Ladrão Cortês

Depois de ouvir vários relatos e sentir na pele o trauma de dois assaltos e me deparar no meio de um fogo cruzado na Avenida Érico Veríssimo em porto Alegre em apenas um ano, concluo que alguns integrantes do seleto grupo de ladrões, larápios e meliantes vem se mostrando altamente cortês com a clientela. Uma minoria que está se especializando em atender bem com ações sem o uso da violência e com uma certa cortesia.

Vejamos dois exemplos:

Dona Dorinha foi assaltada no estacionamento de um supermercado, lodo depois de colocar as compras no porta-malas.

Ladrão – Mantenha-se calma minha senhora, trata-se de um assalto

Dorinha – O que-que’u faço?

Ladrão – Passe a chave, a bolsa e o celular

Dorinha – Estou tremendo, nunca passei por isso antes, pega a chave o resto tá na bolsa

Ladrão – A senhora está bem?

Dorinha – Preciso tomar o meu calmante

Ladrão – Está na bolsa?

Dorinha – O rivotril

Ladrão – Um ou dois?

Dorinha – Me da o vidro todo, prefiro morrer

Ladrão – Fique calma minha senhora, nada vai lhe acontecer

Dorinha respirou fundo, colocou o comprimido na boa e bebeu da garrafinha de água do ladrão, que por ele foi alcançada

Dorinha – Moço, e as minhas compras?

Ladrão – Não posso fazer nada, assalto é assalto

Dorinha – Mas o meu neto vai ficar sem o Yakult

Ladrão – Vamos combinar o seguinte: Eu vou levar o carro para um serviço que preciso fazer, depois vou deixa-lo num lugar bem perto daqui com o Yakult do seu neto

Dorinha – Mas tem a lasanha, as pastas, as carnes e o meu creme rejuvenecedor que acabei de comprar na farmácia?

Ladrão – Tá bem, eu deixo o creme, o resto não tem negociação.

 

O segundo exemplo ocorre noutro lado da cidade horas depois, um carrão tem a frente cortada por outro carrão numa rua sem muito movimento, mas habitada pela nata da sociedade. Desce um ladrão do carro e vai avisando:

– Perdeu!!! Fique calma que não vai acontecer nada, só queremos o carro

A senhora desce, retira a criança do bebê conforto e se afasta

Ladrão – Por favor, a bolsa

Senhora – Ah, sim, costume de andar com ela dependurada

Ladrão – Valentino? Deve valer uma nota

Senhora – Mais alguma coisa? Posso ir?

Ladrão – E o celular?

Senhora – Tá no painel do carro

Ladrão – Desculpa senhora, é a crise que se agrava, não tá fácil prá ninguém. Tenha uma boa noite!

Senhora – Vou tentar

A dúvida é se os ladroes andam frequentando algum curso de MBA para melhorar o desempenho nos assaltos, aprimorando formas de gentileza com as vítimas. Certamente são profissionais que buscam um novo patamar em suas carreiras. O segredo é manter a calma e acalmar a vítima e negociar alternativas para que a vítima sinta-se segura, embora se trate de um assalto.

A criatividade chega ao poder paralelo, afinal o crime é organizado e é preciso ser ousado para ganhar mercado.

 

 

No reino da Michelândia

Pois dizem que o Temer quer usar o Gilmar Mendes pra se aproximar da Cármen Lúcia.
Gilmar é o cupido da nação e pode salvar a relação!
 
Aliás, vamos respeitar o linguajar, o Temer não vai usar, vai cooptar o Gilmar.
 
Enquanto o encontro não vem o Temer controla a ansiedade no chazinho da Marcela.
 
Quando o encontro chegar Temer vai dizer que só quer a capa da Cármen Lúcia
– Senhora Ministra, vamos direto ao assunto, eu só vim buscar sua capa emprestada.
Sim, o Temer pode até voar sem capa, mas com capa ele vira justiceiro, já que os verdadeiros justiceiros da capa preta não decolam.
 
E só pra contrariar a curadoria, o casal MMs, Marcela e Michel, está mudando a decoração do Palácio da Alvorada.
 
