O pagador de promessa

O drama do lateral Alemão, do inter, que entrou no segundo tempo do jogo contra o Figueirense, neste sábado no Beira-Rio, substituindo Cláudio Winck, segurou os torcedores um pouco mais depois do apito final.

Os jogadores também, em solidariedade, não arredaram pé até que o companheiro de equipe cumprisse, de joelhos, toda extensão do gramado, de uma goleira a outra, como forma de agradecimento, pagando uma promessa.

Alemão que ficou um bom tempo parado por conta de um edema ósseo, voltou aos gramados e cobriu bem o seu espaço na partida desta tarde.

O Inter por sua vez, não decepcionou, voltou a liderança do campeonato e com uma certa folga no placar. Os três a zero em cima do Figueira reforça a confiança do torcedor e da equipe. Dos 14 jogos que tem para disputar até a final, ganhando cinco já estará garantindo retorno para a série A no próximo ano. Os colorados não são dos aflitos.

Da série pérolas preciosas

 

Na banca de frios do Mercado Público o homem baixote, pede um fiambre de nome estranho, mas familiar.

– Me vê uma mortadela floreada.
O atendente ri e pede para ele repetir.
– Mortadela de que?
– Floreada, comprei aqui faz tempo e gostei.
– É aquela que vai picles?
– Se vai não sei; o que sei é que é floreada.

Olha o nível das conversas. Sempre tem alguém por perto pra pescar estas preciosidades.

O melhor ataque é a defesa

 

Saio do Estádio Beira-Rio, depois de um Inter x Londrina, convicto na zaga colorada. Não que seja a maravilha sonhada pelo torcedor, longe disso, mas é artilheira. Cuesta fez o primeiro gol e Klauss, duas vezes, devolveu ao inter a vice-liderança do campeonato numa tarde-noite em que mais de 36 mil torcedores assistiram uma exibição apenas regular do Internacional. Ainda falta um eito para ser o ideal. Foi um presente de dia dos pais do time que traz no hino um trecho que diz: “papai é o maior”.

 

 

A PELEJA DO MAL CONTRA O BEM

Montaram a baderna

Armou-se a fuzarca

Em nome do bem

O mal se destaca.

 

Roubaram a crença

Do povo sofrido

Que desprevenido

Confiou no poder.

 

Um bando de arteiros

Urubus, carniceiros,

Aniquilaram num golpe

A constituição.

 

Caçaram direitos

De um povo liberto

Só eles tão certos

Em toda a nação.

 

Desviam recursos

Não sobra dinheiro

Segurança, saúde

Em má situação.

 

O mal se supera

E o bem não convence

O mal s’empodera

Em nome do bem.

 

E o povo perdido

Confia na mídia

Espera Justiça

Que tarda ou não vem.

 

E já não entende

Por que tanta briga

Por que tanta gente

Na tal confusão?

 

E lá na igreja

Procura resposta

apegado na crença

Ajoelha no altar.

 

Por bem meu senhor

M’explica afinal

Se o mal o bem

Ou se o bem faz o mal?

 

CHUPA PATO

A turma do pato anda apavorada. Paga, numa só tacada, o maior reajuste de combustíveis da história e não pode tirar passaporte para fugir do país. Sem saída, sofre calada.

  • Pai, a gente não vai pra Disney?
  • Agora não
  • Mas você falou que a gente ia nas férias de julho
  • Não vai dar filho
  • Não tem lugar no avião?
  • Não, o que não tem é passaporte, a Policia Federal não tem material pra fornecer passaporte.
  • Por que?
  • O governo não liberou verba
  • Então porque a gente não vai pra serra ver a neve?
  • O preço da gasolina disparou filho
  • É por isso que a mãe falou no café da manhã que a coisa tá complicada?
  • Sim filho, complicou de vez
  • Mas o Temer não ia resolver tudo? Aquela vez que eu fui pra rua ver o pato com você era pra derrubar a Dilma e colocar o Temer que tudo ia melhorar, você falou.
  • Brinca no teu game e não faça perguntas filho
  • Vamos passar as férias em casa?
  • Se quiser, podemos dar uma volta na quadra e voltar logo porque a rua não é segura.
  • Mas paaaai….
  • Fiiilho!!!!!

Nossas vidas valem menos do que as do lado de lá?

Comparem – Um homem é morto por atiradores que passaram disparando contra pessoas que estavam numa parada de ônibus no centro de Porto Alegre no final da tarde deste sábado, 3 de junho.

Quase no mesmo horário, do outro lado do mundo, em Londres, também ocorreram mortes de pessoas que estavam nas ruas.

A manchete, o destaque e o envio de correspondentes foi para Londres.

Lá, tês homens atropelaram com uma van os pedestres na famosa London Bridge.

Aqui o ataque foi no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros com a  Riachuelo, no coração da Capital e os atiradores tambem estavam de van.

A pergunta é: Por que os dois ataques com vans em vias públicas recebem tratamentos diferenciados?

