Bons antecedentes desprezados na troca de favores

 

Não escapa ninguém, todos têm culpa no cartório, ou melhor, na Justiça, na Polícia Federal, em casa ou no quintal de casa. Nomeia-se ministro e lá vem uma extensa ficha corrida.

A ministra indicada para a pasta do trabalho, Cristiane Brasil, explora seu motorista e empregados domésticos, não paga os encargos trabalhistas e ainda por cima não cumpre decisão judicial.

O substituto dela na Câmara dos Deputados, Nelson Nahim do Rio de Janeiro, responde a processo-crime por abuso sexual de incapazes.  Ele foi condenado a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável, coação no curso do processo e exploração sexual de adolescentes no caso que ficou conhecido como “Meninas de Guarus”. Saiu da cadeia em outubro passado para virar deputado.

O ministro Eliseu Padilha da Casa Civil é outro com extensa ficha corrida por exploração de trabalho escravo em suas fazendas e problemas de ocupação ilegal de áreas para exploração imobiliária e a pratica de negócios obscuros ou para pegar leve, falta decoro.

Outro ministro, Moreira Franco, que comanda a Secretaria-Geral da presidência da República, foi citado dezenas de vezes em delações oficiais dos executivos da empreiteira Odebrecht na Operação |lava Jato, passou a ter foro privilegiado e só pode ser eventualmente julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

O presidente da República Michel Temer, responde a dois processos-crime por corrupção e por integrar organização criminosa no STF e continua no Palácio do Planalto. Articulou o golpe contra a ex-presidente Dilma Roussef com o apoio de deputados, senadores, empresários, correntes do Judiciário, mídia entre outros, para manterem seus privilégios e imunes aos crimes que praticam.

Do outro lado da rua de Brasília, senadores, atolados na corrupção e desvios de verbas públicas. Na Câmara, deputados negociam volumosos recursos em troca de votos para uma reforma que, pelo o que eu vejo na propaganda da TV não vai mudar em nada a vida do brasileiro. Então, para que reforma e os bilhões, sim, bilhões de reais para a compra de votos e publicidade se o próprio governo diz que nada vai mudar?

Ah e tem o Gilmar, e também tem o diretor do Departamento e Trânsito – Detran, de Minas Gerais, um cidadão de nome César Augusto Monteiro Alves Junior, com 120 pontos na carteira e que continua no cargo.

No Brasil a ficha suja não é mais pré-requisito para ocupar cargo político. No Brasil os vigaristas ocupam gabinetes enquanto a ética, a moral e uma coisa chamada honestidade ficam em casa para se proteger da bandidagem. Que que eu vou dizer para os meus netos…

A corrupção não muda, mudam os criminosos

As formas de divisão setorial e hierárquica da administração pública surgiram na Grécia, mas foi na Roma antiga que teve ela teve um caso com a corrupção, criou raízes, dependência e proliferou.

Raízes da corrupção

A corrupção tornou-se um modismo ao ponto de ser uma prática já natural adotada por quem precisasse do serviço público. Os romanos tinham uma tabela de preços dos serviços sujeitos à corrupção.

A corrupção na sociedade portuguesa, nos tempos do Brasil Colônia, se fez presente em todos os níveis. Os chamados “amigos do rei” não faziam nada de útil, mas em troca de favores, ganhavam títulos e terras.

Aos militares cabiam prender os criminosos, mas ao contrário, encabeçavam, ao lado da elite imperial, a lista da corrupção que ia do campo à cidade, exigindo dízimos sobre tudo o que era produzido pelos agricultore, ou até mesmo para desfrutar de uma simples folga, o soldado ou o servidor subornavam o diretor.

Escrevo só para lembrá-lo do Brasil de hoje, em que o modelo de corrupção pode ser lido na sua mais pura definição. Sem alterações. Depende como você quer interpretá-lo.

O Brasil de Catilinas

As Catilinárias são uma série de quatro discursos célebres do romano Marco Túlio Cícero, pronunciados em 63 a.C. Mesmo passados mais de dois mil anos, ainda hoje são repetidas as sentenças acusatórias de Cícero contra Catilina, declaradas em pleno senado romano.

Aí vai um desafio para possamos adaptar o discurso aos temos de hoje. Se fosse para substituir o nome Catilina, quem você colocaria?

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!

#SAGAZ – A MULHER DO VOO DO JUCÁ

Você já imaginou, alguém que se sente dono do mundo, campeão das mutretas, craque em desvios, doutor em corrupção, chefe de quadrilha de uma das muitas facções que ocupa o governo de um país, ser abordado por uma “pirralha”, ao entrar num avião, rumando para um voo internacional para se encontrar com o presidente da China?

Foi o que sentiu na pele o senador “Caju”, codinome que Romero Jucá recebeu da empreiteira Odebrecht por se tratar de um dos maiores corruptos do Brasil, ao ver uma senhora, armada com uma camera e uma serie de questionamentos para um esclarecimento ao vivo nas redes sociais.

Aí o camarada empurra a mala, que sabe-se lá o que tem dentro dela, e ao se acomodar no assento do corredor ouve uma voz feminina se aproximado com um recado nada amistoso para um político que se acha intocável e popular:

“Romero? Excelentíssimo senador, tudo bem? Gente, o Romero Jucá, do grande acordo nacional, com Supremo e com tudo!” 

https://www.youtube.com/watch?v=yIH64QRcAOk

Era a blumenauense Rúbia Sagaz (ela tem face), de 33 anos, que abordou na noite da última quinta-feira (3011), o senador Jucá do PMDB de Roraima, durante voo Brasilia São Paulo.

É uma assistente social que lavou a alma, axilas e o resto, como ela mesma diz, ao confrontar o senador. Quase levou um tabefe dele, mesmo assim, manteve o pulso firme amparando um celular, registrando a conversa cara a cara.

A atitude acima de tudo um ato de coragem pela pátria. Enquanto a grande maioria do poder rouba em nome da pátria, uma mulher, sozinha, tomada de um senso de moral intenso, tem a bravura de representar todos aqueles que calam diante de tanta podridão que fede pelos corredores da nação.

Ainda ouvi numa radio gaucha, dois apresentadores com nomes de personagens de filmes infantis “Herry Potter e a Bela Adormecida”, de que foi um exagero o que ela fez com o senador. Ah, e ainda lembraram que o Chico Buarque foi insultado por alguns playboyzinhos num bairro nobre do Rio de Janeiro. Ora, ser insultado por coxinhas não é nenhum constrangimento, e sim um reconhecimento.

Somos todos Rúbia Sagaz, que agiu de acordo com o sobrenome. #sagaz.

Declarando guerra ao ladrão de carpins

 

Agora chega, já esgotou a paciência. É muita ousadia no mesmo dia.

Coloco as roupas na máquina, entre elas três pares de meias. Depois de lavadas só restam três carpins, um de cada pé.

Carpins 1

Já estou saturado destes furtos. Eles vinham ocorrendo eventualmente, mas nunca tantos sumiram num mesmo ataque, é muita provocação. Das outras vezes relevei, mas agora a reação foi pra valer. Armado de chave de fenda, alicate e facão três listas bem afiado para o caso de encontrar alguma resistência no caminho, parti para o ataque.

Desmontei a máquina de lavar inteira, inspecionei os canos e mangueiras, depósito de flunfa da lavadora e quase mergulhei no sumidouro.

Sem encontrar uma única pista nesta minha investigação pessoal concluí que o ladrãozinho de carpins estaria por perto rindo da minha cara, zombando da minha indignação ao dependurar um pé de cada meia no varal. Claro que não eram de boa qualidade, foram arrematados num balaio no bazar na Rua Voluntários da Pátria, mas eram meus.

Carpins 2

De uma coisa eu tenho certeza, se é que existe o tal duende que rouba meias para zombar da gente ele deve ser perneta ou usar pares que não combinam. Ainda vou dar o flagrante e esclarecer a dúvida.

Da próxima vez colocarei as meias na máquina, as que sobraram, chamarei os meus dois cachorros para me ajudarem a vigiar. Estarei portando o três listras e um bodoque com bolitas de vários tamanhos. Se ele inventar de abrir a tampa da lavadora ou utilizar qualquer outro meio para acessar os carpins terá a devida recepção, vai ser o massacre da funda. Com tantas armas letais, a vitória tá no papo.

Aí vem o Fufuca

O deputado federal André Fufuca, 28 anos, assume a presidência da Câmara dos Deputados enquanto o presidente da Câmara Rodrigo Maia vai ocupar o lugar de Temer, no período em que o Temer leiloa o Brasil na China.

Fufuca é o protótipo do guri que não precisou se esforçar para correr atrás de votos, pois é herdeiro dos velhos figurões da política do Maranhão entre eles o seu pai, o Fufuca mais rodado, que é prefeito de uma cidade do interior. Nasceu no PSDB, foi para o PEN e hoje está no PP, tudo isso em menos de sete anos. É da turma do Eduardo Cunha, inclusive nem apareceu para votar, certamente contra, a cassação do seu pastor. Também entendeu que não havia  motivos para o impeachment do Temer, mas votou pelo da Dilma. Enfim, um exemplo de coxinha, mimado e bem mandado.