Marcela não gosta do vermelho nem do sofá preto, nem do Inter, nem do Flamengo
Fora tudo o que é vermelho
Fora Niemeyer
Fora Lula
Fora Dilma
FICA TEMER!
 
Modificaram até a fachada o palácio da Alvorada. Colocaram uma tela de proteção pro Michelzinho não cair do segundo andar. O filho do Jango, os netos do Sarney e do Fernando Henrique, moraram lá e nunca despencaram.
A tela é pro Michelzinho não seguir os caminhos do pai que despenca nas pesquisas.
 
Andam falando que a tela tem outra finalidade não revelada, mas eu fiquei sabendo por uma das fontes dos jardins do Alvorada e vou revelar em primeira mão:
 
É que em noites de lua cheia ela impede que o Michel saia voando por aí e se perca nas matas ou se afogue no Lago Paranoá ou se esfole no cerrado.
Já pensou o presidente esfolado no cerrado.
 
O pior é a explicação:
– Dona Marcela anda furiosa excelência?
– Não, foi apenas um escorregão numa garrafa deixada pelo Lula.
Sim, o Lula tá em todas, é o Cristo açoitado.
É tudo culpa do Lula, ele bebe e o Michel é quem se esfola.
 

O teatro das sombras

A sombra que faz sombra e assombra

Pode ser boa quando te protege do sol

Pode ser ruim quando te assombra

A sombra cai na água em não molha

Cai no fogo e não queima

A chuva cai quando tem sombra

E pode tornar a noite assombrosa

Os raios produzem sombras

A luz da varanda reproduz a sombra da goteira

A sombra ninguém alcança

Uiva efêmera nas masmorras dos castelos

De almas atemporais alucinadas

Não tem sombra na sala de cinema

Mas pode representar no teatro

Assombra gabinetes e plenários

O Planalto, o Piratini e o Paço

Assombra castelos e palácios

Como se o mal dominasse o bem.

E num passe de mágica

Na mistica ilusão do baralho

Num estalar dos dedos

Abracadabra e o castelo desaba.

É à sombra que se esconde e descansa a transparência, a luz da verdade, a verdade das coisas e as coisas que não se quer mostrar. As sombras impedem piquetes de avançar e é na calada da noite que a sombra mostra a sua face mais aterrorizante, travessa e cruel. Ao mesmo tempo mais doce, encantadora, inocente, convincente, cobiçável, como se fosse feita de mel.

O Piffero merece uma estátua na Arena Tricolor

A gestão de Vitório Piffero foi tão maléfica ao Internacional, e ao mesmo tempo tão benéfica ao Grêmio que o agora já ex-presidente colorado, já que Marcelo Medeiros, da chapa opositora, foi eleito, no sábado, com uma enxurrada de votos, deveria ser homenageado pelo tricolor.

Não precisamos fazer nenhum esforço de memória para concluirmos que duas das três alegrias da torcida gremista em 2016 foram proporcionadas pelo Inter e seu então presidente.

Quem não lembra que na semana de um Gre-Nal o Piffero mandou embora o técnico Diego Aguirre por birras gratuitas, assim como teve com Mano Menezes e tantos outros. Como resultado o Colorado amargou um histórico placar de 5 a zero. O Vitório entregou de mão beijada a vitória para o Grêmio, por goleada.

A última grande alegria veio ontem, o anunciado rebaixamento do Internacional para a série B do futebol brasileiro. Desde a última quarta-feira os gremistas são só alegria, uma delas proporcionada, novamente pelo Píffero que por se considerar acima de tudo acabou rebaixado. É a soberba levando uma goleada. Vitório, mesmo sendo Vitório, é um perdedor.

Sai pela porta dos fundos, mas merece uma estátua, igual aquela que tem do Fernandão no Beira-Rio, só que na Arena Tricolor.

