A trama dos carniceiros e o trágico fim do veterinário fiel

O grupo de hienas, por sua natureza, não abatia presas preferindo a carne morta. Se diziam do bem, porém, carniceiras.

Certo dia chegou ao Parque Nacional um veterinário com a missão de cuidar de todos os animais diminuir a quantidade de mortes. E as mortes diminuiram drasticamente com medidas simples como o acesso as melhores pastagens, periodo de descanso dos animais, reforço nas vitaminas como se frequentassem restaurantes,  se sentiram no direito e segurança de fazerem passeios pelos lugares até então permitido somente à elite da floresta, ou seja, presas e predadores em potencial que exploravam manadas de ponta.

As hienas extremamente covardes ficaram inquietas, incomodadas com a escacez de comida. Temendo a fome bolaram um plano.

A matriarca subiu na pedra mais alta e, de capa preta, sentenciou.

– Prenderemos o veterinário ou vamos morrer de fome.

A trama era ousada para convencer as zebras e os gnus a ficarem do lado delas. A proposta era inventsr mentiras pars enfraquecer o veterinário e aniquilar qualquer tentativa de manter seus cuidados com as manadas.

– Espalharemos por toda a savana o boato de que o veterinário que parece tão bonzinho e dedicado, no fundo quer se adonar das terras para especulação imobiliária transformando o lugar num empreendimento comercial para atrair os humanos. Disse a matriarca.

Se associaram aos urubus para espalhar as fake news, afinal, eles também estavam sendo prejudicados pela ausência de mortes.

A noticia foi pelos ares, amplamente divulgada pelos abutres que não cansavam de repetir a mesma informação. Por terra, o clã de hienas se encarregava de arregimentar adeptos ao plano. As fake iam desde a criação de jaulas e cercados para  exposição dos rebanhos aos turistas, até mesmo a criação de grandes abatedouros para a exportação da carne dos animais confinados. Boa parte da savana caiu na conversa das sacanas.

No dia seguinte, todos cercaram a cabana e o veterinário não pode sair para tratar os animais, muito menos para pedir ajuda.

Em pouco tempo zebras e gnus foram morrendo, doentes pela falta de cuidados. Os carniceiros organizaram grandes banquetes.

O veterinario desesperado fugiu durante um momento de desatenção da guarda mas, com fome e muito desidratado ficou no caminho, morreu e também foi devorado.

Os carniceiros retomaram a savana, zebras e gnus também voltaram a rotina de escravidão e medo, concientes de que ajudaram os inimigos a aniquilar seu protetor.

 

 

 

INCOERÊNCIAS

 

BLINDAGEM – Enquanto a verdade nua e crua aparece nas revelações do The Intercept, compartilhada pela parte coerente da mídia brasileira, grandes redes de comunicação continuam caladas temendo o pior. De outra parte as instituições com poder de polícia, como a Federal, procuram rastrear a origem das denúncias, quando deveriam prender o chefe.

ÉTICA – As notícias mais recentes captadas pelo vazamento dão conta de que o irrefutável procurador da República das laranjas cobrou um valor módico de 30 mil cédulas para dar uma palestra e exigiu passagens e hospedagens para a família toda num hotel de luxo a beira mar no nordeste brasileiro. A palestra foi sobre ética e combate a corrupção.

PERGUNTAS – Por fim, outra noticia não menos grave, aliás, não tem noticia leve nos vazamentos, é de que Moro e Deltan queriam desviar uma graninha, dinheiro público da 13ª Vara Federal para fazer propaganda da Lava Jato. Ora, não precisa entender de marketing para concluir que a operação dos sócios da república de Curitiba sempre esteve presente na mídia, 24 horas por dia, sete dias por semana em todos os dias do ano, de forma gratuita. Publicidade pra quê, ou melhor, para beneficiar quem ou o quê?

 

As cotas e os filhos da cocota

Ingressar numa universidade pública pelo sistema de cotas e concluir o curso com um alto conceito me faz pensar: Quantos excelentes trabalhos de pesquisa foram deixados para trás por dezenas, centenas de anos, nos tempos em que os estudantes egressos de escolas públicas sejam negros ou brancos, não tiveram a oportunidade de se destacar num campo reservado aos alunos de melhor poder aquisitivo? Por que esta sede tacanha para privatizar a educação e retirar dos mais pobres o direito ao curso superior de qualidade? Quem está por trás de todo este processo?

