A noiva oferecida e a lição de Morales

Primeiro a noiva se enfeitou para receber o príncipe Donald para a posse e subir a rampa para uma dança. Depois, bateu continência a um segurança ou assessor do príncipe. Aí se adiantou a anunciar que vai a qualquer lugar do mundo, como a Davos para finalmente encontrar o príncipe. O príncipe não vai, desistiu.

Agora perdeu para o Evo que mandou o Battisti de volta a Itália sem escala no Brasil. A corte tinha enviado até a carruagem para buscá-lo e levou uma lição de Morales.

A noiva continua engolindo sapos porque de nada adianta beijá-los. Os sapos daqui não viram príncipes e não são confiáveis. A noiva está fadada ao feitiço da bruxa do bem.

 

Sem o mínimo necessário

 

Em 70 anos de história o salário mínimo já foi suficiente para sustentar uma família.

Em 1938, o Brasil vivia sob a ditadura do Estado Novo e o governo Vargas contemplava, à sua maneira, um extenso rol de direitos sociais e trabalhistas que culminou com a criação da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) em 1943. Neste rol se inseriu a criação do salário mínimo.

O salário mínimo foi calculado de acordo com as necessidades básicas do trabalhador. Seu auge com poder de compra, ocorreu na segunda metade dos anos cinqüenta, especialmente no governo de Juscelino Kubitschek.

Foi uma conquista de luta dos trabalhadores, que se organizaram pelo reajuste na chamada Greve dos 300 mil, em São Paulo em março de 1953. O resultado desta insatisfação duplicou o seu valor.

Na vigência do regime militar (1964/1985) os reajustes passaram a ser calculados com base no índice de inflação o que levou a uma forte queda salarial.

Com a estabilização da moeda a partir do Plano Real, em 1994, no Governo de Itamar Franco, o salário mínimo começou a ganhar força. Mas foi a partir de 2003, com governo Lula e com a pressão das centrais sindicais que a elevação do avançou com maior impacto nas classes financeiramente menos favorecidas. 

Em cinco anos o salário mínimo subiu mais de 100%. O reajuste de março de 2008 ocorreu em um processo sem precedentes desde 1964 e foi decidido por acordo entre o governo e centrais sindicais.

A três primeiras marchas unitárias das centrais sindicais, em 2004, 2005 e 2006 resutaram num aumento real com reajuste superior a inflação.

Dilma estabeleceu uma meta do salário mínimo para que em 2019 ele chegasse a R$ 1.198,00.

No levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos – DIESE, o valor ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser R$ 3.959,98. Isso corresponde a quatro vezes o salário em vigor de 998,00 assinado por Bolsonaro como seu primeiro ato de governo.

A mídia na escola da EJA

Escrever um jornal a partir do aprendizado em sala de aula requer pauta, prática e conhecimento das plataformas digitais, coisa que para um professor migrante às novas tecnologias se apresenta como um desafio e tanto. O máximo que consegue, com muito esforço, é configurar num modelo do Word toda a produção dos alunos. No final, o simples torna-se plausivel. Sim, os registros dos alunos de EJA do CMET Paulo Freire de Porto Alegre, ganharam forma, fotos, ilustrações e a publicação. Todas as fases contempladas e, como recompensa, o reconhecimento de um trabalho onde as lembranças pessoais foram transformadas em fonte de informação.

Veja no link –  Jornal EJA da turma 307 do CMET

Os bastidores da notícia

 

A inserção do aluno no contexto da mídia para que, através dela, o estudante, de qualquer idade, forme sua capacidade de pensar o cotidiano, me parece fundamental em sala de aula. Comprovei que a leitura critica da mídia se faz necessário, trabalhando com uma turma de Educação de Jovens e Adultos do Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores – CMET Paulo Freire de Porto Alegre no segundo semestre de 2018. Lá foram aplicados conteúdos procurando levar o aluno a pensar sobre o todo que o cerca. Uma visão questionadora e libertária do pensamento próprio, que passa pela leitura e discussão dos temas da atualidade relacionado às suas memórias. A releitura da infância no contexto atual.

