Mitos

Procusto é um personagem da mitologia grega, portanto, um mito. Simboliza a negação da ciência e a relativização de vidas humanas. Era um gigante que trabalhava em uma estalagem nas altas colinas de Ática, onde oferecia hospedagem para os viajantes. Na casa em que morava, na serra de Elêusis, ele tinha uma cama de ferro, com o seu exato tamanho, e era ali que ele acolhia os viajantes.

Se fossem altos, Procusto decepava pés e cabeças para ajustá-los à cama e os de pequena estatura eram esticados até atingirem o tamanho suficiente. Daí o nome, Procusto “o esticador”. Enquanto aplicava a punição às suas vítimas, repetia: “Se você se destacar, cortarei seus pés. Se você demonstrar ser melhor que eu, cortarei sua cabeça.”

O mito deu origem à síndrome de Procusto, reconhecida pela psicologia e psicanálise. É um conceito de oportunismo, que aparece no ambiente de trabalho e de largo emprego na política para destruir quem é mais preparado, inteligente. É assim que o portador da síndrome expõe o seu arrogo, sua estupidez. Boicotam ideias com a intenção de diminuí-los. É o egoísmo sobre aqueles que prosperam.

Ao perceber alguma vitória que não a sua, a pessoa sente-se extremamente  ameaçada e não consegue comemorar algo que não seja feito por ela. Enfim, são pessoas com perfis frustrados ou autoestimas muito frágeis, avessos a lideranças e desafios.

Antes que eu esqueça, deixa contar como acabou o reinado de terror do nosso personagem. Ele foi capturado pelo herói ateniense Teseu, que o prendeu em sua própria cama e cortou-lhe a cabeça e os pés, aplicando-lhe a mesma crueldade que sentenciava aos seus hóspedes.

Por aqui aguardamos um Teseu que, ou estique a corda, ou corte o mal pela raiz.

 

Perguntinha complicada

No ônibus, sentado ao lado de uma senhora de aparência humilde, ao passar pela Avenida Mauá no centro de Porto Alegre, ela olha uma enorme faixa no prédio da “ocupação Saraí” e me pergunta:
– Eles invadiram este prédio?
– Não, eles ocuparam, quando alguma coisa está desocupada, se ocupa.
– Ahhhmmm
– Invasão é quando alguém chega na sua casa, lhe coloca pra fora e fica morando lá.
– Entendi.
– É mais ou menos o que os Estados Unidos fazem com os árabes, os africanos e outros países pelo mundo, reforcei o argumento.
Ela não pareceu muito interessada no meu argumento, até me pareceu tê-lo ignorado.
Mais uns meros a frente ela, pensativa e preocupada, diz:
– E eles pagam água e luz?
Putz!!!

O pó dos delírios

Procurem entender a minha angustia – na madrugada estou escrevendo, com a janela aberta pro lado do mato, com o ventilador de teto na testa porque não suporto o ar refrigerado. Lá pelas tantas dou uma pausa para esvaziar o que sobrou na xícara de café preto, mais pra frio do que pra morno. Depois do último gole sinto que duas asas se manifestaram no fundo da caneca. Alguém sabe afinal, se o pó da asa da mariposa é fatal?

Por que fui perguntar? Os amigos me tiraram, atocharam todas pelas redes sociais, desde pó alucinógeno ao ataque de caganeira, ou que mata em três ou quatro dias.

Pura mentira, deveriam trabalhar pro Bolsonaro, patrocinados pelo véio da Havan, de tanto fake que inventaram.

Tou aqui, vivinho da silva. Nada de alucinógeno, só ainda um pouco alucinado com o que aconteceu.

Um Prometeu às avessas

O asseverado Bolsonaro, um Prometeu tupiniquim, nada comparado ao titã grego, prometeu acabar com privilégios e acabou com o horário de verão.

Prometeu acabar com o PT e acabou com seu próprio partido.

Prometeu acabar com os altos salários e acabou com o salário mínimo.

Prometeu prioridades aos trabalhadores, acabou com o emprego e a aposentadoria.

Prometeu o fim da mamata e acabou com a maminha.

Promete acabar com a pobreza… classe média, abra o olho com este cara aí.

Prá pensar – Como alguém que foi um completo fracasso até os 30 anos de idade se tornou um homem com poder para matar milhões e deixar a Europa em ruínas? Refiro-me a Hitler, o líder nazista que preferiu acusar sua avó de chantagem sexual a admitir que pudesse ter sangue judeu. Também não batia bem.

 

Quando as árvores de Natal eram de verdade

 

O Natal da minha infância em Colorado, tinha cheiros característicos, o da barba de pau umedecida e o da resina da araucária. A mãe mandava que eu fosse passear num certo dia de véspera e ao regressar, ao por o pé na soleira da porta, era tomado por um ambiente com o aroma da mata. Na sala de casa tinha uma árvore de natal me esperando com uma estrela no alto, e envolvida num manto de delicadas esferas coloridas e ninhos abandonados de pássaros que ficaram dependurados nos galhos das laranjeiras, às vezes algum vinha acompanhado de um ovo que não vingou.

No sopé se alastrava um projeto arquitetônico da mãe para os filhos. Ali estava o espírito de alguém com alma de criança dando forma aos detalhes. A disposição de cada item da criação tinha um significado, uma finalidade e uma direção. Todos os caminhos levavam à manjedoura onde estava uma criança, símbolo da natalidade entre as civilizações da terra, exemplo de fé, de paz e de esperança.

É raro ver uma mãe enfeitando uma árvore de verdade com a delicadeza de antes. Hoje, o arcabouço vem com código de barras.

 

Nas asas do poder – o tráfico de drogas em vôos oficiais

O ditador chileno montou um esquema de tráfico de drogas usando aviões da Força Aérea Chilena que distribuíam a droga na Europa através das embaixadas do país em Estocolmo e Madri, além dos Estados Unidos. Pinochet chegou a desenvolver seu próprio produto para lucrar nesse mercado: a “coca negra”. (revista Forum)

Um avião presidencial de um pais vizinho ao Chile foi apreendido recentemente na Espanha, transportando coca.

Pelo o que se sabe a coca era branca, mas, já estão desenvolvendo pesquisas para que ela se torne laranja.

 

 

Pacíficos ou coniventes?

Para entender a acomodação dos brasileiros nivelado às demais Nações tipo Chile e Equador, é só bispar a história e ver que em meados de 1.500, enquanto os Tupiniquim se iludiam com espelhinhos, os índios Charrua do Uruguai reagiam contra a tentativa de posse do Rio da Prata, por parte do navegador espanhol Juan Dias de Solís. O enviado do rei pagou com a própria vida, os índios uruguaios não se entregaram. Esta é a diferença.

Esquadrinhando – O que sobrou da expedição do Solís, naufragou na costa brasileira e menos de uma dúzia dos sobreviventes foi parar na ilha dos perdidos, hoje, Florianópolis.

O ponto de mutação

É cada vez mais difícil ser Bolsonaro sem abrir mão dos ídolos de uma vida inteira. Roger Waters passou a ser odiado pelo rebanho do capitão depois da sua turnê pelo Brasil, quando disse que o presidente do Brasil é corrupto e insano, e mais recentemente disse que ele é uma ameaça para a humanidade porque está destruindo o planeta. Outros como Cher, Madona e Alfonso Herrera, que interpreta personagem LGBT na série as Netflix “Sense8”, engrossam a lista de críticos a Bolsonaro.

O Papa Francisco é outro que entrou para a lista de odiados quando afirmou que a Amazônia é um problema do mundo e denunciando novos colonialismos como causa dos incêndios na floresta. Foi o que bastou para que os devotos do “capetão” tencionassem o fogo do inferno ao representante de Deus na terra.

Gerações inteiras embaladas pelas letras e músicas do Chico Buarque também se voltaram contra o artista e aplaudiram quando Bolsonaro se negou a assinar o diploma do Prêmio Camões de literatura da língua portuguesa, organizado pelos governos de Portugal e Brasil.

O escritor moçambicano Mia Couto lidera o movimento de protesto contra o governo brasileiro pela posição tomada. É mais um ídolo riscado da lista dos fanáticos seguidores do capeta, seguidores com pontos de vista inadequados para guiar o comportamento humano como bem define o físico e ambientalista, Fritjof Capra no livro O Ponto de Mutação.

Se você também integra a lista dos indesejados, meus cumprimentos. Você está do nosso lado.

 

 

Conversa de adultas


Conversa de duas senhorinhas, na casa dos 80 anos pra mais, numa clínica de alto padrão em Porto Alegre na manhã de hoje:
– A empresa que a minha filha trabalhava fechou as portas e ela tá tentando ao menos se aposentar.
– O meu filho vendia roupas, fechou a loja. Quem vai comprar roupas?
– Todo o mundo sem dinheiro.
– Tem que guardar para comprar remédios e comida.
– Sim, metade do que se ganha vai em remédio.
– E a comida não fica pra trás.
– O quê que tá acontecendo, meu Deus?
– Tava dando tudo certo, mas deu esta guinada.

A morte do coronel Anacleto de Passo Fundo

Marga e eu recebemos para o café da manhã de domingo em casa, o Carlos Alberto Fonseca, jornalista e procurador do município de Passo Fundo e a esposa, Maria Helena Pierdoná Fonseca, procuradora do Estado. Entre uma xícara de desnatado e um pão feito em casa, confirmaram a morte do coronel Anacleto, agora, no mês de agosto.

Duvido que alguém com mais de cinquenta anos e que residia na região do Planalto gaúcho nunca tenha ouvido falar ou escutado este radialista que acordava o campo e a cidade todos os dias pelas ondas médias da extinta Rádio Passo Fundo.

Quando criança, nos anos sessenta, morando na recém emancipada Colorado, eu despertava com as bagunças do coronel que batia numa lata, acho que era uma lata que levava para o estúdio e mandava todos pularem da cama pra trabalhar, alertando para não perderem o horário, acho que era do ônibus, que ele classificava como “cipó”. Tinha o das seis, das sete e assim por diante. Na verdade chamava a macacada pra saltar das árvores e ninguém se incomodava, era mais ou menos isso.

Confesso que não conheci o coronel e nem mesmo a sua história, embora tenha começado a minha vida profissional na Rádio Planalto de Passo Fundo onde ele, pelo o que sei, também trabalhou. Achei até que tinha partido há muito tempo por nunca mais ter ouvido falar nele.

A história do Fleumir Resende – coronel Anacleto, nome de guerra, vale uma biografia porque encantou gerações no tempo em que o rádio era indispensável na sociedade e quando a criatividade nascia do improviso e do talento dos seus profissionais.

Nunca soube também se foi um militar ou o coronel dele era patente emprestada e o motivo de ser chamado Anacleto.