Pois é este grande chefe que vai comandar a reforma política do país no período em que exercerá a presidência da Câmara Federal. Meu Fuca na garagem não acreditou quando contei para ele que o futuro político da nação estava nas mãos da família. Só acreditou quando liguei o rádio e se certificou de que não se tratava de nenhuma pegadinha. Fiquei com a impressão que o “Mujiquinha”, como é carinhosamente tratado, baixou os faróis e deu um suspiro de rebaixar a suspensão. Não foi comemoração, senão teria buzinado.

Com certeza os ocupantes do mais alto escalão da nação brasileira tomaram todas as precauções para que o Fufuca não desgoverne e coloque em risco o plano em marcha. Como ele já passou pelo PEN, certamente já vem com Drive instalado com o manual de instruções incluido, é só baixar.

Mimados

Poucos sabem muito sobre um todo, mas a maioria sabe de tudo um pouco. São os de opinião formada, que dão pitaco nas respostas alheias e não querem retruque. São características do comportamento humano, os chamados donos da verdade desde que observadas suas tolerâncias.

Estudos, teses e pesquisas que levam anos e mais anos para comprovar suas afirmações não tem a mínima importância, comparado a letra de uma música chata que repete a mesma coisa, mas que empolga e ao mesmo tempo desvia a atenção para questões maiores como entender o milagre do Inter disparar na série B e o Grêmio despencar na série A.. A mesma análise cabe aos discursos vagos e procaicos de quem só quer chamar a atenção sem que suas afirmações tornem-se práticas para salvar o planeta e resolver para sempre os problemas do mundo.

A diferença da música é que ela não exige o mínimo de raciocínio e a tese requer o conhecimento. O discurso é dizer o que o outro quer ouvir e concordar com tudo, um blefe, e tem os que caem na conversa, mimados pelas promessas fáceis sem esforço ou desafios, tornam-se acomodados e isso na política tem um valor extraordinário. No circo do poder o povo faz papel de fantoche.

Para eles, o melhor é abreviar, não gastar a memória em questões complicadas, demoradas. É mais simples digitar o número, confirmar e chegar em casa no horário do almoço, beber, comer, ouvir aquela música e logo esquecer quem foi que você escolheu para ser teu representante e continuar reclamando de tudo, culpar a todos, eximindo-se, no entanto, da sua própria culpa. É preciso participar do processo e conhecer os ingredientes e não esperar para receber tudo pronto.

Quem cozinha conhece a melhor parte do prato que prepara e pode escolher ficar com a melhor fatia. Assim como no assado o espeto final é o do churrasqueiro, ou da diretoria, como queiram.

O causo do casal do pau oco de Colorado

Árvores podem viver eternidade, comparadas à idade humana. Um jequitibá-rosa de Santa Rita de Passa-Quatro, São Paulo, por exemplo, tem mais de três mil anos e é a árvore mais velha catalogada no Brasil.

Mas no município de Colorado, bem na região do planalto gaúcho uma árvore não tão frondosa e nem tão antiga como o velho Jequitibá se tornou famosa por ter amparado o casal do pau oco em seu tronco sem a pretensão de entrar para a história.

Reza o falatório que foi o olho clínico do escultor com inclinação ao barroco, Luiz Damiani, que percorrendo as terras da família, deparou-se com dois grandes nós no tronco de uma árvore oca, de madeira morta e desfolhada. Raciocínio rápido, não perdeu a oportunidade de colocar em prática a sua criatividade. Munido de martelo e talhadeira deu asas à imaginação. Dos entalhes surgiram um homem e uma mulher que pareciam conversar num local nada convencional. Ele não calculava, no entanto, as proporções que a sua criação artística tomaria daquele dia em diante.

Na mesma época, lá pelos idos dos anos 60, corria na cidade um boato sobre o sumiço de um casal de namorados cujos pais não aprovavam a união. Anoiteceram e não amanheceram no povoado. As suspeitas recorrentes eram as de que eles tinham se retirado para um lugar secreto para dar um fim às suas vidas, numa jura de amor eterno, além da vida terrestre. Soube-se depois que eles fugiram para o Mato Grosso na busca da paz e da felicidade, vivendo felizes para sempre.

O seu Bigio, um lenhador negro que carregava nas costas um saco enorme, cheio de quinquilharias e que botava medo nas crianças, costumava cortar o caminho de casa usando a trilha do mato de onde ele já havia sacrificado centenas de árvores e que conhecia como a palma da mão. Mas naquele dia ele ouviu na cidade que a alma do casal desaparecido andava assombrando o povoado. Enquanto avançava entre as arvores, mascando fumo em rama e loco para chegar em casa e se jogar na cama, ia matutando sobre as histórias que ouviu no armazém. Gostava de exagerar na cachaça e naquele dia não foi diferente. Achava que aquela era uma história bizarra, mentira das grandes.