Numa das etapas fomos conhecer as redações de um dos mais antigos e tradicionais jornais do país, o Correio do Povo em Porto Alegre e da Rádio Guaíba.   Eles traziam na memória, o que se pode chamar de – doces recordações de criança. Tanto o rádio como o jornal fizeram parte da vida deles. Chegou o dia em que, finalmente, conheceram  os bastitodres da notícia. O relato está no linck a seguir, num texto coletivo da turma de alunos contando o que viram lá, tirando suas próprias conclusões.

Acesse aqui: Relatos visita correio do povo e rádio guaíba

 

 

A transformação de coxinhas em escondidinhos

 

Li nas redes sociais – “A trasformação dos coxinhas em escondidinhos” o que nada mais é do que um jeito metafórico de se dirigir aos que bradaram pelo capitão. Sim, os indignados sumiram.

Enrolados na bandeira da moralidade, os da turma do face debandaram em revoada migratória, não aparecem mais para difundir o ódio e espalhar veneno; andam escondidinhos da família justificando prosa pra não aparecerem nas festas de fim de ano; os do trabalho entram cabisbaixos e saem de fininho; os conhecidos trocam de calçada e eu vou seguindo o meu caminho de cabeça erguida e prestando muita atenção nesta virada que tem um motorista, que não é o mesmo do Collor, na contramão dos  planos de lisura de um anticristo que usou e abusou de um Deus que não é só dele, uma pátria que também não é só dele e da família dele.

 

Um gremista do bem

Convivi com o Frecha Negra nos meus tempos de Câmara de Porto Alegre. Solícito, simples e de boa prosa. Diabético e fumante. Alma sem maldade assim como era dentro das quatro linhas do gramado. Não jogou no meu time porque não quis, o Colorado, com certeza, teria sempre uma camiseta e um lugar reservado no campo para ele.

O Flecha ou Flexa, como queiram, porque sempre escreveram dos dois jeitos, deixou um legado para as novas gerações do futebol. O mineirinho leve, de futebol leve, de chute não muito leve, de peso leve, que Deus o leve. Vai em paz Tarciso, o futebol perde um jogador, o parlamento um vereador.

O BBB do Bolsonaro

O anjo Messias concede imunidade aos pecadores utilizando o elemento Terra para salvar seus fiéis seguidores.

O presidente eleito nomeou o gaucho Osmar Terra atual ministro do Temer para um ministério coisa alguma, com certeza bem menos importante do que o do trabalho que ele extinguiu em um evidente desrespeito ao trabalhador. O mais curioso nisso tudo é que o Terra abre vaga para outro gaucho Darcísio Perondi, que não foi reeleito, ocupar a cadeira de deputado deixada por Osmar.

Perondi tem uma lista de denuncias entre elas de cobrar consultas  pelo Sistema Único de Saúde – SUS, sim, ele é medico e cobrava por fora o que era de graça. Recebia além do dinheiro público, o dos pacientes Ministério Público Federal denunciou ele com a mão na massa. Perondi também foi pego portando uma lista de valores que foram pagos aos deputados para livrarem Temer de uma das tantas denuncia de corrupção. Sem imunidade parlamentar ele poderia ser preso e condenado, mas…

O que me deixa impressionado é esta casualidade ou sorte, como queiram. O povo não renovou a confiança no Perondi, braço direito do Temer e ele ganha imunidade reassumindo uma vaga na Câmara dos Deputados. Estamos diante do BBB do Bolsonaro.

Sua majestade, o veneno

 

No RBS Noticias da TV o desespero dos produtores de vinho e azeite de oliva com o veneno 2,4 D, usado nas lavouras agrícolas antes de serem plantadas. O vento carrega a morte de milhares de parreiras e oliveiras. Acompanhei a luta dos produtores para introduzir do meio do Rio Grande do Sul para baixo, novas culturas de sustentabilidade para pequenos e médios produtores.

Foram décadas de pesquisas e experimentos destruídas por aviões envenenados a serviço da ganância do agronegócio. Só num município, Jaguari, a produção de uva caiu de hum milhão para 450 mil toneladas e este ano a previsão é que a quebra seja de mais 30 por cento.

