CHUPA PATO

A turma do pato anda apavorada. Paga, numa só tacada, o maior reajuste de combustíveis da história e não pode tirar passaporte para fugir do país. Sem saída, sofre calada.

  • Pai, a gente não vai pra Disney?
  • Agora não
  • Mas você falou que a gente ia nas férias de julho
  • Não vai dar filho
  • Não tem lugar no avião?
  • Não, o que não tem é passaporte, a Policia Federal não tem material pra fornecer passaporte.
  • Por que?
  • O governo não liberou verba
  • Então porque a gente não vai pra serra ver a neve?
  • O preço da gasolina disparou filho
  • É por isso que a mãe falou no café da manhã que a coisa tá complicada?
  • Sim filho, complicou de vez
  • Mas o Temer não ia resolver tudo? Aquela vez que eu fui pra rua ver o pato com você era pra derrubar a Dilma e colocar o Temer que tudo ia melhorar, você falou.
  • Brinca no teu game e não faça perguntas filho
  • Vamos passar as férias em casa?
  • Se quiser, podemos dar uma volta na quadra e voltar logo porque a rua não é segura.
  • Mas paaaai….
  • Fiiilho!!!!!

Nossas vidas valem menos do que as do lado de lá?

Comparem – Um homem é morto por atiradores que passaram disparando contra pessoas que estavam numa parada de ônibus no centro de Porto Alegre no final da tarde deste sábado, 3 de junho.

Quase no mesmo horário, do outro lado do mundo, em Londres, também ocorreram mortes de pessoas que estavam nas ruas.

A manchete, o destaque e o envio de correspondentes foi para Londres.

Lá, tês homens atropelaram com uma van os pedestres na famosa London Bridge.

Aqui o ataque foi no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros com a  Riachuelo, no coração da Capital e os atiradores tambem estavam de van.

A pergunta é: Por que os dois ataques com vans em vias públicas recebem tratamentos diferenciados?

Seria lá por causa do terror? Mas aqui foi um horror e espalhou o terror em quem passava por lá. Nenhuma repercussão, nenhum depoimento, nenhuma narrativa do drama das ruas. 

Levo a pensar que o tratamento da nossa violência é infinitamente inferior, talvez por questões não tão transparentes como deveriam ser. Afinal, executaram alguém com ficha corrida, mas tinham mulheres, crianças, trabalhadores que retornavam para casa depois de um dia de labuta. 

Custo acreditar que a criatividade em questionar do nosso jornalismo se perdeu por completo, ao ponto de acharem mais interessante os oerigos do  primeiro mundo, repercutindo apenas o que acontece com os outros sem perceber que o crime mora ao lado. Se a elite não for perturbada, não tem notícia.

Depois do DVD dos aflitos, o tricolor vai lançar O LIVRO DE ELIminado

Frases do gauchão:

O Renato reclama que o Grêmio deu mole. Dá Viagra que levanta e não pega no doping.

O Inter só tem um goleiro. Vai chamar de volta o Manga, o Banitez e o Taffarel. E o Galvão vai ser chamado pra narrar a final do gauchão pra dizer: Vai que é tua Taffarel!

O torcedor colorado reclama tem dado um branco no jogador Alemão. E o Alemão é moreno.

 

E num momento de emoção de um diretor do Nóia, em lágrimas pelo campeonato histórico, um repórter quebra o climax ao perguntar se no jogo da final vai ter arquibancada móvel no estádio do Vale.  Um balde de água fria, nem Viagra levanta.

O Nóia acabou com o jogo da Baleia Azul, superou todas as etapas, perdeu a graça.

Depois do DVD dos Aflitos o Grêmio vai lançar um livro com a campanha do gauchão. Vai ser O LIVRO DE ELIminado.

Faz um ano que o diálogo ocorreu

O filho quer saber do pai:

– O que é um canalha?

– O Bolsonaro

– Mas o senhor disse que era o tio Eduardo.