Seria lá por causa do terror? Mas aqui foi um horror e espalhou o terror em quem passava por lá. Nenhuma repercussão, nenhum depoimento, nenhuma narrativa do drama das ruas. 

Levo a pensar que o tratamento da nossa violência é infinitamente inferior, talvez por questões não tão transparentes como deveriam ser. Afinal, executaram alguém com ficha corrida, mas tinham mulheres, crianças, trabalhadores que retornavam para casa depois de um dia de labuta. 

Custo acreditar que a criatividade em questionar do nosso jornalismo se perdeu por completo, ao ponto de acharem mais interessante os oerigos do  primeiro mundo, repercutindo apenas o que acontece com os outros sem perceber que o crime mora ao lado. Se a elite não for perturbada, não tem notícia.

Depois do DVD dos aflitos, o tricolor vai lançar O LIVRO DE ELIminado

Frases do gauchão:

O Renato reclama que o Grêmio deu mole. Dá Viagra que levanta e não pega no doping.

O Inter só tem um goleiro. Vai chamar de volta o Manga, o Banitez e o Taffarel. E o Galvão vai ser chamado pra narrar a final do gauchão pra dizer: Vai que é tua Taffarel!

O torcedor colorado reclama tem dado um branco no jogador Alemão. E o Alemão é moreno.

 

E num momento de emoção de um diretor do Nóia, em lágrimas pelo campeonato histórico, um repórter quebra o climax ao perguntar se no jogo da final vai ter arquibancada móvel no estádio do Vale.  Um balde de água fria, nem Viagra levanta.

O Nóia acabou com o jogo da Baleia Azul, superou todas as etapas, perdeu a graça.

Depois do DVD dos Aflitos o Grêmio vai lançar um livro com a campanha do gauchão. Vai ser O LIVRO DE ELIminado.

Faz um ano que o diálogo ocorreu

O filho quer saber do pai:

– O que é um canalha?

– O Bolsonaro

– Mas o senhor disse que era o tio Eduardo.

– Este é um pulha

– Mas pulha não era o Lula

– Isso ele foi, em outra época

– Quando o senhor torcia pros canalhas?

– Sim! Não! mais ou menos

– Porque o senhor mudou?

– Porque eu torci pro Jean ganhar o BBB

– Humm, o que errou o cuspe?

– O próprio

– Mas o senhor é também contra a Globo

– Totalmente

– Mas assistia o BBB

– Isso foi em outra época

– O senhor também disse que a Dilma roubava

– É que eu assisti na TV, deu no rádio e no jornal

– Então quem embolsa é o Bolsonaro e não a Dilma?

– Nunca pus a mão no bolso dele pra te dar certeza

– E o Tiririca pai, quando ele disse – sim – no impeachment, você quase teve um infarto

– Ele é o Judas

– Mas o Judas não são os…. aqueles da Lava-Jato?

– Os delatores

– Isso, você sempre disse que eles eram Judas

– Sim, Judas foi o cagoete

– Cago o que?

– NÃO! Não é o que você tá pensando

– Nunca ouvi falar deste tal de cagote

– É cagoete filho, um delator

– Um Judas você quer dizer…

– Não deixa de ser, uma versão moderna

– Você disse que se fosse deputado não ia falar tanta merda

– Maneirando as palavras filho; não falaria mesmo, diria sim ou não em respeito ao povo e a nação

– Mas aqui em casa você antes de dizer sim ou não sempre faz um discurso

– Filho, por Deus, por você, teus irmãos, tua mãe, o gato e o cachorro, chega de perguntas tá?

Por: Flavio Damiani (publicado em 19 de abril de 2016 – pós impeachment)

Série B Qualificada

Talvez, nunca antes na história, a série B do Campeonato Brasileiro vai estar tão qualificada. O jogo entre o Internacional e o Corinthians mostrou um gigante em campo, gigante como seu próprio estádio, como seu próprio hino. Um internacional que se desprendeu, voou no gramado e não fez mais do que um gol por conta de um conjunto em formação, onde as peças ainda não se estabeleceram dentro das quatro linhas do tabuleiro.

Para encurtar o espaço, saio de um jogo, convicto de que o inter de hoje está a altura do seu pavilhão, vai tremular em qualquer que seja a divisão, um time de jogadores comprometidos, com garra, sem aflição. Jogadores eletrizantes, correm o tempo todo, marcam, voltam, armam, desarmam, se adiantam nas jogadas, sem sono, sem apagão.

A série B estende o seu tapete vermelho ao colorado dos pampas pois sabe muito bem quem está chegando. Mas, fica um recado aos demais participantes, vocês vão receber em suas casas os mestres da bola, professores de futebol. Chega com o respeito, a humildade e, convicto, que vem para valorizar uma competição da qual nunca participou. Portanto, viemos para somar, valorizar, contribuir, qualificar. Nosso objetivo é deixá-los sossegados e não aflitos.