O que se esperar de um país em que a rainha do veneno é a futura ministra da agricultura?

A tão famigerada economia desta parte do estado pode acabar em abandono da produção de vinho e azeite de oliva. É só mais um sinal da cegueira que se institucionaliza governo após governo, modelo passado adiante cada vez com mais agressividade. Os venenos banidos dos países ricos são jogados nos campos do Brasil, com rainha e tudo.

Esta é a mudança.

 

O estagiário

 

Há quatro anos retornei à vida acadêmica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS, frequentando regularmente todas as aulas do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação/FACED. Decidi ensinar um pouco tudo aquilo que aprendi, passar para a nova geração e os parceiros da velha guarda experiências que o jornalismo me proporcionou. E é nesta linha que, na reta final dos estudos, ingressando no período de estágio obrigatório procurei o Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores – CMET Paulo Freire para realizar lá os meus estudos práticos finais na Educação de Jovens e Adultos/EJA.

Entrei lá, na condição de estagiário, no inicio deste semestre com a proposta de contar histórias, não as minhas, mas estimular estudantes a escrevam sua autobiografia e, acima de tudo. tornarem-se leitores críticos da realidade.

A proposta “Contar Histórias, Catar Memórias” já está avançado e, como eles viram escritores, narradores, contistas de forma que, cada um passa a ser o redator contumaz de seus feitos, obstinado a passar adiante as suas lembranças armazenadas lá no fundo da cachola.

Decidimos em aula, democráticamente, como diria Marina Silva, conhecer uma redação de jornal, uma emissora de rádio que, afinal, são as propagadoras da informaçã0, tendo em vista que as histórias viajam no tempo e são pasadas de geraçãão em geração através do compartilhamento da escrita e da oralidade.

E lá fomos visitar o Correio do Povo e a Rádio Guaíba no prédio histórico da Companhia Jornalística Caldas Júnior no centro de Porto Alegre. A Maria José e a Vera Nunes da editoria de Ensino/Educação receberam o grupo de alunos na sala VIP do Correio do Povo onde são recepcionadas as autoridades entre elas, prefeitos e governadores. Acomodaram-se em poltronas onde já sentou Leonel Brizola, João Goulart, mais recentemente o Lula e se cavar mais um pouco na memória, quem sabe lá o presidente Getúlio Vargas. Todos atentos aos relatos da Vera e da Zezé  sobre a história do Coreio do Povo e dos extintos jornais Folha da Manhã e Folha da Tarde.

No passeio pela redação, hora de voltar ao passado e lembrar de quando passei pelo Correio no final dos anos 70 inicio dos 80, guri que volta e meia saía de Passo Fundo para aprender ao lado das raposas do jornalismo brasileiro ou dividir a mesa com gente que passava os dias fazendo poesia, no caso, o Mário Quintana. De quebra ficava hospedado no Hotel Majestic onde o Quintana morava, hoje transformado na Casa de Cultura que leva o nome dele.

Reencontrar na redação jornalistas como o Eugênio Bortolon, a Luciamen Vinck, o Renato Panattieri, o Elder Ogliari, o Plínio Nunes, o Alfredo Possas e o Heron Vidal (foto abaixo), com o qual trabalhei produzindo notícias desde os Porões da Legalidade do Palácio Piratini, enfim, gente que fez e faz história na imprensa recebendo de forma carinhosa os alunos do CMET.

 Heron, Sinara e Eu na forto da Christina Popovic

Depois foi a vez de visitar a Rádio Guaíba, um passeio pelo Estúdio Cristal o primeiro estúdio de rádio panorâmico do Brasil. Todos recebidos pela simpática e sorridente jornalista Sinara Félix (foto acima), locutora de voz inconfundível da Rádio Guaíba. Quando menos esperavam estavam cara a cara com os apresentadores Geison Lisboa e Alemão Von Mitsen e deram entrevistas, cada um falando da sua trajetória, de onde veio e para onde vai. A professora Cristiane Popoviche resumiu a história do CMET durante entrevista sobre a vocação da Escola.