Pois eu fui lá, amparado no sistema inclusivo de cotas, egresso de escola pública, meti a cara aos 57 anos de idade e conclui, cinco anos depois, o que eu jamais imaginaria alcançar.

A ousadia valeu a pena, houve o reconhecimento a um trabalho até então inédito de pesquisa juntando a profissão que exerci por 40 anos e a sala de aula. O jornalismo e a pedagogia têm suas esquinas por onde cruza o fazer do conhecimento. Um sistema de ensino só estará falido quando censurar o acesso à informação desde os primeiros anos de escola.

Vivemos um momento ameaçador em que a democracia e a pluralidade estão sendo forçadas a abandonar os bancos escolares e, o duro golpe de sucateamento das universidades, ódio das cotas que afrontam os filhos mimados da dona cocota.

Os carrascos do conhecimento retiram os direitos e conquistas dos estudantes e trabalhadores, menosprezando a constituição. Vestem a capa da liberdade e da igualdade, cobertos de maldade. Já o cara que abriu as portas do ensino superior nas universidades públicas para os pobres e negros, dando condições de acesso ao ensino superior, está preso.

Narradores de fogão

 

Vinham na escuridão da noite e contavam histórias tenebrosas como se elas fossem de verdade. Podia ser um vizinho ou parente. Enquanto borbulhava a carne para o caldo da sopa sobre a chapa quente, a lenha seca estalava e as lascas verdes tocavam músicas. Nós, crianças, ficávamos recolhendo na ponta do dedo a espuma da lenha que cintilava e cheirava lamentos de uma grande arvore que se transformou em fragmentos, mas que ao mesmo tempo resplandecia o perfume da madeira. Eram noites mágicas de frio seco ou úmido que recolhia para dentro das casas todo e qualquer ser vivo que habitasse desde os oitões telhado as profundezas dos porões de terra.

Os fogões esquentavam as casas e traziam para junto deles as noticias do vilarejo. As narrativas não tinham tempo nem ordem, elas iam surgindo de acordo com quem chegasse e se juntasse às conversas. Muitas vezes o simples fato de um gato caçador de ratos ter feito um estrago no celeiro era um gatilho para disparar, com boa dose de crueldade, longas fábulas e lendas de lobos e dragões que todos os anos atacavam as aldeias em busca de alimentos, entre eles, porcos e carneiros.

Qualquer uivo que ecoasse nas madrugadas deixava as crianças agitadas e os adultos atiçavam o medo aumentando o poder da imaginação e dos apuros do lado de fora. Era uma forma de mostrar aos pequenos os perigos do mundo.

 

É preciso separar o bem do mal

Há de se entender a revolta das pessoas de bem contra o juiz paladino e seu fiel escudeiro, um procurador da república, mas o que eles fizeram e fazem por debaixo dos panos não é regra institucional. MP e Judiciário não podem ser pré-julgados pela balbúrdia deles e dos seus rebanhos.

Antes de jogar fora o cesto de laranjas, separe as boas das podres. As piores sempre estarão agindo às escondidas procurando contaminar o balaio.

Você sairá no lucro.

Bolsonaro homengeia fankeiro suspeito de agredir amante grávida

Sabe aquela piada do padre que se despediu da sua comunidade, depois de 25 anos de sacerdócio, destacando a primeira confissão recebida quando assumiu a paróquia.

– Lembro como se fosse hoje, a primeira pessoa a se confessar disse que traia a mulher com a secretária da empresa a qual roubava dinheiro, disse o padre.

Neste momento chegou o prefeito da cidade, atrasado para homenagear o padre.

– Quero dizer que eu tive a honra de ser o primeiro a me confessar com o padre quando ele chegou na cidade, disse orgulhoso.

Moral da história, quando não se ouve o discurso é melhor ficar calado.

Bolsonaro resolveu homenagear um fankeiro que foi encontrado morto no fim de semana. Logo que soube publicou no twitter: “Tales Volpi, conhecido como Mc Reaça, nos deixou no dia de ontem. Tinha o sonho de mudar o país e apostou em meu nome por meio de seu grande talento. Será lembrado pelo dom, pela humildade e por seu amor pelo Brasil. Que Deus o conforte juntamente com seus familiares e amigos”.

O jornal Correio Popular, de Campinas (SP), publicou que a polícia suspeita que ele cometeu suicídio após espancar uma suposta amante. A vítima está internada em estado grave em um hospital local com fraturas no maxilar e machucados no rosto e no olho.

