O futebol tem plano Real

É uma história macabra, que aconteceu num lugar não muito distante evidenciando que quando se está no comando o leme define o destino e o mapa da navegação. Poucos se ariscam, nem mesmo a mídia, a contar a história real, mesmo que a fábula tenha se passado diante de tantos olhos e o seu roteiro foi absurdamente alterado no final da última cena, no fechar das cortinas, ou, no apagar das luzes.

O caso foi o seguinte:  O plano de um juiz de futebol que apitou um clássico na serra gaúcha na tarde de um domingo de março era afogar a equipe visitante já no túnel de acesso ao campo. A ideia não deu certo porque a água acumulada pela chuvarada que caiu na madrugada foi escoada a tempo.

Então o segundo plano era ficar com a mala preta, sem dividir com os seus auxiliares. Como o time da casa não se ajudava, mesmo com a ruindade do visitante, nos acréscimos do segundo tempo o árbitro viu a grande oportunidade para dar o golpe de mestre. Marcou um pênalti que só ele viu e na sequencia se fez de cego e surdo. Não ouviu os apelos dos auxiliares e embolsou, sólito, a recompensa.

Um  torcedor na arquibancada virou para um amigo mexicano e exclamou:

– Don Diego, isso não é Real!

 

Senhores azuis, por onde andam?

Na manhã de sábado, Avenida Azenha trancada porque um destes caminhões de concreto bloqueava uma pista inteira, dentro um cercado de cones. Ouvi um dos operadores do caminhão responder a uma senhora que lá, ele se encarregavam em sinalizar a pista:
– Assim sobra tempo pros azuizinhos se preocuparem com a cidade, justificou o camarada.
Ao chegar na Redenção, que aos sábados reúne boa parte da cidade que visita as feiras e o parque, novamente uma tranqueira. Desta vez eram dois carros, no estacionamento duplo ocupando cada lado da pista. Os outros veículos precisavam fazer um zig-zag para passar. Lá não tinha Azulzinho  para comandar o transito e sim um flanelinha.
No centro encontrei, por acaso, um lugar para estacionar perto do Mercado Público. Mal desci do carro e lá estava outro flanelinha, que não vi de onde tinha saído que já foi me avisando.
– Deixa cinquinho pro carro ficar bem cuidado.
Neste trajeto todo o que eu não vi foram os tais azuizinhos cuidando da cidade, porque os flanelinhas e o operador da Concremix, comandando o trânsito e fazendo o patrulhamento e sinalização das ruas, eu já conheço. 

Como discutir uma aposentadoria aos 65 anos?

Eu até posso discutir a aposentadoria aos 65 anos de idade se ela valer também para juízes, desembargadores, procuradores, servidores públicos em geral e que as aposentadorias sejam iguais as que são pagas pela previdência, com um teto em torno de cinco mil e poucos reais. Ah, e pelo fim das aposentadorias de senadores, deputados, governadores e presidentes da república. Somos todos trabalhadores, tanto no gabinete climatizado como abrindo buraco no asfalto, este sem emprego garantido. Nenhum é mais que o outro, vamos deixar de lado estas diferenças e se respeitar tá bom? Assim podemos iniciar uma conversa, caso contrário, não!

E olha que não estou discutindo as mordomias.

O quase affair da Faye Dunaway

Não lembro o ano nem o numero do festival, mas foi em Gramado na serra gaúcha, num agosto de muito frio, mês que o mundo do cinema se reúne para exibir e escolher os melhores filmes da temporada. Recordo que naquele ano os simpáticos cubano do Guantanamera ganharam o Kikito de filme estrangeiro e me lembro da Faye é claro.

Estávamos frente-a-frente numa sala reservada de um hotel de luxo. Ela de vestido preto, eu, de terno e gravata. Ela sentou e cruzou as pernas e eu abri um rosário de maus pensamentos, me sentindo um Don Juan DeMarco na sua frente, imaginando que ela me observasse feito um Johnny Depp.

Ela me cumprimentou num inglês tradicional, calculo que tinha um estranho sotaque. Eu a cumprimentei em português, procurando evitar o sotaque do Sul e ficamos por aí.

Ela baixou a cabeça com um ar de reprovação ou de vergonha por não entender o meu idioma. Aí notei que o meu personagem estava mais para Marlon Brando.

Nos momentos seguintes ela só sabia que me daria uma entrevista e eu que faria algumas perguntas, sem que entendêssemos bulhufas.

– Um tradutor por favor!

Lá vem a camareira do hotel para resolver o impasse e estabelecer uma conversa.

E tudo o que eu havia planejado em dizer ao pé do ouvido da Faye foi adiado, ficou para outro dia. Por pouco o affair não se consumou; não fosse a língua.

 

 

Só uma perguntinha ao Jucá: Se não tem pecado por que o perdão?

A tentativa do senador Romero Jucá do PMDB de Roraima, de conceder aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal – STF a mesma prerrogativa do presidente da República de não serem processados por atos estranhos ao exercício do mandato, foi uma confissão aberta de que suas excelências cometem atos estranhos e de que o poder está minado de gente deste tipo. Verdadeiros picaretas que se especializam desviar e vender de tudo o que conseguem surrupiar da pátria mãe corrompendo políticos, empresários, grandes industrias daqui e de fora, gente famosa das colunas sociais que se deixam corromper, até com a mãe do Badanha, com todo o respeito ao centromédio gremista dos anos 40 e sua progenitora.

Jucá ao tentar passar no Senado, nesta semana, a Proposta de Emenda Constitucional – PEC, que livra da punição a bandidagem que exerce os maiores cargos no poder, dispara o alerta, até mesmo dos mais céticos e doentios defensores desta canalhice toda, de que tem alguma coisa por de trás da cortina e que o espetáculo não tem nada a ver com o roteiro anunciado. Afinal por que motivo se protegeria alguém tão sério, correto, belo e recatado?

O Jucá, diga-se de passagem, transita livremente no poder muito embora, para o grande público, ele tenha se afastado depois que a Polícia Federal interceptou ligações do então ministro do Planejamento, cargo que ele exercia no governo Temer, admitindo esquema de corrupção no atual governo e falando em mudanças para estancar as investigações da operação Lava Jato.

Aliás, o grampo encontra-se na Suprema Corte aos cuidados do ex-ministro Teori Zavascki morto recentemente num misterioso acidente de avião no litoral fluminense.

Então Jucá, o que te levou a adotar medidas para proteger os santos do poder?
Se não tem pecado, por que o perdão?

A melancólica pauta positiva da mídia

Confesso que pouco assisto noticiários de TV, mas quando resolvo ver, lá está o Temer, vendendo ilusões de um país perfeito. O espaço que a mídia tem reservado à pauta positiva para divulgar as falácias palacianas é de uma total melacolia, pra não dizer mediocre.

Ou alguém acredita que o Michel vai mesmo dispensar seus ministros citados na Lava Jato, ou se ele próprio vai se autoafastar quando for notificado?

Porque então blindou o Moreira Franco sabendo que ele foi citado dezena de vezes nas chamadas delações premiadas?

Vai largar de mão o Padilha, seu abre alas? Ou o Jucá e o Gedel que saíram sem arredar pé do poder e continuam influenciando os blocos da concentração à dispersão.

O Alexandre Moraes que vai comandar o Supremo para desligar a Lava Jato e livrar o poder do banho de lama maior que o da Samarco em Mariana.

Alguém duvida que muito em breve o Temer será oficializado âncora dos telejornais?

Eu não duvido mais nada.

O segundo golpe está em marcha, agora com a anuência e o domínio total da mídia. Sugerimos que a tela da TV seja em forma de xadrez.

Caviar e torresmo só para os ricos

Alguém sabe explicar por que o torresmo é tão caro?

Me espantei ao ver uma placa num armazém de beira de estrada na região de Vila Maria, anunciando o preço do torresmo. Não acreditei e perguntei ao bodegueiro se aquele valor era real.

– Aqui ainda é cinquenta, mas tem lugar que chega a setenta reais o quilo.

– Caramba, e por quê?

– É o preço.

Fiquei então imaginando que a tal iguaria que sempre faz parte das rodas de samba e pagode e é cantada por músicos e compositores, deve ter passado de um nível de mesa de bar para os restaurantes de luxo ao lado do caviar por exemplo. O garçom anuncia:

– Pra entrada temos as opções de caviar Au Blinis ou torresmo Au Chef Zé Silva. O primeiro é light o segundo nem tanto.

No cardápio aparecem os preços e os acompanhamentos, o caviar é servido com vodca, o torresmo com uma purinha de alambique, o preço é o mesmo.

Há quem diga que o Eike já estava de olho neste novo eldorado, deixando de lado suas minas de ouro para se dedicar a compra e venda de torresmo, um mercado bem mais lucrativo, explorando o porco na origem. Ainda na maternidade o porquinho receberia um brinco de qualidade que o acompanharia do chiqueiro aos embutidos.

Enfim, o torresmo receberia uma avaliação da ANVISA revelando que ele não é prejudicial à saúde como andam falando, que pode fazer parte de uma dieta equilibrada na feijoada e que deve ser consumido com moderação.

O torresmo deixaria de ser o vilão dos gordinhos e se tornaria um complemento rico em proteína com valores diários que não afetam o colesterol.

Surgiria a dieta do torresmo que o Eike exigiria no seu cardápio em Bangu, para repor as calorias desperdiçadas entre uma delação e outra.

O torresmo poderia se tornar sim um vilão da inflação chegado ao ponto de derrubar o Temer e acabaria se transformando em herói nacional. Desbancaria o Renan, o Jucá e o Padilha num piscar de olhos. O Meireles renunciaria e o STF aceitaria a denuncia de golpe do torresmo sem segredo de justiça, mesmo que não houvesse uma explicação clara que incriminasse a supervalorização deste derivado do porco. Enfim, iria direto pra banha.

Retomei a estrada tentando compreender o papel que o torresmo deixa de exercer na vida das pessoas, mas só pude concluir que é mais um alimento que some da mesa do pobre.

Foi aí que entendi uma piada que rola nas redes sociais onde uma mulher pede para que não mandem para ela mensagens de datas especiais como o dia do amigo e termina dizendo:

– Mandem torresmo.

 

O professor e o jornalista

São bem próximas as funções de professor e de jornalista. As duas cumprem suas pautas do dia em lugares distintos, mas com a mesma finalidade, a de transmitir informação e conhecimento. Um professor traça o seu plano de aula na expectativa de repassar, de forma clara, o que tem no conteúdo. Para um jornalista não é diferente, sai da redação no foco de colher as informações necessárias para “fechar a matéria” e repassar em forma de notícia ao leitor, ao ouvinte ou telespectador.

Os dois carregam na consciência suas dúvidas, sabendo que, dependendo da situação, devem inverter a pauta, buscar outros meios de trabalhar o assunto e dispor da criatividade, o suficiente para construir uma boa aula ou uma boa notícia. É preciso muitas vezes recorrer ao improviso, ao acaso, desconstruindo o planejado, sabendo interpretar o que o momento exige.

Se os alunos tiverem outra interpretação do que estiver no “script-pedagógico”, um professor não pode, de forma alguma, traçar um “quadro negro” da situação, e sim buscar formas que gerem alternativas para esclarecer dúvidas, crises, imprevistos, afinal, não existe uma única forma de passar conhecimento, há um universo de maneiras e não existem fórmulas criadas para cada tipo de surpresa.

No caso do jornalista, se a pauta não corresponder à realidade dos fatos, ele vai ser obrigado a modificar o roteiro e ter a sensibilidade de filtrar a o assunto e produzir a sua informação de maneira clara, que responda as perguntas e as respostas se encaixem no texto.

A melhor saída é ouvir sempre o outro têm a dizer para daí então, baseado nas fontes da rua ou da sala de aula, construir uma pauta conjunta.

Para aguçar a curiosidade é preciso alterar ou inverter a pauta sim, na maioria das vezes, ou quase sempre. Abrace a turma, abrace a pauta e saiba que um bom improviso é a melhor forma de se mover numa saia justa.

Sensibilidade e criatividade andam de mãos dadas e, se não tiverem esta capacidade, os alunos não terão uma boa aula, ou as senhoras e os senhores ouvintes, uma boa notícia.

Às professoras Darli Collares e Patrícia Camini da Faculdade de Educação da UFRGS, por provocarem o tema.  

Ladrão Cortês

Depois de ouvir vários relatos e sentir na pele o trauma de dois assaltos e me deparar no meio de um fogo cruzado na Avenida Érico Veríssimo em porto Alegre em apenas um ano, concluo que alguns integrantes do seleto grupo de ladrões, larápios e meliantes vem se mostrando altamente cortês com a clientela. Uma minoria que está se especializando em atender bem com ações sem o uso da violência e com uma certa cortesia.

Vejamos dois exemplos:

Dona Dorinha foi assaltada no estacionamento de um supermercado, lodo depois de colocar as compras no porta-malas.

Ladrão – Mantenha-se calma minha senhora, trata-se de um assalto

Dorinha – O que-que’u faço?

Ladrão – Passe a chave, a bolsa e o celular

Dorinha – Estou tremendo, nunca passei por isso antes, pega a chave o resto tá na bolsa

Ladrão – A senhora está bem?

