândalos, desvios, corrupção e favorecimentos, está de olho no empreendimento, e já iniciou estudos para avaliar o projeto. Mas fiquem tranqüilos, se os avaliadores da Fatma se renderem, o projeto vai precisar ainda de uma LAI – Licença Ambiental de Instalação e por último uma LAO – Licença Ambiental de Operação.  Sem estas duas não tem conversa e a peleia deverá violenta pela melhor fatia do bolo, é claro.

Já tivemos um caso do juiz Lalau e agora dependemos da LAI-LAO… ai, ai!

Ricardinho velho de guerra; intercede pela Guarda aí de cima pra que a coisa não vire um “Seja lá o que Deus quiser”, sem o aval dele, entre os homens de más intenções na guerra contra os de boa vontade. Amém!