– Este é um pulha

– Mas pulha não era o Lula

– Isso ele foi, em outra época

– Quando o senhor torcia pros canalhas?

– Sim! Não! mais ou menos

– Porque o senhor mudou?

– Porque eu torci pro Jean ganhar o BBB

– Humm, o que errou o cuspe?

– O próprio

– Mas o senhor é também contra a Globo

– Totalmente

– Mas assistia o BBB

– Isso foi em outra época

– O senhor também disse que a Dilma roubava

– É que eu assisti na TV, deu no rádio e no jornal

– Então quem embolsa é o Bolsonaro e não a Dilma?

– Nunca pus a mão no bolso dele pra te dar certeza

– E o Tiririca pai, quando ele disse – sim – no impeachment, você quase teve um infarto

– Ele é o Judas

– Mas o Judas não são os…. aqueles da Lava-Jato?

– Os delatores

– Isso, você sempre disse que eles eram Judas

– Sim, Judas foi o cagoete

– Cago o que?

– NÃO! Não é o que você tá pensando

– Nunca ouvi falar deste tal de cagote

– É cagoete filho, um delator

– Um Judas você quer dizer…

– Não deixa de ser, uma versão moderna

– Você disse que se fosse deputado não ia falar tanta merda

– Maneirando as palavras filho; não falaria mesmo, diria sim ou não em respeito ao povo e a nação

– Mas aqui em casa você antes de dizer sim ou não sempre faz um discurso

– Filho, por Deus, por você, teus irmãos, tua mãe, o gato e o cachorro, chega de perguntas tá?

Por: Flavio Damiani (publicado em 19 de abril de 2016 – pós impeachment)

Série B Qualificada

Talvez, nunca antes na história, a série B do Campeonato Brasileiro vai estar tão qualificada. O jogo entre o Internacional e o Corinthians mostrou um gigante em campo, gigante como seu próprio estádio, como seu próprio hino. Um internacional que se desprendeu, voou no gramado e não fez mais do que um gol por conta de um conjunto em formação, onde as peças ainda não se estabeleceram dentro das quatro linhas do tabuleiro.

Para encurtar o espaço, saio de um jogo, convicto de que o inter de hoje está a altura do seu pavilhão, vai tremular em qualquer que seja a divisão, um time de jogadores comprometidos, com garra, sem aflição. Jogadores eletrizantes, correm o tempo todo, marcam, voltam, armam, desarmam, se adiantam nas jogadas, sem sono, sem apagão.

A série B estende o seu tapete vermelho ao colorado dos pampas pois sabe muito bem quem está chegando. Mas, fica um recado aos demais participantes, vocês vão receber em suas casas os mestres da bola, professores de futebol. Chega com o respeito, a humildade e, convicto, que vem para valorizar uma competição da qual nunca participou. Portanto, viemos para somar, valorizar, contribuir, qualificar. Nosso objetivo é deixá-los sossegados e não aflitos.

 

“O gênio do fascismo saiu da garrafa e agora não conseguem colocá-lo de volta”

É lúcida esta definição do governador do Maranhão, Flávio Dino, fazendo ponderações da classe política e social brasileira no momento em que se vive uma turbulência indefinida sobre os rumos da Nação. Se chegou onde se chegou por conta de uma total falta de coerência ao discurso e obediência à cartilha política redigida pelas bases. Se ela fosse respeitada não chegaríamos a tanto. Tenho certeza que a grande maioria entende que quando se ocupa uma nova casa, uma nova proposta e um novo modelo devem ser implantados. Troca-se móveis, pintura, espelhos, até a casa do cachorro muda de lugar. Os antigos ocupantes devem levar toda mobília e um bruxo ser chamado para eliminar todos os males e seus fantasmas.

Se isso não for feito, o espírito continuará assombrando e agindo na calada da noite, com os antigos moradores, em pele de cordeiro, dando as cartas, como velhas raposas que conhecem bem o território e cada divisão das paredes, do pátio, bem como os caminhos das tubulações obscuras por onde evade a cacaca de quem se alimenta à mesa da rapinagem e faz o mau uso da coisa pública.