STF entre a desmoralização e o entreguismo

Ao deixar o presidente do Senado e os seus pares de mesa tripudiarem de uma decisão do ministro Marco Aurélio Mello que afastava Renan Calheiros da presidência da Casa por ser réu por corrupção, o Supremo Tribunal Federal – STF, perdeu o ou a moral, tanto faz, eles que são grandes que se entendam, afinal, foi feito gato-sapato e colocou a Justiça num jogo de cabra-cega. Isso dá uma série de motivos para interpretações, entre elas que a Justiça só é cega quando lhe convém. Cada um que pense do seu jeito, mas oque os leigos aqui do outro lado pensam não tem nada a ver com os autos do processo e sim com a auto-interesse

A conclusão é a de que quem sai perdendo mesmo são os oficiais de justiça que ficam sem moral para notificar alguém a partir dos fatos de Brasília e o povo brasileiro que vê todos os seus direitos devorados pela PEC que na semana que vem será aprovada no Senado. Parabéns aos que colaboraram para que o Brasil chegasse a este ponto. Preparem seus lamentos, porque suas panelas não servem para mais nada.

O cabinho da Apple e o da maçã

Você já parou para pensar a importância do cabinho para a maçã?

Ele já brota nela, aliás, vem antes dela nascer. É o embrião, o cordão umbilical da maça e com aquele tamanhozinho faz dela grande e saborosa. É pelo cabinho que passam todas as vitaminas e sais minerais da fruta, o cabinho transporta água, muita água, é uma canalização gota a gota que não precisou de nenhum trabalho de engenharia hídrica para projetar sua função.

O cabinho acompanha a maça durante todo o seu ciclo, e mesmo depois que ela sai do galho ele fica com ela até que alguém resolve arrancá-lo com uma faca, limpar a flunfa que se forma no umbiguinho, devorando, picando ou moendo o seu conteúdo num liquidificador.

O cabinho é fiel à fruta e não fosse ele a lei da gravitação não teria sido formulada por Newton pois a maçã não teria despencado na hora certa na cabeça certa, o que seria um desastre para a física.

O cabinho, no entanto, não pode ser imitado. Steve Jobs que criou a Apple e não conseguiu (?) dar qualidade ao assessório que alimenta o aparelho. O carregador da bateria do telefone é um equivoco da industria eletrônica. Precisa ser trocado a cada seis meses, talvez nem chegue a tanto, a um preço de mais ou menos dez por cento do valor do telefone. Se a Apple acertou na qualidade da maça, errou no cabinho. Ou o equivoco é proposital?

 

A confusão do carteiro que foi parar na Justiça

Lourival, ao chegar em casa, recolheu a correspondência na caixa postal e entre elas havia uma do SPC.

A NET cobrava uma assinatura atrasada num valor absurdo, tipo dois meses de contrato.

Sem pestanejar foi até a gaveta da cômoda e procurou as últimas faturas quitadas. Faltava uma que ele conseguiu comprovar por meio de extrato bancário.

Lourival não quis conversa e foi logo reclamar seus direitos no tribunal. Procurou o juizado das pequenas causas e abriu um processo contra a operadora.

Não demorou muito e a audiência foi marcada.

Frente a frente o Lourival, a juíza conciliadora e três advogados da NET.

Ao terminar a leitura da ação, que pedia um reparo por danos morais, a juíza olha para Lourival e pergunta:

– E a dona Eunice?

– Que Eunice, pergunta Lourival

– A da conta, a assinatura está no nome dela.

Lourival quase teve um troço

– Eunice é a vizinha

– O senhor a representa?

– Nnnnnnão, gaguejou, claro que não

– Mas quem não pagou a conta foi ela e não o senhor

– Doutora, pensei que a conta era minha e não da vizinha, peguei na minha caixa postal e nem olhei para quem era.

– Vamos condenar o carteiro? Questionou a conciliadora

– Pois é, sou leigo.. e no afã da cobrança bateu o ódio

– Não, eu é que sou leiga, sentenciou a juíza que passou um pito no Lourival e dispensou as partes encerrando aí o processo

Lourival saiu cabisbaixo, sem embolsar os recursos da ação e alem de tudo teve que encaminhar um pedido formal de desculpas a operadora.

Ah esses carteiros… murmurava, meio envergonhado, meio aliviado, porque no final das contas não deve um centavo para a NET.

Sofrer por dentro, calado

Pai e filho assistiam na televisão as últimas notícias sobre o pacote do Governo do Estado propondo a extinção de fundações e autarquias no Rio Grande do Sul, quando o pai não se conteve e largou um sonoro – CRÁPULA.