Dorinha – Preciso tomar o meu calmante

Ladrão – Está na bolsa?

Dorinha – O rivotril

Ladrão – Um ou dois?

Dorinha – Me da o vidro todo, prefiro morrer

Ladrão – Fique calma minha senhora, nada vai lhe acontecer

Dorinha respirou fundo, colocou o comprimido na boa e bebeu da garrafinha de água do ladrão, que por ele foi alcançada

Dorinha – Moço, e as minhas compras?

Ladrão – Não posso fazer nada, assalto é assalto

Dorinha – Mas o meu neto vai ficar sem o Yakult

Ladrão – Vamos combinar o seguinte: Eu vou levar o carro para um serviço que preciso fazer, depois vou deixa-lo num lugar bem perto daqui com o Yakult do seu neto

Dorinha – Mas tem a lasanha, as pastas, as carnes e o meu creme rejuvenecedor que acabei de comprar na farmácia?

Ladrão – Tá bem, eu deixo o creme, o resto não tem negociação.

 

O segundo exemplo ocorre noutro lado da cidade horas depois, um carrão tem a frente cortada por outro carrão numa rua sem muito movimento, mas habitada pela nata da sociedade. Desce um ladrão do carro e vai avisando:

– Perdeu!!! Fique calma que não vai acontecer nada, só queremos o carro

A senhora desce, retira a criança do bebê conforto e se afasta

Ladrão – Por favor, a bolsa

Senhora – Ah, sim, costume de andar com ela dependurada

Ladrão – Valentino? Deve valer uma nota

Senhora – Mais alguma coisa? Posso ir?

Ladrão – E o celular?

Senhora – Tá no painel do carro

Ladrão – Desculpa senhora, é a crise que se agrava, não tá fácil prá ninguém. Tenha uma boa noite!

Senhora – Vou tentar

A dúvida é se os ladroes andam frequentando algum curso de MBA para melhorar o desempenho nos assaltos, aprimorando formas de gentileza com as vítimas. Certamente são profissionais que buscam um novo patamar em suas carreiras. O segredo é manter a calma e acalmar a vítima e negociar alternativas para que a vítima sinta-se segura, embora se trate de um assalto.

A criatividade chega ao poder paralelo, afinal o crime é organizado e é preciso ser ousado para ganhar mercado.

 

 

No reino da Michelândia

Pois dizem que o Temer quer usar o Gilmar Mendes pra se aproximar da Cármen Lúcia.
Gilmar é o cupido da nação e pode salvar a relação!
 
Aliás, vamos respeitar o linguajar, o Temer não vai usar, vai cooptar o Gilmar.
 
Enquanto o encontro não vem o Temer controla a ansiedade no chazinho da Marcela.
 
Quando o encontro chegar Temer vai dizer que só quer a capa da Cármen Lúcia
– Senhora Ministra, vamos direto ao assunto, eu só vim buscar sua capa emprestada.
Sim, o Temer pode até voar sem capa, mas com capa ele vira justiceiro, já que os verdadeiros justiceiros da capa preta não decolam.
 
E só pra contrariar a curadoria, o casal MMs, Marcela e Michel, está mudando a decoração do Palácio da Alvorada.
 
Marcela não gosta do vermelho nem do sofá preto, nem do Inter, nem do Flamengo
Fora tudo o que é vermelho
Fora Niemeyer
Fora Lula
Fora Dilma
FICA TEMER!
 
Modificaram até a fachada o palácio da Alvorada. Colocaram uma tela de proteção pro Michelzinho não cair do segundo andar. O filho do Jango, os netos do Sarney e do Fernando Henrique, moraram lá e nunca despencaram.
A tela é pro Michelzinho não seguir os caminhos do pai que despenca nas pesquisas.
 
Andam falando que a tela tem outra finalidade não revelada, mas eu fiquei sabendo por uma das fontes dos jardins do Alvorada e vou revelar em primeira mão:
 
É que em noites de lua cheia ela impede que o Michel saia voando por aí e se perca nas matas ou se afogue no Lago Paranoá ou se esfole no cerrado.
Já pensou o presidente esfolado no cerrado.
 
O pior é a explicação:
– Dona Marcela anda furiosa excelência?
– Não, foi apenas um escorregão numa garrafa deixada pelo Lula.
Sim, o Lula tá em todas, é o Cristo açoitado.
É tudo culpa do Lula, ele bebe e o Michel é quem se esfola.