Depois do DVD dos aflitos, o tricolor vai lançar O LIVRO DE ELIminado

Frases do gauchão:

O Renato reclama que o Grêmio deu mole. Dá Viagra que levanta e não pega no doping.

O Inter só tem um goleiro. Vai chamar de volta o Manga, o Banitez e o Taffarel. E o Galvão vai ser chamado pra narrar a final do gauchão pra dizer: Vai que é tua Taffarel!

O torcedor colorado reclama tem dado um branco no jogador Alemão. E o Alemão é moreno.

 

E num momento de emoção de um diretor do Nóia, em lágrimas pelo campeonato histórico, um repórter quebra o climax ao perguntar se no jogo da final vai ter arquibancada móvel no estádio do Vale.  Um balde de água fria, nem Viagra levanta.

O Nóia acabou com o jogo da Baleia Azul, superou todas as etapas, perdeu a graça.

Depois do DVD dos Aflitos o Grêmio vai lançar um livro com a campanha do gauchão. Vai ser O LIVRO DE ELIminado.

Faz um ano que o diálogo ocorreu

O filho quer saber do pai:

– O que é um canalha?

– O Bolsonaro

– Mas o senhor disse que era o tio Eduardo.

– Este é um pulha

– Mas pulha não era o Lula

– Isso ele foi, em outra época

– Quando o senhor torcia pros canalhas?

– Sim! Não! mais ou menos

– Porque o senhor mudou?

– Porque eu torci pro Jean ganhar o BBB

– Humm, o que errou o cuspe?

– O próprio

– Mas o senhor é também contra a Globo

– Totalmente

– Mas assistia o BBB

– Isso foi em outra época

– O senhor também disse que a Dilma roubava

– É que eu assisti na TV, deu no rádio e no jornal

– Então quem embolsa é o Bolsonaro e não a Dilma?

– Nunca pus a mão no bolso dele pra te dar certeza

– E o Tiririca pai, quando ele disse – sim – no impeachment, você quase teve um infarto

– Ele é o Judas

– Mas o Judas não são os…. aqueles da Lava-Jato?

– Os delatores

– Isso, você sempre disse que eles eram Judas

– Sim, Judas foi o cagoete

– Cago o que?

– NÃO! Não é o que você tá pensando

– Nunca ouvi falar deste tal de cagote

– É cagoete filho, um delator

– Um Judas você quer dizer…

– Não deixa de ser, uma versão moderna

– Você disse que se fosse deputado não ia falar tanta merda

– Maneirando as palavras filho; não falaria mesmo, diria sim ou não em respeito ao povo e a nação

– Mas aqui em casa você antes de dizer sim ou não sempre faz um discurso

– Filho, por Deus, por você, teus irmãos, tua mãe, o gato e o cachorro, chega de perguntas tá?

Por: Flavio Damiani (publicado em 19 de abril de 2016 – pós impeachment)

Série B Qualificada

Talvez, nunca antes na história, a série B do Campeonato Brasileiro vai estar tão qualificada. O jogo entre o Internacional e o Corinthians mostrou um gigante em campo, gigante como seu próprio estádio, como seu próprio hino. Um internacional que se desprendeu, voou no gramado e não fez mais do que um gol por conta de um conjunto em formação, onde as peças ainda não se estabeleceram dentro das quatro linhas do tabuleiro.

Para encurtar o espaço, saio de um jogo, convicto de que o inter de hoje está a altura do seu pavilhão, vai tremular em qualquer que seja a divisão, um time de jogadores comprometidos, com garra, sem aflição. Jogadores eletrizantes, correm o tempo todo, marcam, voltam, armam, desarmam, se adiantam nas jogadas, sem sono, sem apagão.

A série B estende o seu tapete vermelho ao colorado dos pampas pois sabe muito bem quem está chegando. Mas, fica um recado aos demais participantes, vocês vão receber em suas casas os mestres da bola, professores de futebol. Chega com o respeito, a humildade e, convicto, que vem para valorizar uma competição da qual nunca participou. Portanto, viemos para somar, valorizar, contribuir, qualificar. Nosso objetivo é deixá-los sossegados e não aflitos.

 

“O gênio do fascismo saiu da garrafa e agora não conseguem colocá-lo de volta”

É lúcida esta definição do governador do Maranhão, Flávio Dino, fazendo ponderações da classe política e social brasileira no momento em que se vive uma turbulência indefinida sobre os rumos da Nação. Se chegou onde se chegou por conta de uma total falta de coerência ao discurso e obediência à cartilha política redigida pelas bases. Se ela fosse respeitada não chegaríamos a tanto. Tenho certeza que a grande maioria entende que quando se ocupa uma nova casa, uma nova proposta e um novo modelo devem ser implantados. Troca-se móveis, pintura, espelhos, até a casa do cachorro muda de lugar. Os antigos ocupantes devem levar toda mobília e um bruxo ser chamado para eliminar todos os males e seus fantasmas.

Se isso não for feito, o espírito continuará assombrando e agindo na calada da noite, com os antigos moradores, em pele de cordeiro, dando as cartas, como velhas raposas que conhecem bem o território e cada divisão das paredes, do pátio, bem como os caminhos das tubulações obscuras por onde evade a cacaca de quem se alimenta à mesa da rapinagem e faz o mau uso da coisa pública.

O certo é que os antigos donos nunca deixaram a casa, continuaram dando as cartas na jogatina das madrugadas, com o aval dos novos proprietários que, atraídos pela funcionalidade do novo lar, esqueceram-se da lição de casa e passaram a compartilhar das mesmas regras, do mesmo jogo.

Um dia uma criança curiosa sobre no sótão e encontra uma garrafa estranha, tenta limpá-la esfregando o pó com as mãos e dela surge uma nuvem de fumaça trazendo dentro dela um gênio, genioso, que sai aprontando por aí. O problema vai ser colocá-lo de volta, se a casa do gênio não for encontrada. O menino pode ter quebrado a garrafa.

 

O futebol tem plano Real

É uma história macabra, que aconteceu num lugar não muito distante evidenciando que quando se está no comando o leme define o destino e o mapa da navegação. Poucos se ariscam, nem mesmo a mídia, a contar a história real, mesmo que a fábula tenha se passado diante de tantos olhos e o seu roteiro foi absurdamente alterado no final da última cena, no fechar das cortinas, ou, no apagar das luzes.

O caso foi o seguinte:  O plano de um juiz de futebol que apitou um clássico na serra gaúcha na tarde de um domingo de março era afogar a equipe visitante já no túnel de acesso ao campo. A ideia não deu certo porque a água acumulada pela chuvarada que caiu na madrugada foi escoada a tempo.

Então o segundo plano era ficar com a mala preta, sem dividir com os seus auxiliares. Como o time da casa não se ajudava, mesmo com a ruindade do visitante, nos acréscimos do segundo tempo o árbitro viu a grande oportunidade para dar o golpe de mestre. Marcou um pênalti que só ele viu e na sequencia se fez de cego e surdo. Não ouviu os apelos dos auxiliares e embolsou, sólito, a recompensa.

Um  torcedor na arquibancada virou para um amigo mexicano e exclamou:

– Don Diego, isso não é Real!

 

Senhores azuis, por onde andam?

Na manhã de sábado, Avenida Azenha trancada porque um destes caminhões de concreto bloqueava uma pista inteira, dentro um cercado de cones. Ouvi um dos operadores do caminhão responder a uma senhora que lá, ele se encarregavam em sinalizar a pista:
– Assim sobra tempo pros azuizinhos se preocuparem com a cidade, justificou o camarada.
Ao chegar na Redenção, que aos sábados reúne boa parte da cidade que visita as feiras e o parque, novamente uma tranqueira. Desta vez eram dois carros, no estacionamento duplo ocupando cada lado da pista. Os outros veículos precisavam fazer um zig-zag para passar. Lá não tinha Azulzinho  para comandar o transito e sim um flanelinha.
No centro encontrei, por acaso, um lugar para estacionar perto do Mercado Público. Mal desci do carro e lá estava outro flanelinha, que não vi de onde tinha saído que já foi me avisando.
– Deixa cinquinho pro carro ficar bem cuidado.
Neste trajeto todo o que eu não vi foram os tais azuizinhos cuidando da cidade, porque os flanelinhas e o operador da Concremix, comandando o trânsito e fazendo o patrulhamento e sinalização das ruas, eu já conheço. 

Como discutir uma aposentadoria aos 65 anos?

Eu até posso discutir a aposentadoria aos 65 anos de idade se ela valer também para juízes, desembargadores, procuradores, servidores públicos em geral e que as aposentadorias sejam iguais as que são pagas pela previdência, com um teto em torno de cinco mil e poucos reais. Ah, e pelo fim das aposentadorias de senadores, deputados, governadores e presidentes da república. Somos todos trabalhadores, tanto no gabinete climatizado como abrindo buraco no asfalto, este sem emprego garantido. Nenhum é mais que o outro, vamos deixar de lado estas diferenças e se respeitar tá bom? Assim podemos iniciar uma conversa, caso contrário, não!