– Desde quando se viu fantasma por aqui, eles não existem e se existem é causo pra assustar bobo, pregar peça em quem tem medo. Ia pensando em voz alta.

Bigio se considerava um valentão, afinal, botava medo na gurizada, gostava de trago e tabaco, e ainda por cima era um demolidor das matas. Não era de graça que seu sobrenome era Machado.

Mais alguns passos, a visão dele se esbugalhou, os olhos saltaram, o saco de estopa voou pelos ares e o descrente tomou o caminho contrário de onde vinha, pros rumos do campo aberto. Corria feito boi desgovernado, se enroscou numa cerca de arame farpado antes de avançar numa plantação de milho. Tropeçou em morangas e abóboras, rolou mais do que correu e abriu uma trilha no milharal. Só parou nos fundos de uma serraria onde se jogou com a roupa esfarrapada debaixo da bica que movia a roda d’água que por sua vez acionava as engrenagens da serra mestra do engenho de madeira. Achou que o banho frio o despertaria do pesadelo, de um sonho que não aconteceu.

Mais tarde contou toda a verdade sob o olhar desconfiado dos marceneiros que não acreditaram na história. Naquela noite, por motivos alheios, arrepiado de medo, ele dormiu por lá, num cochão de serragem, prometendo a si mesmo que nunca mais beberia uma única gota de álcool. Tornou-se abstêmio, até a morte.

No dia seguinte um guri, sem saber da história, percorria a mata assoviando feito pintassilgo, com o bodoque engatilhado, pronto para abater, caso atravessasse, uma rolinha gorda e distraída, que seria o almoço do dia. Por perto também estava o artista, contemplando a sua obra. Ao ver que o amigo se aproximava, tratou de se esconder no tronco para lhe dar um susto, coisa comum entre a criançada do interior e em seguida disparou um diálogo áspero. Do nada, gritos estranhos e inesperados romperam o silêncio da mata, afugentaram os pássaros, coelhos, pacas e ratões e, claro o amigo que disparou entre as árvores num emaranhado de cipós, pata de vaca e unhas de gato. Foi grito por toda parte, o artista imitando um casal brigado e o guri aos berros abrindo caminho no emaranhado de plantas achando que o casal, que viu de relance, eram fantasmas que alcançavam seus calcanhares. Todo arranhado rompeu a casa mais próxima, feito um raio. Levou um bom tempo para tomar fôlego e relatar o que acabara de ver. Logo chegou o artista com cara de inocente, mas ao notar que o coração do amigo estava prestes a sair pela boca, resolveu se desculpar e falar a verdade.

Mesmo assim, ao retornar para casa ele não mais tomou o caminho do mato, traçou um novo rumo, fazendo uma longa volta pela estrada. Não queria novas surpresas, nem novas emoções, nem mesmo novas aventuras. O susto bastou para deixá-lo desconfiado, podia não acreditar em assombração, mas vai que elas existem? Enfim, “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”

Foto do criador e suas criaturas para provar que o causo tem procedência e foi documentado

Luiz Damiani

Opressores, oprimidos e o código de convivência no mesmo espaço.   

No momento em que o Brasil vive uma crise institucional sem precedentes, a editora Expressão Popular lança um livro que obriga qualquer cidadão a refletir sobre a realidade em que vivemos. Realidade que extrapola todos os conceitos de liberdade, participação e inclusão dos povos provocada pela tirania de um governo impopular, ilegítimo, corrupto, de ficha corrida exposta, caça os direitos dos trabalhadores, arma um bote mortal nos aposentados e destrói a educação, cortando verbas de pesquisa e sinalizando com a privatização das universidades públicas.

O livro “Transformação das Relações Humanas e Cooperação,” do finlandês Pertti Simula, (272 páginas), materializa conceitos e contextualiza fórmulas de se viver em um ambiente onde, no âmbito do Estado, as leis sejam estruturadas para que o povo organize suas atividades econômicas, políticas, sociais e culturais pela iniciativa do coletivo e não por decisões monocráticas de quem quer que seja.

Pertti Simula é um psicanalista, consultor e formador em escolas da Finlândia, Suécia e no Brasil, especificamente nos assentamentos de reforma agrária. A obra é fruto de sua atividade terapêutica individual e coletiva nesses três países. Traz uma abordagem do Método Conscientia, desenvolvido há mais de trinta anos com trabalhadores da educação, saúde e assistência social.