Com olhar surpreso o filho indagou:

– Porque você votou nele então?

– Porque ele disse que ia mudar

– O quê?

– Tudo meu filho, tudo

– Mas ele tá mudando, cumprindo com o que prometeu

– Mas não deste jeito

– Mas ele explicou o jeito que ia mudar?

– Não filho, não explicou

– Então porque você votou na proposta dele?

– Porque ele me fez pensar assim, mas agora vi que fui enganado

– Mas lá na tua repartição todos votaram nele também

– Sim, a maioria prá não dizer a totalidade

– E agora ele vai acabar com a fundação onde você trabalha e ainda vai te mandar embora

– É o que andam dizendo filho

– Você sempre reclamou do teu salário mesmo, qual é o problema?

– O problema é que vou ficar sem salário embora fosse uma merreca

– Mas você disse que ultimamente não via a cor do dinheiro

– Não, eu não via a cor do salário porque o dinheiro vem em conta-gotas, parcelado

– Mas ele prometeu na campanha que ia parcelar os salários?

– Não, ele não prometeu, aliás, não prometeu nada, não apresentou plano algum

– E vocês votaram nele mesmo assim…

– É filho, foi um lapso

– A tia Veroca bem que avisou

– Mas ela é petralha

– Mas os petralhas não parcelavam os salários

– Sim, isso é verdade, todo o final de mês tava lá na conta, valor integral

– Mas lembro que você vibrou quando o deputado Jardel votou pelo aumento de impostos para pagar em dia os salários dos servidores

– Não lembro disso meu filho

– Sim, você gritou aí nesta mesma poltrona que foi mais um golaço

– Ah, força de expressão porque ele foi meu ídolo no Grêmio

– Você votou nele também, não votou?

– Sim, votei

– Nessa ele errou o cabeceio como diz a tia Veroca, os salários continuam batendo na trave e respingando na rede

– Pois é!

– E agora pai, como vamos sobreviver?

– A gente dá um jeito

– Vou ter que sair da escola particular?

– Era o que eu iria mesmo te falar, temos boas escolas públicas

Aí entra o noticiário nacional da televisão anunciando que o Governo Federal assina medida provisória com mudanças na política para a educação

Os dois ouvem calados que, entre outras coisas, o ensino gratuito deixa de ser prioridade

O pai sofre calado, olhando o boneco do pato na mesa de canto da sala, o nariz de palhaço e a máscara do japonês da federal, que usou nas manifestações a favor do impeachment, dependurados na parede

Na manhã seguinte o filho sai para arrumar um emprego, já com planos de abandonar o ensino fundamental.

 

 

Memórias de um guri letrado na Cartilha do Guri

As tardes na infância eram longas, os dias eram intermináveis, as semanas demoravam meses, os meses em anos e os anos pareciam séculos que não acabavam mais. A transição no calendário era demorada, a folhinha das datas custava cair. O outono era outono, inverno era inverno de verdade, a primavera tinha jardins imensos nos canteiros da frente ou ao longo do patio das casas, formando corredores que iam da porta de entrada ao portão da estrada.

A grade mesa de madeira nobre, um angico ou talvez um louro ou grápia, ocupava maior parte da varanda, rodeada com cadeiras de palha de junco, ou de balanço, de vime trançada, que rangia conforme o peso de quem nela se acomodasse para uma cesta depois do almoço.

As tardes de segunda e de terça eram preguiçosas e mormacentas. O ar parado concentrava de forma, ás vezes irritante, o canto das cigarras nas cerejeiras, num zunido ensurdecedor. A vaca mugia no pasto chamando a cria para aproveitar a sombra de um cinamomo e se proteger do sol que castigava várzeas e coxilhas. O calor que evaporava da terra formava uma espécie de labareda por onde cruzavam formigas cortadeiras que levavam para um ninho próximo as folhas de uma grande roseira branca que se erguera na coluna de madeira e se debruçara de um lado ao outro do oitão da casa.