O certo é que os antigos donos nunca deixaram a casa, continuaram dando as cartas na jogatina das madrugadas, com o aval dos novos proprietários que, atraídos pela funcionalidade do novo lar, esqueceram-se da lição de casa e passaram a compartilhar das mesmas regras, do mesmo jogo.

Um dia uma criança curiosa sobre no sótão e encontra uma garrafa estranha, tenta limpá-la esfregando o pó com as mãos e dela surge uma nuvem de fumaça trazendo dentro dela um gênio, genioso, que sai aprontando por aí. O problema vai ser colocá-lo de volta, se a casa do gênio não for encontrada. O menino pode ter quebrado a garrafa.

 

O futebol tem plano Real

É uma história macabra, que aconteceu num lugar não muito distante evidenciando que quando se está no comando o leme define o destino e o mapa da navegação. Poucos se ariscam, nem mesmo a mídia, a contar a história real, mesmo que a fábula tenha se passado diante de tantos olhos e o seu roteiro foi absurdamente alterado no final da última cena, no fechar das cortinas, ou, no apagar das luzes.

O caso foi o seguinte:  O plano de um juiz de futebol que apitou um clássico na serra gaúcha na tarde de um domingo de março era afogar a equipe visitante já no túnel de acesso ao campo. A ideia não deu certo porque a água acumulada pela chuvarada que caiu na madrugada foi escoada a tempo.

Então o segundo plano era ficar com a mala preta, sem dividir com os seus auxiliares. Como o time da casa não se ajudava, mesmo com a ruindade do visitante, nos acréscimos do segundo tempo o árbitro viu a grande oportunidade para dar o golpe de mestre. Marcou um pênalti que só ele viu e na sequencia se fez de cego e surdo. Não ouviu os apelos dos auxiliares e embolsou, sólito, a recompensa.

Um  torcedor na arquibancada virou para um amigo mexicano e exclamou:

– Don Diego, isso não é Real!

 

Senhores azuis, por onde andam?

Na manhã de sábado, Avenida Azenha trancada porque um destes caminhões de concreto bloqueava uma pista inteira, dentro um cercado de cones. Ouvi um dos operadores do caminhão responder a uma senhora que lá, ele se encarregavam em sinalizar a pista:
– Assim sobra tempo pros azuizinhos se preocuparem com a cidade, justificou o camarada.
Ao chegar na Redenção, que aos sábados reúne boa parte da cidade que visita as feiras e o parque, novamente uma tranqueira. Desta vez eram dois carros, no estacionamento duplo ocupando cada lado da pista. Os outros veículos precisavam fazer um zig-zag para passar. Lá não tinha Azulzinho  para comandar o transito e sim um flanelinha.
No centro encontrei, por acaso, um lugar para estacionar perto do Mercado Público. Mal desci do carro e lá estava outro flanelinha, que não vi de onde tinha saído que já foi me avisando.
– Deixa cinquinho pro carro ficar bem cuidado.
Neste trajeto todo o que eu não vi foram os tais azuizinhos cuidando da cidade, porque os flanelinhas e o operador da Concremix, comandando o trânsito e fazendo o patrulhamento e sinalização das ruas, eu já conheço. 

Como discutir uma aposentadoria aos 65 anos?

Eu até posso discutir a aposentadoria aos 65 anos de idade se ela valer também para juízes, desembargadores, procuradores, servidores públicos em geral e que as aposentadorias sejam iguais as que são pagas pela previdência, com um teto em torno de cinco mil e poucos reais. Ah, e pelo fim das aposentadorias de senadores, deputados, governadores e presidentes da república. Somos todos trabalhadores, tanto no gabinete climatizado como abrindo buraco no asfalto, este sem emprego garantido. Nenhum é mais que o outro, vamos deixar de lado estas diferenças e se respeitar tá bom? Assim podemos iniciar uma conversa, caso contrário, não!

E olha que não estou discutindo as mordomias.