MC Reaça era autor de diversas músicas em apoio à candidatura de Jair Bolsonaro, uma delas comparava as mulheres às cadelas:

“Dou pra CUT pão com mortadela, e pras feministas dou ração numa tigela (…) as minas de esquerda tem mais pelos que cadela (…) pega o Paulo Freire e manda pra estratosfera, vamo distribuir livro do Olavo pra galera”, diz uma de suas músicas.

Bolsonaro se adiantou, lembrei da piada do padre. Mas enfim, vindo dele talvez não fosse diferente.

Rede Havan é denunciada por intimidar funcionários

 

O Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina ajuizou ação civil pública cobrando R$ 25 milhões em indenizações contra a rede Havan, acusada de intimidar funcionários a votar no então candidato à presidência Jair Bolsonaro.

O montante pode chegar a R$ 75 milhões pois o MPT pede indenização de cinco mil para cada funcionário.

Segundo a Procuradoria, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, teria declarado diversas vezes que fecharia milhares de postos de trabalho caso Bolsonaro perdesse as eleições.

Uma das ameaças era a de que o funcionário não teria acesso ao sistema da empresa enquanto não respondesse uma pesquisa sobre em quem iria votar nas eleições.

O valor da indenização corresponde a pouco mais de 1/4 do preço pago por Hang na compra de um avião particular avaliado em quase R$ 250 milhões

O dono da Havan também é citado em reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello, na Folha de S.Paulo por integrar um grupo de empresários que contratou  empresas para disparar fake news contra o PT para a campanha de Jair Bolsonaro. A prática é ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada.

Segundo a reportagem, os contratos chegaram a R$ 12 milhões.

… se não gostou o Osmar enterra

 

Osmar Terra, ministro da cidadania, não concordou com a pesquisa da Fiocruz sobre consumo de drogas no Brasil e engavetou o estudo. A Fiocruz uma das mais importantes e sérias instituições de pesquisa no mundo, revelou que não há uma epidemia de drogas no Brasil, mas o ministro contraria a pesquisa e fala em viés ideológico pra dizer que a tal epidemia existe.

Claro que há uma seria desconfiança, quase velada, de que o governo que está aí tem um compromisso com a milícias e não com as drogas, portanto, criminalizar é a regra, disse outro dia um analista. Se bem que milícia e drogas se sustentam, o contrabando é que é diferente.

As pesquisas são importantes para a elaboração de politicas públicas e o seu Osmar está colocando no lixo um documento importante para a se trabalhar o problema e o que é pior, ao engavetar, evita a divulgação dos resultados, um direito constitucional do cidadão brasileiro.

Foram 16 mil entrevistados que deram seus depoimentos para 500 entrevistadores duranate três anos de trabalho. A pesquisa custou a bagatela de sete milhões aos cofres públicos e foi parar no limbo por puro capricho de um ministro que não aceitou o resultado por não bater com as suas ideias como se elas fossem o supra sumo da sociedade, aliás, condenou ao melhor estilo do seu comandante, o capitão Jair Messias. Se bem que pode ter feito isso também para agradar o chefe, vai se saber.

Enfim, a  laranja não cai longe do pé, aliás, de laranja eles entendem. Não importa o custo do trabalho, se não gostou o Osmar enterra.

Brincando de chapeuzinho

Por conta da chuvarada e temporal da madrugada, deixei o meu cachorro dormir dentro de casa. Não contente ele subiu altas horas para o meu quarto e simplesmente deitou ao meu lado.

Perguntei para ele:
– Por que estas orelhas tão grandes?

Ele ficou me olhando e nada respondeu.

Continuei indagando.
– Por que estes olhos tão grandes?

Continuou calado.
– Por que esta boca tão grande?

Aí ele lambeu a minha cara com uma baba molhada encharcando até o travesseiro. Coloquei o abusado porta a fora, troquei a fronha, tomei um banho e perdi o sono.

O Var complicou o Vuaden

Na velada cotovelada do André no Moledo, Vuaden titubeou mas achou que aplicando o cartão amarelo reolveria tudo, afinal a falta pra vermelho não foi cometida pela equipe vermelha. Aí o juiz do Var viu aquilo que Vuaden viu mas fingiu que não viu e constrangeu o árbitro a reavaliar sua decisão. Visivelmente contrariado ele foi conferir no vídeo e por pura convicção, não por justeza, cometeu uma injustiça. Aí o Renato, que até então apitava o jogo resolveu complicar, mais um constrangimento pro Vuaden que, pra não deixar passar barato, puniu com o cartão amarelo um reserva colorado.