Debaixo de um pé de plátano as galinhas e os galos descansavam acomodados no vão das raízes enquanto as ninhadas de pintos de duas ou três semanas caçavam insetos num tapete de avencas esparramadas no barranco perto do rio. A água corrente e barulhenta do lajeado de pedras era um convite a não fazer nada.

O lanche da tarde era uma fatia de pão de trigo ou de milho,queijo,salame, um naco de doce de pera e limonada. Biscoito de manteiga e bolachas cobertas de glacê, salpicados com açucar colorido eram reservados para as visitas.

Na cabeceira da mesa a varanda, um menino de suspensórios e cabelo cortado ao estilo cadete tentava concertar a capa solta da Cartilha do Guri. Usava o pegajoso âmbar recém extraído do tronco de uma ameixeira para colar as partes que se soltaram. Era uma cola natural e eficiente também para selar envelopes de cartas.

As 54 páginas da publicação das edições Tabajara de 1962 eram intermináveis e um grande desafio para quem estava iniciando nas letras. Era pela cartilha que se transitava entre as hipóteses de escrita pré-silábica, silábica e, com muito custo, mal se chegava ao nível silábico alfabético. Era um ano inteiro tentando entender o que se passava naquelas folhas escritas, pontuadas e desenhadas. Escrever bola e bota era uma enorme dificuldade. Como que dois objetos diferentes tinham escritas tão iguais?

Pato e pote então era um martírio, mas ficava mais fácil entender quando se associava que o pato come no pote. Estas comparações, no entanto,não serviam para boi e formiguinha. O boi enorme tinha só três letras e a formiguinha era uma carreirinha sem fim. Ficava mais fácil aprender que a palavra era compridinha quando se cantava – a formiguinha vai na carreirinha levar comidinha pra sua filhinha –

Calculo que os professores e pesquisadores da escrita aprovariam esta musiquinha da formiguinha no processo de alfabetização guris e gurias preguiçosos em sala de aula. Também era uma forma de despistar as tardes de sono em cima da cartilha e do caderno sobre a mesa na varanda do casarão de madeira onde nenhuma brisa soprava para refrescar a memória ou acender os ânimos da pobre criança que suava para aprender o bê-a-bá.

As mães e as tias mais velhas, pouco letradas tentavam dar uma forcinha e soletravam letra por letra em voz baixa até formarem uma palavra. Assim, Olavo era desmembrado em: O – l – a – v – o, que virava: Oooola-vo, pra finalmente se unir numa só, e Olavo virava motivo de orgulho para quem pronunciava por inteiro. As frases formadas por meia dúzia de artigos e palavras eram tão demoradas para serem decifradas que quando chegasse à última, a pessoa já tinha se esquecido da primeira. Dava tempo de correr para tomar um banho no rio e voltar.

Se havia dificuldade em aprender a ler e a escrever com tanta coisa a observar ao nosso redor, tínhamos ao menos, a convicção e a certeza que as flâmulas na parede da sala pertenciam ao Internacional, o Palmeiras e o Vasco da Gama os times de coração do meu pai. E no alto da porta da varanda uma faixa bordada em tecido anunciava que “Nesta casa mora um casal feliz”. Não se sabia o significado das letras, nem se elas estavam em ordem dentro da frase, o importante é que todos pronunciavam o que estava escrito com a maior perfeição do mundo.

Só resta agradecer as professoras Lia de português e Rita de matemática e pra não esquecer repetir a máxima de criança que não gostava da escola e fazia rima pra passar o tempo:

“Se lia na aula da Lia e se irrita na aula da Rita”.

Muito obrigado às duas que marcaram a infância de guris e gurias em cima de cartilhas e de cadernos pautados e quadriculados. Vocês foram nossos guias.

Rap da PEC e das ocupações

 

                 RAP DA PEC

Nós não queremos – a PEC opressora

Que exclui o aluno – e a professora

 

Escolas de arte – e de filosofia

Escola de música – e de sociologia

Escola do campo – escola da terra

Escola urbana – e da periferia

 

Resistiremos – não vem, não insiste

Não recuaremos – a luta persiste

É nosso direito – a lei nos permite

 

Não privatize – a educação

Nós não queremos – as tuas lições

Nem tua presença – nas ocupações