Enfim, uma noite para ficar na memória e entrar para a história destes estudantes. Acho que cumpri com o meu dever de ampliar o conhecimento, retirando os alunos da sala de aula, além dos muros da escola, dando a eles a oportunidade de uma visão de mundo como dizia Paulo Freire, prática abominada pelos adeptos e retrógrados defensores da chamada escola sem partido a qual eu chamo de escola sem futuro. Querem, de forma reacionária, afrontar a liberdade de expressão devolvendo o saber para dentro da caixa.

 

 

Dona Pikuxa, o pangaré e a filha Venenosa

 

Venenosa nasceu no segundo decanato de escorpião e tem nome de signo. Mãe zelosa e filha do mesmo naipe patrulham os passos da pobre criatura que tem uma amor secreto. Sob o roupeiro a mãe guarda uma espingarda de dois canos pro caso de algum apuro. Diz que é para espantar os gatos, mas não revela a espécie. Se é de quatro ou talvez de duas patas.

Venenosa certa feita estava em casa e recebeu uma ligação do Panga, um fazedor de fretes que andava na redondeza fornecendo algumas entregas e na tentativa de priorizar a atividade fim ligou pra Venenosa. Sim, o Panga também era um fornecedor de prazeres. Ao saber que ela estava sozinha em casa, resolveu dar uma escapadinha, deixou a caminhãozinho estacionado a mais ou menos duas quadras de distância para não levantar suspeita e largou no trote. Passadas cadenciadas para não chamar a atenção da vizinhança, invadiu o portão da frente que o esperava meio aberto. Assim que atravessou a fronteira da rua para a casa o controle remoto selou a segurança. Ninguém os perturbaria.

Panga sentia mais medo da mãe do que da filha, sim dona Pikuxa tinha porte de arma. Trataram de se apressar das iniciais aos finalmente. Tudo corria bem até que uma voz do outro lado da fronteira invade o território do amor.

– Filha tu taí? abre o portão que tou sem a chave…

Aquilo foi de subir a pressão numa tarde de verão, o Panga suava em bicas e Venenosa emudeceu.

Tentou fugir pelos fundos, mas a floresta densa de unhas de gato e japecanga não favorecia uma retirada estratégica, mesmo porque na correria ele deixara a metade das roupas espalhada pela casa.

Virou a casa dos cochichos.

Venenosa se arrastando de quatro para não ser vista da rua deu de mão no telefone e ligou para uma vizinha de quadra.

– Amiga, estou em apuros, me salva!

Ouvindo o tom de pavor cochichado, berrou em voz baixa:

– Tem ladrão na tua em casa?

– Quase isso, tem alguém aqui dentro sim, mas o problema é lá fora.

– Vou aí ou chamo a polícia?

– Só quero que você chame a minha mãe pra tua casa, ela tá no portão, depois eu te explico… o Panga tá aqui, entende?

A vizinha que interrompeu o banho para atender  amiga, deu uma volta no quarteirão e como se, por acaso, recolheu dona Pikuxa que se mostrava curiosa com tudo aquilo.

– O celular toca lá dentro e ela não atende, reclamou a mãe.

– Deve ter saído e deixado o telefone, disse a amiga vizinha.

Neste meio tempo, Venenosa tratou de despachar o Panga. Ah, sim, Panga é o diminutivo de Pangaré, um apelido carinhoso que recebeu das gurias por se considerar o garanhão do pedaço. Saiu de fininho pelo portão da frente sem olhar para trás, literalmente chegou a trote e saiu a galope.

Ao se aproximar da caminhãozinho de mudanças, encharcado de suor, ele ouve um chamado:

– Ei moço, pra que tanta pressa, chega a aqui, quero falar com você.

Era a mãe da Venenosa no portão da casa da vizinha, queria contratar um frete.

Mas Panga estremeceu com a tanta sutileza e desabou de susto ali mesmo, no meio da rua.

Reanimado, abriu os olhos e viu a idosa com uma espécie de arma na mão que o fez retornar ao seu estado letárgico. Ele jamais descobrirá que aquele cano que mirava em sua direção era uma sombrinha que dona Pikuxa carregava. Só recuperou a memória quando já estava longe, salvo e acomodado na ambulância do Samu.