Os desafios da cooperação humana, seja na escola, no trabalho ou na sociedade são a tônica do livro que levam a refletir sobre as causas e a consequente tomada de consciência do que nos cerca. A violência do sistema capitalista sobre o comportamento humano é detalhado de forma simples e didática, acessível a qualquer leitor. A costura dos temas e a sua relação com a vida derrubam barreiras, esclarecem dúvidas e abrem caminhos. Os textos conversam entre si.

Uma analise profunda sobre os conceitos socialistas do ser humano não deixa dúvidas sobre o quanto somos vulneráveis diante de uma sociedade consumista onde o capital está acima de tudo, acaba por escravizar os trabalhadores em nome do dever, da obrigação, exigindo responsabilidades, enquanto o termo liberdade torna-se incoerente. Neste contexto, “o empregado, é um mero item na planilha de custos”, lembra Pertti, condenando a incoerência do sistema capitalista com os trabalhadores.  

Infelizmente diz ele, estamos acostumados a valorizar o lado negativo das coisas em detrimento das ações positivas que nos cercam. Questiona se numa sala de aula, por exemplo, o professor deve concentrar a sua atenção nos alunos desordeiros ou nos que estão concentrados no estudo? Ou uma reunião quando alguém reage com um comentário negativo perante a sua opinião pode roubar a sua atenção, ou você continua concentrado no que é importante? Perguntas como estas são frequentes para analisar as condutas sem que o lado negativo influencie diretamente no que está sendo pensado ou projetado.

Entender a qualidade nas outras pessoas é descobrir o que se tem de melhor, e é neste sentido que Pertti desenrola o novelo prático para entender o ambiente e absorver o que de melhor ele oferece. O exemplo é uma sala de aula onde um aluno bagunceiro altera o comportamento dos estudantes e o professor não consegue acompanhar o ritmo da turma. Neste caso o conselho dado é o de entender o que se passa para só depois adotar medidas para aliviar conflitos.  

Conheci Pertti Simula na Escola Nova Sociedade no município de Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre. Lá estava eu para desenvolver minhas aulas práticas de pedagogia do campo – Projeto Escola da Terra/Ufrgs. Esta escola rural do Estado recebe alunos de um assentamento do MST e lá o método baseado no conceito finlandês é discutido. Josefin Frosström, professora primária de uma escola de Helsinki, aplica a metodologia da sua escola. Do encontro gravei um vídeo, disponível no youtube (disponível no final), que resume o Método Concientia.

O vídeo é pedagógico e tanto Pertti como Josefin explicam situações que podem ocorrer na escola e de que forma a motivação e a cooperação, baseadas na valorização incondicional do educando, podem ser aplicadas respeitando o modo de sentir de cada um dos envolvidos. Ao invés de criticar, apontar o erro, gerar crises na sala de aula é preciso reforçar a habilidade de concentração do aluno para que se sinta valorizado. “Somos espelhos internos entre nós, cada coisa que vejo em você existe em mim também.” Em resumo é preciso inverter a lógica da crítica e incentivar a participação.

Pertti Simula destaca em seus estudos outro fator importante que exige um tratamento diferenciado dentro da escola: a democracia representativa como se aplica na sociedade não funciona em sala de aula e é preciso tomar decisões e buscar rumos de convivência. O espírito de responsabilidade coletiva, segundo ele, deve estar presente. Alerta que não se deve caçoar nem debochar, nem criar conflitos. A turma é que deve agir para resolver as crises muitas vezes agravadas pelo estresse ou até mesmo a dependência química, fatores que também são analisados e questionados na publicação.

Em resumo, fica aqui o gostinho pela leitura e pela prática deste jogo de convivência onde a astúcia do técnico é que vai impor o ritmo da equipe no seu desempenho coletivo. A publicação – Transformação das Relações Humanas e Cooperação – com publicação e lançamento no Brasil é recomendada aos educadores, cooperativas, sindicatos, militância de movimentos populares, para pessoas que lidam com elas próprias e com os outros.

O melhor ataque é a defesa

 

Saio do Estádio Beira-Rio, depois de um Inter x Londrina, convicto na zaga colorada. Não que seja a maravilha sonhada pelo torcedor, longe disso, mas é artilheira. Cuesta fez o primeiro gol e Klauss, duas vezes, devolveu ao inter a vice-liderança do campeonato numa tarde-noite em que mais de 36 mil torcedores assistiram uma exibição apenas regular do Internacional. Ainda falta um eito para ser o ideal. Foi um presente de dia dos pais do time que traz no hino um trecho que diz: “papai é o maior”.