E olha que não estou discutindo as mordomias.

A melancólica pauta positiva da mídia

Confesso que pouco assisto noticiários de TV, mas quando resolvo ver, lá está o Temer, vendendo ilusões de um país perfeito. O espaço que a mídia tem reservado à pauta positiva para divulgar as falácias palacianas é de uma total melacolia, pra não dizer mediocre.

Ou alguém acredita que o Michel vai mesmo dispensar seus ministros citados na Lava Jato, ou se ele próprio vai se autoafastar quando for notificado?

Porque então blindou o Moreira Franco sabendo que ele foi citado dezena de vezes nas chamadas delações premiadas?

Vai largar de mão o Padilha, seu abre alas? Ou o Jucá e o Gedel que saíram sem arredar pé do poder e continuam influenciando os blocos da concentração à dispersão.

O Alexandre Moraes que vai comandar o Supremo para desligar a Lava Jato e livrar o poder do banho de lama maior que o da Samarco em Mariana.

Alguém duvida que muito em breve o Temer será oficializado âncora dos telejornais?

Eu não duvido mais nada.

O segundo golpe está em marcha, agora com a anuência e o domínio total da mídia. Sugerimos que a tela da TV seja em forma de xadrez.

Ladrão Cortês

Depois de ouvir vários relatos e sentir na pele o trauma de dois assaltos e me deparar no meio de um fogo cruzado na Avenida Érico Veríssimo em porto Alegre em apenas um ano, concluo que alguns integrantes do seleto grupo de ladrões, larápios e meliantes vem se mostrando altamente cortês com a clientela. Uma minoria que está se especializando em atender bem com ações sem o uso da violência e com uma certa cortesia.

Vejamos dois exemplos:

Dona Dorinha foi assaltada no estacionamento de um supermercado, lodo depois de colocar as compras no porta-malas.

Ladrão – Mantenha-se calma minha senhora, trata-se de um assalto

Dorinha – O que-que’u faço?

Ladrão – Passe a chave, a bolsa e o celular

Dorinha – Estou tremendo, nunca passei por isso antes, pega a chave o resto tá na bolsa

Ladrão – A senhora está bem?

Dorinha – Preciso tomar o meu calmante

Ladrão – Está na bolsa?

Dorinha – O rivotril

Ladrão – Um ou dois?

Dorinha – Me da o vidro todo, prefiro morrer

Ladrão – Fique calma minha senhora, nada vai lhe acontecer

Dorinha respirou fundo, colocou o comprimido na boa e bebeu da garrafinha de água do ladrão, que por ele foi alcançada

Dorinha – Moço, e as minhas compras?

Ladrão – Não posso fazer nada, assalto é assalto

Dorinha – Mas o meu neto vai ficar sem o Yakult

Ladrão – Vamos combinar o seguinte: Eu vou levar o carro para um serviço que preciso fazer, depois vou deixa-lo num lugar bem perto daqui com o Yakult do seu neto

Dorinha – Mas tem a lasanha, as pastas, as carnes e o meu creme rejuvenecedor que acabei de comprar na farmácia?

Ladrão – Tá bem, eu deixo o creme, o resto não tem negociação.

 

O segundo exemplo ocorre noutro lado da cidade horas depois, um carrão tem a frente cortada por outro carrão numa rua sem muito movimento, mas habitada pela nata da sociedade. Desce um ladrão do carro e vai avisando:

– Perdeu!!! Fique calma que não vai acontecer nada, só queremos o carro

A senhora desce, retira a criança do bebê conforto e se afasta

Ladrão – Por favor, a bolsa

Senhora – Ah, sim, costume de andar com ela dependurada

Ladrão – Valentino? Deve valer uma nota

Senhora – Mais alguma coisa? Posso ir?

Ladrão – E o celular?

Senhora – Tá no painel do carro

Ladrão – Desculpa senhora, é a crise que se agrava, não tá fácil prá ninguém. Tenha uma boa noite!

Senhora – Vou tentar

A dúvida é se os ladroes andam frequentando algum curso de MBA para melhorar o desempenho nos assaltos, aprimorando formas de gentileza com as vítimas. Certamente são profissionais que buscam um novo patamar em suas carreiras. O segredo é manter a calma e acalmar a vítima e negociar alternativas para que a vítima sinta-se segura, embora se trate de um assalto.

A criatividade chega ao poder paralelo, afinal o crime é organizado e é preciso ser ousado para ganhar mercado.