O perna-de-pau

      Certa manhã no campinho de futebol entre uma cerca de tela e algumas bergamoteIras, na parte dos fundos do colégio das freiras um grupo de alunos escalava uma equipe para o treinamento durante uma aula de educação física. O Pereirinha que era tão franzino e desajeitado para andar na muleta que o seu pai fabricou na marcenaria em que trabalhava, sempre ficava à margem do gramado observando tudo, louco para que a bola fosse para a lateral onde ele se esmerava para buscá-la.

      Naquela manhã, ele inflou o peito, cansado de ser o marrecão, e ser tratado no diminutivo, que resolveu dar um peitaço. Entrou e fez gol até com a ponta da muleta para o delírio dos companheiros de equipe e o espanto dos adversários. Passes curtos, rápidas arrancadas pelo meio e pelas pontas, com o pé esquerdo (defeituoso desde que nasceu), enganchado no apoio, armou e desarmou jogadas. Um serelepe dentro das quatro linhas.

      Depois daquele dia, seu nome perdeu o “Zinho”, passou a ser visto de outra maneira, digamos, recebeu um especial carinho daqueles que duvidavam da sua capacidade e ele nunca mais saiu do time. Jogou até no gol, nas peladas de revezamento.

      Isso faz muito tempo, lá pelo início dos anos sessenta quando recém o Brasil começava a dar seus primeiros passos no futuro se tornaria em política oficial de Educação Especial.

      Ah! Sim, ia me esquecendo; o chamado peitaço é ter enfrentado o professor e a turma e pedir sem medo, receio ou timidez:

– Me inclui no time!

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *