O caso da Venezuela caiu de maduro para a direita brasileira

Vejo com certo encanto e adivinhação, o descalabro da direita que, nos últimos dias, tem inundado as páginas do facebook para pregar o ódio contra o governo da Venezuela. Até a descontrolada e possuída do capeta, Janaina Paschoal, quer que o Temer dê um golpe no Maduro. Seria uma gloriosa ação da quadrilha instalada no poder brasileiro, dar um golpe em outro país. Como pano de fundo, o que a direita quer mesmo é proteger seus corruptos de estimaçao, acobertar seus erros e desviar a atenção da nação. Não vejo outra justificativa.

Panelaço, patos e nariz de palhaço estão fora de cogitação aqui, mas se encaixa na Venezuela. Só não vão lá por extrema covardia, mas como todo o bom covarde, que agride quem não se defende e não sabe se defender, lança sua artilharia de longe, brincadeiras, aliás, que os americanos e os coreanos sabem exercer com maestria.

No caso do Brasil, a crise venezuelana veio a calhar no momento em que a rosa dos ventos, tenta erguer o tapete e expor toda a sujeira depositada debaixo dele pelo congresso nacional que inocentou o governo Temer e seus aliados, com o apoio do  vento negro, que insiste em desviar a rosa da sua rota normal.

O caso na Venezuela, que se arrasta por anos, sem que fosse dado grande importância, só veio à tona agora para os brasileiros, justo no momento que os senhores do golpe precisaram de um fato novo para desviar a atenção do povo e abrir caminho para que o ataque em marcha faça o estrago que se avizinha. O impasse no pais vizinho chegou na hora certa, literalmente caiu de maduro.

A PELEJA DO MAL CONTRA O BEM

Montaram a baderna

Armou-se a fuzarca

Em nome do bem

O mal se destaca.

 

Roubaram a crença

Do povo sofrido

Que desprevenido

Confiou no poder.

 

Um bando de arteiros

Urubus, carniceiros,

Aniquilaram num golpe

A constituição.

 

Caçaram direitos

De um povo liberto

Só eles tão certos

Em toda a nação.

 

Desviam recursos

Não sobra dinheiro

Segurança, saúde

Em má situação.

 

O mal se supera

E o bem não convence

O mal s’empodera

Em nome do bem.

 

E o povo perdido

Confia na mídia

Espera Justiça

Que tarda ou não vem.

 

E já não entende

Por que tanta briga

Por que tanta gente

Na tal confusão?

 

E lá na igreja

Procura resposta

apegado na crença

Ajoelha no altar.

 

Por bem meu senhor

M’explica afinal

Se o mal o bem

Ou se o bem faz o mal?

 

CHUPA PATO

A turma do pato anda apavorada. Paga, numa só tacada, o maior reajuste de combustíveis da história e não pode tirar passaporte para fugir do país. Sem saída, sofre calada.

  • Pai, a gente não vai pra Disney?
  • Agora não
  • Mas você falou que a gente ia nas férias de julho
  • Não vai dar filho
  • Não tem lugar no avião?
  • Não, o que não tem é passaporte, a Policia Federal não tem material pra fornecer passaporte.
  • Por que?
  • O governo não liberou verba
  • Então porque a gente não vai pra serra ver a neve?
  • O preço da gasolina disparou filho
  • É por isso que a mãe falou no café da manhã que a coisa tá complicada?
  • Sim filho, complicou de vez
  • Mas o Temer não ia resolver tudo? Aquela vez que eu fui pra rua ver o pato com você era pra derrubar a Dilma e colocar o Temer que tudo ia melhorar, você falou.
  • Brinca no teu game e não faça perguntas filho
  • Vamos passar as férias em casa?
  • Se quiser, podemos dar uma volta na quadra e voltar logo porque a rua não é segura.
  • Mas paaaai….
  • Fiiilho!!!!!

Cegueira

Leio num misto de desânimo e preocupação, as postagens indignadas de brasileiros e de brasileiras referentes a atitude das quatro senadoras da nação, tentando impedir a aprovação, sem cortes, da proposta do Executivo que altera as leis trabalhistas no Brasil. O que mais chama a atenção é o fato das pessoas condenarem as marmitas servidas às quatro mulheres entrincheiradas, deixando de lado os motivos pelos quais elas estavam lá. Tambem preocupa esta capacidade de indignação sobre o que assistem e a total falta de memória das pessoas quando se refere a diagnosticar problemas. Preferem se manifestar contra as marmiteiras e alimentar a cegueira, enquanto o país mergulha na lama da corrupção e do desmando. Chega a ser triste pensar que estas pessoas que escolhem os representantes que vão decidir o futuro de todos, tenham uma visão superficial das coisas. Pacatas na frente da TV, ficam sensibilizadas com a ferida Exposta, visível, sem dar importância a doença silenciosa que consome o corpo.

Cada qual com seu Guto

Não é um mau técnico, mas não é o melhor. Coloca em campo um time ideal, que não rende o esperado e quando faz alterações, troca mal. Tanto o Guto como o Zago tem um quê de implicância com o Nico Lopes. O cara é sacado de todos os jogos, quando entra em campo é claro. Aí coloca o Brenner, depois tira o Claudio Wink e mantém o Pottker. Deixa o time mais pesado, os dois judiam a bola e afundam o gramado.

O lamentável trio de arbitragem e o comportamento de alguns torcedores depois do jogo contribuíram para sepultar o espetáculo. O antijogo do Criciúma completarou o sofrimento de um futebol pobre de futebol. Lembrando que retranca e catimba fazem parte do jogo.

Já o técnico foi salvo pelo Klaus aos 48 do segundo tempo. Bota sorte nesse cara, tou falando do Guto. Sobrevida por mais uma semaninha, pelo menos.

O BUGIO OS CACHORROS E O JORNALISTA

(Crônica muito bem humorada do Paulo Monteiro sobre um fato real, cheio de elementos que valorizam a arte de contar histórias)

Falham todos os sábios e todas sabedorias. Apenas os poetas são infalíveis. Prova a musa popular gaúcha em quadrinhas como esta:
Todo mundo se admira
do bugio andar de espora.
O bugio já foi tenente
da Brigada Provisora.
A musa popular produziu muitos versos sobre esse nosso parente distante e até um ritmo tipicamente nosso: o Bugio.
Meu amigo Flavio Damiani é viva prova de que o poeta popular está certo.
Aos fundos de sua aprazível casa, em Porto Alegre, às margens do Arroio Passo Fundo, ainda vive o inspirador desses versos. Ali desfruta sua longevidade isolado dos demais de sua espécie, como um velho lobos solitário ou um quati-mundéu. Apossou-se de uma larga faixa de mata ciliar, apreciando, em particular, um frondoso abacateiro e os sons de uma pequena cascata.
Calmo, pacato, como rezam as biografias dos valentes heróis das nossas revoluções à gaúcha. Aprecia, sobre-modo, abacates. Colhe-os e, serenamente meditando sobre os símios e assemelhados, sentado nos galhos vai saboreando os frutos, espalhando caroços e contribuindo para a formação de uma pasta originada pelos que não consegue segurar.
Nosso “tenente”, com certeza, deve sentir saudades das peleias de antigamente. Os heroicos atos de incêndios, estupros, estaqueamentos e degolas, praticados pelos seus heroicos provisórios reviveram nas últimas semanas.
Espiando pelas janelas viu e ouviu os entreveros nas ruas de Porto Alegre. Acostumado aos constantes protestos do Bota e do Black Jack resolveu agir.
Conto.
Bota é um guaipeca preto, barulhento como todo o viara-lata. Black Jack é um border acarijozado, cabeça e lombo retintos e pernas carijós. Embora nascido na maior e mais rica cidade do país, não perdeu seus instintos caninos. E dá cobertura as arruaças promovidas pelo Bota. Este odeia o Bugio.
Basta Flávio soltá-lo no patio e começa as arruaças. Profere os mais violentos impropérios em sua linguagem canina, sempre acompanhado pelo indefectível border.
Dia desses o Chico (nome plebeu conferido ao nosso parente) não aguentou. Moria um abacate, como quem destrava uma granada e póim! bem no meio dos cachorros. Estes, ágeis baderneiros, desviavam-se do artefato e continuavam os protestos.
Flávio Damiani que, como bom jornalista, acompanhava a confusão resolveu seguir a normalidade da vida. Enrolou um tapete que por ali jazia e resolveu batê-lo. Desviando-se da encrenca aproximou-se do tronco do abacateiro e pom! ficou o tapete contra a árvore.
Santo Deus!
O bugio deu um pulo no galho. E desceu com galho e tudo encima dos cães.
Foi o tendéu.
Espalharam-se caninos e símio. O Bota, todo lambuzado e fedendo abacate podre refugiou-se dentro de casa, seguido pelo ilustre Black Jack. Flávio mal teve tempo de olhar e ver o Chico disparando em sua direção. Protegeu os olhos contra a árvore e mal teve tempo de sentir uma pata que lhe comprimia o coccix e outra sobre os ombros, seguindo o bravo “povisoro” de volta aos galhos.
O Chico sumiu. Viram-no há pouco mais para as nascentes do arroio Passo Fundo. Na casa de Flávio as coisas voltaram ao normal. Ao normal, em termos, pois o “tenente” abandonou o posto.
Moral da história, pois de toda a história que se preze precisamos retirar um ensinamento: Como governante daquele pequeno reino verde-amarelo, Flávio Damiani aprendeu por que os governantes preferem varrer o lixo para de baixo dos tapetes. 

A república dos trouxas

Boquiabertos, os protestantes que sairam às ruas na esperança de Justiça, se vêem tomados por um golpe desferido de dentro do próprio judiciário. O Ministro Marco Aurélio Melo foi bondoso com o Aécio Neves e mandou que ele reassumisse o cargo de Senador – pra que sofrer tanto desgaste politico se só fez o que os outros também fazem?

Já o ministro Edson Fachin teve piedade do Rodrigo Rocha Loures que nunca tinha ficado na cadeira e é de família tradicional e de conduta ilibada. Voltou para casa com uma coleirinha no calcanhar. Claro que haverá uima vigilância redobrada nos passos que ele vai dar. O pato da FIESP somos nós e o golpe da capa preta, alertado pelo Brizola, está em marcha.

Encontro dois manifestantes lançando farpas, irônicas farpas.
– Toma seu trouxa, quem mandou protestar?
– Achei que todos estavam contra a corrupção…
– Nem todos
– Aliás muitos
– Bastante
– Talvez a maioria
– Que declara não ter um corrupto de estimação
– Integramos a república dos trouxas

O que vai ficar díficil de entender nesta disputa de poder que transformou o Brasil, é a diferença entre o bem e o mal. O mal já leva uma larga vantagem.

 

Era para ser 7, foram 4, contra 9, mas senti firmeza no 47.

O jogo Inter e Náutico na tarde deste sábado no Estádio Beira Rio em Porto Alegre teve um ingrediente raro no futebol, foram quatro pênaltis bem marcados, dois tiros livres desperdiçados e um gol mal anulado contra um time em frangalhos. O inter não jogou bem, mas goleou o time do Recife num jogo encardido onde o palpite e o palpitar cardíaco subiam e desciam a cada minuto do jogo. Tudo levava a crer que seria uma goleada histórica, mas, logo no início o juiz da partida, que não apitava um jogo de futebol desde fevereiro, anulou um gol legítimo colorado. O bandeirinha sinalizou mal e o árbitro assumiu o erro e penalizou o time gaúcho.

Agora, o mais incrível foi a quantidade de pênaltis no jogo, foram quatro, bem marcados pela arbitragem e o inter não soube aproveitar dois. Resolveu fazer um rodízio de batedores. Pottker (88), marcou o primeiro, D’Alessandro (10) o segundo, os dois gols foram de canhota. Aí na terceira cobrança o ponteiro da roleta cravou no 77 e Marcelo Cirino bateu de direita nas mãos do goleiro Tiago Cardoso. Para reparar o erro no quarto pênalti a roleta foi abandonada e a escolha recaiu novamente no 88. Pottker mudou o estilo de cobrança e o goleiro defendeu. Carlos (11), já tinha marcado o primeiro gol, e Cirino para se reconciliar com o torcedor fechou a goleada de 4 a 2, sim, porque mesmo com nove jogadores, o Náutico conseguiu fazer o segundo gol e encostar no Inter quando o jogo estava 3 a 1. Poderia ter marcado sete gols em cima do time que sempre foi uma aflição para o rival, mas o goleiro adversário foi mais competente. Léo Ortiz que não perde a mania de, na sorte, dar balão para a frente, ao invés de armar o jogo foi quem armou o segundo gol do Náutico.

Mas, em meio a tudo, surgiu uma esperança que entrou nos últimos quinze minutos do jogo e em menos de quatro em campo, tinha chutado duas vezes contra a meta do Náutico e sofreu o último pênalti. Juan, o 47, que veio da base e fez a sua segunda partida entre os titulares, é a esperança  colorada na temporada. Gira a bola e distribui o jogo tal qual D’Alessandro. Senti firmeza, este promete.

Nossas vidas valem menos do que as do lado de lá?

Comparem – Um homem é morto por atiradores que passaram disparando contra pessoas que estavam numa parada de ônibus no centro de Porto Alegre no final da tarde deste sábado, 3 de junho.

Quase no mesmo horário, do outro lado do mundo, em Londres, também ocorreram mortes de pessoas que estavam nas ruas.

A manchete, o destaque e o envio de correspondentes foi para Londres.

Lá, tês homens atropelaram com uma van os pedestres na famosa London Bridge.

Aqui o ataque foi no cruzamento das avenidas Borges de Medeiros com a  Riachuelo, no coração da Capital e os atiradores tambem estavam de van.

A pergunta é: Por que os dois ataques com vans em vias públicas recebem tratamentos diferenciados?

Seria lá por causa do terror? Mas aqui foi um horror e espalhou o terror em quem passava por lá. Nenhuma repercussão, nenhum depoimento, nenhuma narrativa do drama das ruas. 

Levo a pensar que o tratamento da nossa violência é infinitamente inferior, talvez por questões não tão transparentes como deveriam ser. Afinal, executaram alguém com ficha corrida, mas tinham mulheres, crianças, trabalhadores que retornavam para casa depois de um dia de labuta. 

Custo acreditar que a criatividade em questionar do nosso jornalismo se perdeu por completo, ao ponto de acharem mais interessante os oerigos do  primeiro mundo, repercutindo apenas o que acontece com os outros sem perceber que o crime mora ao lado. Se a elite não for perturbada, não tem notícia.